7.12.06
11.10.06
Festival de sazankas em Amarante




Sazanka é o nome japonês da Camellia sasanqua, que inaugura logo em Setembro a época da floração das camélias: a japoneira (C. japonica) recebe o testemunho com o declinar do Outono, atravessa connosco o Inverno, e só se despede com Maio à vista. Ao contrário da japoneira, a sazanka gosta da exposição solar directa e tem flores fragrantes, exalando um perfume rústico muito agradável. Presença comum nos jardins nortenhos, é contudo invulgar encontrar tão grande número delas, e de porte tão respeitável, como no Parque Florestal de Amarante, onde preenchem uma alameda e bordejam um dos lados do terreiro em redor da casa. A visitar com urgência de nariz e olhos bem despertos antes que o espectáculo termine.
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
11.10.06
5
comentários
14.7.06
CCDRN: o gosto de proibir # 2
Está na altura de regressarmos, passadas já três semanas, ao caso dos jardins da CCDRN, um património que esse organismo quer vedar abusivamente ao usufruto público, privatizando-o em benefício dos seus funcionários e dirigentes. O uso que faço da palavra privatizar não é retórico: a CCDRN, na placa com que pretende proibir os utentes de aceder aos terrenos da Casa Allen à face da rua António Cardoso, escreve, em lapsus linguae revelador, que esse jardim é particular.
Seguindo a sugestão da Carla, escrevi, no dia 27 de Junho, uma carta ao Presidente da CCDRN sobre o acesso público ao jardim. Duas semanas depois, ainda não tive resposta - e ficaria na verdade muito surpreendido se alguma vez a tivesse.
Eis a carta na íntegra:
Exm.º Senhor Presidente da CCDRN
Rua da Rainha D. Estefânia, n.º 251
4150-304 Porto
Porto, 27 de Junho de 2006
Assunto: acesso público ao jardim da CCDRN
Exm.o Sr. Presidente:
O jardim da sede da CCDRN, à rua da Rainha D. Estefânia, é um exemplo precioso da arte dos jardins portuenses na viragem dos séculos XIX e XX. Como outros jardins da zona do Campo Alegre, hoje pertença da Universidade do Porto (como o Jardim Botânico, o Círculo Universitário ou a própria Faculdade de Arquitectura), insere-se num percurso histórico e patrimonial que recorda o que foram os grandes jardins privados de ilustres famílias portuenses como os Andresen, os Burmester e os Allen. Há traços comuns a todos esses jardins: as inúmeras camélias de porte arbóreo, o coleccionismo de árvores exóticas, a presença de estufas de aclimatação, os canteiros desenhados a buxo. Todo este património merece ampla referência no livro Jardins Históricos do Porto (edições Inapa, 2001), da autoria de Teresa Andresen e Teresa Portela Marques.
É pois natural que os turistas ou simples cidadãos que se interessem por jardins e valorizem este património queiram visitar, como parte do referido percurso, os jardins da CCDRN. E uma visita só não chega, pois os jardins mudam com as estações do ano e cada visita traz a sua surpresa. A mais recente e desagradável surpresa que tive foi a de ser impedido pelo vigilante de serviço, na passada sexta-feira, de visitar o jardim da CCDRN; e ontem uma amiga minha viveu igual experiência. Já antes, e incompreensivelmente, era proibido fotografar o jardim; agora também é proibido vê-lo.
É estranho que, funcionando na sede da CCDRN um centro de documentação aberto ao público ao qual o acesso se faz pelo jardim, se queira impedir o mesmo público de frequentar o jardim. Será para que não se veja o uso pouco digno que lhe tem sido dado, ocupado como está em grande parte pelo estacionamento?
Seja como for, esta atitude da CCDRN (semelhante à que o mesmo organismo tomou em relação ao jardim da Casa Allen, à rua de António Cardoso) é lesiva do natural usufruto, por parte dos cidadãos, de um espaço com alto valor patrimonial que estava, até há bem pouco tempo, aberto a quantos o quisessem admirar. Apesar de ser co-autor de um livro (À Sombra de Árvores com História, edição de 2004, já esgotada, da associação Campo Aberto) onde também se mostra e fala da monumental canforeira no jardim da CCDRN, não lhe peço autorização especial para frequentar o jardim. O que lhe peço é que esta decisão de o privatizar em benefício exclusivo da CCDRN e dos seus colaboradores seja anulada, e que ele volte a ser visitável pelo público em geral.
Agradecendo a atenção dispensada, apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,
Paulo Ventura Araújo
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
14.7.06
9
comentários
Etiquetas: Arvore monumental , Camellia , Casa das Artes
1.4.06
Camélias no Dias com Árvores
- "A pátria das camélias" - (06.03.30)
- Camélias são notícia -(06.03.27)
- Exposição de camélias no Porto - o regresso seis anos depois (06.03.22) DESTAQUE
- Uma senhora camélia- Camellia reticulata - Serralves (06.03.12)
- Festa das Camélias - Camélia «Anemoniflora» na Quinta de Santo Inácio (06.03.09)
- Onde comprar camélias portuguesas - camélias nos Viveiros Mário Mota- Carvalhos, Gaia (06.02.22)
- Camélias e pássaros - Mathotiana rubra (06.02.18)
- Assim era o Porto -camélias nos jardins da Casa Tait -Porto (06.01.12)
- Fascinação -Camellia irrawadiensis na Quinta Vilar de Matos, Junqueira-Vila do Conde (06.01.17)
- Camélias são notícia -Quinta Vilar de Matos, Junqueira-Vila do Conde (06.01.16)
- As pompónias são campeãs -Prado do Repouso e Quinta da Aveleda (06.01.10)
- Na rota das japoneiras -Camellia japonica no Prado do Repouso- Porto (05.12.12)
- Japoneira e plátano na Rota do Românico do Vale do Sousa - Japoneira no adro da Igreja de S. Salvador de Paço de Sousa (05.12.10)
- O problema da flor -Camellia sasanqua no Parque da Cidade do Porto (05.12.09)
- Não cai o pano, ou o teatro infinito - Palácio de Cristal -Porto (05.11.24)
- Camellia sasanqua nos Jardins do Paço dos Bispos -Viseu (05.09.19)
- As "sazankas" já estão a florir! (05.09.16)
- Villar d'Allen- (05.08.12)
- Rainha de Sabá - Palácio de Cristal -Porto (05.08.01)
- Modo de vida - Casa de Campo-Molares, Celorico de Basto(05.04.17)
- Vereda - Quinta da Aveleda (05.04.16)
- Abril, flores mil - Casa da Gandarela, São Clemente, Celorico de Basto (05.04.08)
- Imperatriz perfumada- Camellia japonica "Impératrice Eugénie" no Palácio de Cristal (05.04.06)
- A Araucária das Almas do "Camélias Parque" (05.04.01)
- Olhar um Jardim - hoje - Fund. Eng. António de Almeida-Porto (05.04.01)
- Conferência e visita guiada por Teresa Andresen-Fund. Eng. António de Almeida(05.03.28)
- "Hanami"? -Quinta da Aveleda- Penafiel (05.03.27)
- Março na Rotunda- (05.03.24)
- E então as camélias? -Viveiro Municipal na antiga Qtª das Areias -Porto(05.03.01)
- Viveiro Municipal na antiga Qtª das Areias (05.02.23)
- Camélias em flor - visita ao Viveiro Municipal do Porto (05.02.22)
- Camélias do Palácio Vila Flor - Guimarães (05.01.18)
- O Mundo da Camélia - Livro (04.12.29)
- Japoneira na horta, camélias nas couves - Japoneiras em Ramalde -Porto (04.20.12)
- Antologia do Porto - (04.12.12)
- Redonda e lustrosa - Camellia japonica- Quinta do Covelo-Porto (04.12.10)
- As notícias que ninguém dá -camélias em S. Lázaro e no Jardim Botânico-Porto (04 11.21)
- Acabadas de sair - Camellia japonica -Serralves (04.10.11)
- Verde e branco em dia cinzento - Camellia sasanqua- Rotunda da Boavista- Porto (04 10.05)
- Debaixo da "sazanka" florida -Camellia sasanqua no Parque de S. Roque (04.09.12)
- Notícia da camélia florida-Camellia sasanqua no Parque de S. Roque-Porto (04.09.06)
Publicada por
ManuelaDLRamos
à(s)
1.4.06
0
comentários
His hobby is CAMELLIA -a página de Yasunori Kanda
Publicada por
ManuelaDLRamos
à(s)
1.4.06
0
comentários
Etiquetas: Camellia , Yasunori Kanda
31.3.06
"A pátria das camélias"
.
No Jornal de Notícias
«Em 1890, o escritor francês Georges de Saint-Victor (em "Souvenirs et Impressions de Voyage") inventou uma das mais belas - senão a mais bela - designações para esta cidade "O Porto é a pátria das camélias". E acrescentava: "Até nos cemitérios as há". A ideia seria, depois, retomada por Alberto Pimentel (1925): "Camélias ou rosas do Japão, o que é certo é que elas fizeram do Porto a sua pátria adoptiva". Poder-se-á dizer coisa mais emocionante sobre algum lugar? Sobretudo sobre um espaço que nos habituámos a olhar sem, muitas vezes, nos apercebermos dos pormenores significativos que definem uma cultura e afirmam uma identidade.
Disse cultura. E que outra palavra poderíamos utilizar englobando o amor, o jeito, a arte, a ciência, o convívio que enraizaram a tradição de cultivar a rosa japónica (conforme os românticos), japoneira (conforme o povo), a camélia (conforme todos nós), tão firmemente enraizada no burgo? Cultura, sim, desde - ao que sabemos - o século XVI, quando as primeiras camélias foram plantadas na Península, nos jardins ainda hoje esplendorosos do Paço de Campo Belo. (Já estou a ouvir alguns "Mas isso é Gaia. Não é Porto". Interessam-me pouco tais autarcias. É o mesmo rio, a mesma terra, o mesmo falar, a mesma gente, a mesma génese, a mesma história. As mesmas camélias).
Cultura, sim. Pois que outra aptidão, outro saber poderiam ter produzido uma colecção de espécimes que o Horto das Virtudes, à volta de 1900, catalogava em cerca de 606 variedades (184 das quais de criação portuguesa)? Cultura e, claro, chão. Chão de solos fundos, antigos, bem molhados e drenados sob céus chuvosos. Chãos musguentos. De húmus fértil. Invernos agrestes, morrinhas trespassantes, nevoeiros pesados, chuvas embirrentas. Tudo junto formando o ambiente perfeito para o crescimento da Alba-plena- (a minha camélia branca), da Reticulata, da Gouveia Pinto, da Saudade Martins Branco (que agora soube ter sido
dedicada - honra de uma cidade insubmissa - à memória do estudante João Martins Branco, assassinado pela polícia nos confrontos da véspera de 1 de Maio de 1931), da Aunt Rosalie, da Perfeição de Vilar d'Allen, etc., etc.
Não consigo entender a razão porque, na pátria das camélias, não tem lugar, anualmente, no melhor recinto, um grande festival das camélias. Competente e rodeado de condições logísticas e promocionais de modo a atrair visitantes nacionais, galegos, espanhóis e, por aí fora. Um festival chamando ao burgo os apaixonados europeus das camélias? E não é isso que uma cidade economicamente deprimida exige? Acontecimentos relevantes, que a relancem, prestigiem e transformem em pólo de sedução, entretenimento e requinte, através da projecção do seu património? E mais estamos à espera de quê, para, em comum com a pátria-irmã galega, organizar um festival europeu da camélia, repartido anualmente entre o Porto e uma cidade daquele outro chão das japoneiras?
Estamos à espera de ver camélias transplantadas para o Terreiro do Paço, para depois nos queixarmos do centralismo?
Depois de uns anos de luto, em que a pátria das camélias se esqueceu que o era, graças à iniciativa de uns quantos amantes do "juvenil frescor" das rosas do Japão, de uns esforçados que não perderam o respeito por uma faceta essencial da personalidade portuense, as camélias vão regressar, este fim-de-semana, ao Mercado de Ferreira Borges. Retomando a tradição das exposições dedicadas à mais bela das flores, que pinta, nos invernos tripeiros, a beleza das "suas manchas alvas como a neve e rubras como o sangue" (Armando de Lucena) aí teremos as camélias, durante dois dias.
Faço votos para que a resposta do público - de todos os que ainda não se submeteram à civilização do plástico e à mentalidade do cimento - seja demonstrativa do apego da cidade à flor que, por excelência, a simboliza e torne evidente o absurdo desinteresse pela nossa própria alma, que a não realização destas exposições de camélias tem demonstrado.»
Publicada por
ManuelaDLRamos
à(s)
31.3.06
4
comentários
Etiquetas: Camellia
27.3.06
Camélias são notícia
- A portuense camélia recupera prestígio de outros tempos (por Francisco Mangas no DN)
«"O perfume delas é talvez a cor", escrevia o poeta Pedro Homem de Mello a propósito das camélias. Planta de origem distante, prefere a sombra à luz da manhã, que povoa os jardins públicos e privados do Porto desde há muitas décadas. Em largos períodos do século XX, marcado pela guerra, perdeu admiradores e o título de "rainha". Mas está de volta e recupera o prestígio perdido - a beleza, essa, nunca a perdeu. (...)
Na cidade do Porto, contrapunha o autor de Guia do Viajante , toda a gente conhecia estas flores. Toda a gente as oferecia. No Porto havia José Marques Loureiro, horticultor e jardineiro multiplicador, que na Quinta das Virtude, na Rua dos Fogueteiros, possuía uma imensa colecção de camélias. Num catálogo, Loureiro afirmava que no seu viveiro, além de outras espécies, podiam encontrar-se mais de 750 variedades de primeira ordem. "A nossa colecção não tem rival em Portugal e na Península", garantia, com orgulho, o horticultor e jardineiro multiplicador.
Além do viveiro na Quinta das Virtudes, no finais do século XIX, Alberto Pimenta aconselhava ao viajante de passagem pelo Porto que, se pretendesse contemplar outra colecção de assinalável qualidade, visitasse a quinta do "senhor visconde de Vilar Allen".
Mais de um século depois, a Quinta de Villar d'Allen - porque as camélias "preferem florir em sítio onde possam escutar o murmúrio do agreste e às vezes melancólico Douro - continua a ser uma referência para os admiradores dos arbustos e árvores que, como as magnólias, escolheram o fim do Inverno para exibirem as flores de diversas cores: desde a brancura plena ou mais rubro dos rubros.
E esse ressurgimento da imensa colecção de camélias, nos jardins e no bosque da quinta, junto ao Palácio do Freixo, deve-se à paciência de Isaura Allen. Tudo começou com uma dúvida: há sete anos, Isaura visitou uma exposição de camélias no Mercado Ferreira Borges, no Porto, e a dada altura o nome de uma das flores expostas era-lhe verdadeiramente familiar: "Camélia Alfredo Allen". De volta a casa, Isaura
Allen percorreu o jardim e o bosque à procura da árvore. Aprofundou a pesquisa e descobriu que o nome Allen aparecia associado a outras camélias - variedades criadas e apuradas por familiares remotos. Isaura Allen, que ainda não conseguiu identificar todos os exemplares da colecção existentes na quinta, alargou agora a pesquisa e pretende fazer um levantamento das restantes camélias portuguesas.
"Associada a critérios de elegância e aristocracia - como lembram Veiga Ferreira e Maria Celina, em O Mundo da Camélia -, perdeu muito da sua popularidade pelos fins século XIX . Mesmo assim, soube iludir a crise, o esquecimento: "Nada a fez desistir de florir entre as ruínas de castelos, casas solarengas e jardins de casas antigas." »
Publicada por
ManuelaDLRamos
à(s)
27.3.06
4
comentários
Etiquetas: Camellia , Quinta de Villar d'Allen
22.3.06
Exposição de camélias no Porto
- o regresso seis anos depois
A Sociedade Internacional das Camélias em Portugal informa que, nos próximos dias 1 e 2 de Abril, irá realizar-se a muito esperada Exposição de Camélias no Mercado Ferreira Borges, na cidade do Porto. Com o objectivo de preservar o nosso património, haverá, pela primeira vez, um reconhecimento especial para a melhor camélia de origem portuguesa.
A todos os que queiram expor as suas flores, pede-se o favor de enviar a inscrição para:
Câmara Municipal do Porto - Divisão de Parques e Jardins
a/c de Sr. Eng. Leandro Cardoso
R. de S. Roque da Lameira, 2040
4300-306 Porto
Tel: 22 5193530 Fax: 22 5193537 E-mail: dmpj@cm-porto.pt
Horário da exposição:
Dia 1 de Abril:
8.30h-12.30h: Montagem dos expositores
14.30h- Abertura oficial e entrega de diplomas
24.00h- Fecho
Dia 2 de Abril:
10.00h- Abertura
19.00h- Fecho
SOCIEDADE INTERNACIONAL DAS CAMÉLIAS
(THE INTERNATIONAL CAMELLIA SOCIETY)
A Sociedade Internacional das Camélias (ICS), fundada na Austrália pelo Professor E.G. Waterhouse em 1962, é uma organização sem fins lucrativos que se dedica ao estudo e divulgação desta planta. É uma Sociedade com membros espalhados por todo o mundo e organiza um congresso bienal, além de passeios e visitas propostos pelas secções regionais. Os seus membros recebem uma revista anual que fornece informações gerais, estudos científicos e actualização das variedades de camélias. A Delegação da ICS em Portugal existe desde 1981 devido à iniciativa do Eng. José Gil, contando actualmente com cerca de 130 membros.
A camélia é originária do sudeste asiático, a data da sua introdução no ocidente ainda não está determinada e permanece um mistério. Há grandes probabilidades de terem sido inicialmente trazidas por botânicos, representantes da coroa ou missionários portugueses na época dos Descobrimentos, mas apesar dos enormes exemplares que possuímos e da existência de faianças e azulejos portugueses do séc. XVII com o motivo "camélia", para já ainda não se encontraram provas concretas. Sabe-se que um botânico holandês do séc. XVII já mencionava a camélia com o nome de "Tzumaki", que corresponde ao japonês "Tsubaki" (árvore das folhas luzidias), e que a primeira planta viva de que há registo na Europa foi trazida por missionários antes de 1739, data em que já se encontrava uma camélia talvez proveniente da China na estufa de Lord Petre, em Inglaterra - era a chamada "Rosa Chinesa" ou rosa sinensis, uma camélia japónica semi-dobrada de cor vermelha. No início do séc. XIX as camélias atingem uma enorme popularidade no ocidente, e as primeiras de que há registo em Portugal foram encomendadas por volta de 1809-1810 por ilustres portuenses como Francisco Van-Zeller ou Alberto Allen, encontrando o seu expoente máximo no Horto das Virtudes, do célebre José Marques Loureiro - Horticultor e Jardineiro Multiplicador.
O Porto é a Cidade das Camélias por excelência, com uma riquíssima tradição de cultivo e criação de inúmeras variedades reconhecidas internacionalmente, incluídas e descritas no International Camellia Register - o registo oficial da ICS. Durante vários anos a Câmara do Porto organizou Exposições/Concursos de Camélias, uma actividade interrompida há seis anos. As camélias constituem um património natural e cultural de que o Porto se orgulha e que deverá manter, preservar e divulgar.
Para mais informações é favor contactar:
- Clara Gil de Seabra (Directora da ICS - Portugal), tel/fax 226170428
E-mail: claragildeseabra@tvtel.pt
- Maria Augusta d'Alpuim (Representante dos Membros da ICS - Portugal), tel.229384740
E-mail: calpuim@netcabo.pt
- Joana Andresen Guedes (Membro da ICS - Portugal), tel/fax 226173204
E-mail: jandresenguedes@gmail.com
Fotos: camélias do Parque de S. Roque, Porto
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
22.3.06
3
comentários
Etiquetas: Camellia , Divulgação
19.3.06
Actividades de substituição

Diz quem viu e sabe que neste tanque circular, na Casa da Ínsua, «crescem nelumbos, planta aquática da família dos lótus vulgares, extremamente rara nos nossos jardins». No Inverno a planta ainda mais rara se faz, dela não sobrando qualquer amostra à tona da água. Fica assim meses a fio uma infra-estrutura valiosa à míngua de utilização, afligindo pelo mau exemplo quem tem por missão gerir e optimizar. O que vão fazer os peixes do tanque, que não hibernam nem cessam de rodopiar, para ocuparem proficuamente esse seu excesso de tempo livre? Convocadas de surpresa, as camélias estiveram à altura do desafio: ei-las já flutuando em actividades de substituição.
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
19.3.06
1
comentários
Etiquetas: Camellia , Casa da Ínsua
13.3.06
Uma senhora camélia

Camellia reticulata - Serralves - Março de 2006
Um dos inconvenientes do regionalismo japoneira para designar a camélia é o de sugerir que todas as variedades ornamentais deste arbusto pertencem à espécie Camellia japonica. Pois é precisamente por esta altura do ano que uma vistosa camélia de outra espécie, a Camellia reticulata, inicia a sua floração, e seria injusto confundi-la com a sua congénere. Embora as flores da C. reticulata sejam peculiares, de grandes pétalas onduladas vermelhas ou róseas deixando entrever o núcleo de estames amarelos, a forma mais segura de a distinguir da C. japonica é pelas folhas: coriáceas, pontiagudas, de cor baça, contrastando com as folhas luzidias, comparativamente maleáveis da japoneira.
Menos resistente ao frio do que a C. japonica, a C. reticulata é muito apreciada pelas suas grandes flores, as maiores e, para alguns, as mais belas de todas as camélias. A sua introdução na Europa ocorreu em 1820, constando já em 1865 do primeiro catálogo do horticultor portuense Marques Loureiro. O epíteto reticulata refere-se à fina rede de veias que marca a superfície das folhas.
Camellia reticulata - rua de Vilar (Porto) - Março de 2005
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
13.3.06
2
comentários
9.3.06
Festa das Camélias
Vai decorrer, no último fim de semana deste mês (dias 25 e 26 de Março), em Celorico de Basto, na Praça Cardeal D. António Ribeiro, a III Festa Internacional das Camélias do concelho. O evento inclui:
1) uma exposição-concurso, aberta ao público no sábado das 15h30 às 22h00 e no domingo das 10h00 às 19h00, em que este ano a maior novidade é um prémio para a melhor camélia portuguesa;
2) uma pequena feira de produtores de camélias anexa à exposição;
3) um fórum sobre camélias, com início às 17h00 de sábado, onde intervêm, entre outros, a D. Isaura Allen (da Quinta de Villar d'Allen), a Dra. Carmen Salinero (da Associação Espanhola de Camélias) e o Prof. Fernando Catarino (ex-director do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa);
4) uma visita guiada aos famosos (e formosos) jardins de camélias do concelho de Celorico de Basto, com partida às 10h00 de domingo.
A participação em (3) e (4) é limitada e está sujeita a inscrição prévia, a efectuar até ao dia 17 de Março. Para mais informações, contacte a empresa municipal Qualidade de Basto através do tel. 255 320 250 ou do endereço electrónico geral@qualidadebasto.pt
Camélia «Anemoniflora» na Quinta de Santo Inácio
(uma das premiadas na Festa das Camélias de 2005 em Celorico)
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
9.3.06
3
comentários
Etiquetas: Camellia , Celorico de Basto
21.2.06
Onde comprar camélias portuguesas

Foto: pva 0602 - camélias nos Viveiros Mário Mota - Carvalhos (Gaia)
Quando há dias celebrámos a camélia «Augusto Leal de Gouveia Pinto», supúnhamos que ela seria difícil de encontrar em viveiros comerciais. Na verdade, comprovámos posteriormente não ser assim tão difícil: o que é preciso é ir ao local certo. Claro que nesses viveiros de berma de estrada, simples entrepostos de plantas lustrosas importadas da Holanda, nada há de especial quanto a camélias - pelo menos nada que tenha a ver com a nossa tradição de cultivo da planta. Mas, bem perto de nós, no concelho de Gaia, há dois viveiristas exemplares que prolongam essa tradição, cultivando e vendendo uma grande diversidade de camélias portuguesas, além de outras de várias proveniências. São eles:
1) Viveiros Mário Mota - Rua Gonçalves de Castro, 537 - 4415-379 Pedroso - tel. 227842015
Como chegar. Tome a IC2 da Ponte da Arrábida até à EN1 (Carvalhos); na EN1 vire à esquerda imediatamente antes do Colégio dos Carvalhos, e continue até um largo arborizado (Largo de França Borges); a Rua Gonçalves de Castro começa no extremo sul desse largo.
O que lá encontrámos. Augusto L.G.P., Dona Herzília II, Villar d'Allen e muitas mais camélias portuguesas, além de uma grande colecção de sasanquas, reticulatas e outras raridades. Ainda que especializado em camélias, o horto vende também outras árvores e plantas.
2) Horto Luís Faria & Filhos - Largo de São Martinho do Além - Vilar do Paraíso - 4405-905 V. N. Gaia - tel. 227110562
Como chegar. Tome a IC2 a partir da Ponte da Arrábida, depois a IC1 para sul até à primeira saída (VL3), onde deve seguir para leste; na primeira rotunda tome a saída à esquerda (Rua de Gramoinhos), e encontra o Largo de São Martinho do Além logo a seguir.
O que lá encontrámos. Não pudemos entrar por estar fechado ao domingo, mas o que vislumbrámos por cima do muro faz-nos querer voltar; além do mais, os nossos vizinhos galegos amigos das camélias já por lá andaram e contaram do que viram.
3) A estes dois viveiristas o aficcionado deve juntar Villar d'Allen, nome incontornável quando se fala de camélias portuguesas: aí, além de se poder visitar a preciosa colecção de camélias oitocentistas, vendem-se variedades exclusivas produzidas não só nessa quinta mas também na Quinta de Santo Inácio.
A propósito de camélias portuguesas, não podemos deixar de lamentar que, nas recentes obras de beneficiação do Parque de Serralves, em geral bem conduzidas, se tenham importado todas as novas camélias (e restantes plantas) de Itália. Os conhecedores, quando visitam jardins, gostam de lá encontrar o que é característico de cada país; não vêm a Portugal para ver o que é italiano. É triste que Serralves, por ignorância ou mal avisada poupança, tenha rompido com a tradição da camélia portuguesa.
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
21.2.06
5
comentários
Etiquetas: Camellia , Vila Nova de Gaia
19.2.06
Chuva
Chove uma grossa chuva inesperada
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.
Miguel Torga, Diário II (1943)
Foto: pva 0601 - camélia «Dona Herzília II» na Casa Tait
Publicada por
Maria Carvalho
à(s)
19.2.06
4
comentários
Etiquetas: Camellia , Casa Tait , Miguel Torga , poesia
18.2.06
Camélias e pássaros

Foto: pva 0602 - Mathotiana rubra, mãe de Augusto L.G.P.
«Linda, a camélia da manhã. Puríssima. Eu entrava no horto quando era miúda e sim, lembro-me das camélias por serem das minhas flores preferidas, ainda não tinham nome de "Lavinia" ou "Margaret". Por isso é que hoje ao vê-las aqui, é como folhear um album de gente conhecida e amiga. Acho que, na verdade, as conheço bem. E por saber que não "cheiravam a nada", cheirava-as todas. Chamavam Japoneiras às árvores; eu também era bastante virada a Oriente pelo que nelas até o nome me atraía! Ali era, então, o horto, em frente ao Museu. A casa existe (é linda por dentro), ficou emparedada pelo "Cristal qualquer coisa". Ao fundo desse CC sentei-me algumas vezes, de coração partido, a olhar para os melros e as poucas árvores que aí restam. Os quintais vizinhos, também. Como fazem as lojas ou os cafés tão escuros quando há pátios e trepadeiras nos velhos jardins! Como se fecham, com tanto sol e ar e céu e mar! A pêra que ainda hoje é o logotipo do horto, estava na parede do lado do Carregal e dizia "Plantai as nossas sementes e colhereis melhores frutos", talvez... Eu gostava muito daquele anúncio, uma pêra grande. Assustava-me um pouco o imperativo - Plantai; tomai e comei; Olhai - parecia-me um pouco como o dedo ameaçador de Deus no catecismo (eu só gostava daquele Jesus que expulsava os vendilhões do templo, esse é que me dava gozo). Iamos lá, ao horto, eu e o Senhor Juvandes (incrível como me lembrei deste nome) quando havia alguma "festa" no Museu - seria isso? Não sei bem, sei que um jardim e plantas e árvores e bolbos e flores eram o meu encantamento, sempre. Pois, o Senhor Luís J era o porteiro do Museu Soares dos Reis. Eu morava perto e era pequena, levava-me com ele para brincar nos jardins. Ao fundo, tenho a certeza de que havia vacas a pastar. Um pórtico em pedra, árvores enormes. Gárgulas, miosótis (forget-me-not) e musgo macio. Escadinhas com heras. Pedras trabalhadas abandonadas pelos canteiros. Leões nas fontes e nenúfares rosados. O rei D.Afonso Henriques estava no átrio, estátua imponente (para mim) com a sua cota e espada. Tirando o D. Dinis que lavravra e fazia poesia, esse era o rei que de quem eu gostava antes de o aprender na Escola. Eu andava pelo museu e pelos jardins, livre com uma abelha. Todas aquelas estátuas, muitos quadros, instrumentos musicais, faianças, vestuário antigo bordado, em tudo isso eu podia mexer porque eu era "a menina bem comportada". Quando pedi, há um ano ou dois, a um segurança, para me deixar ver o jardim lá atrás, fiquei chocada. Não explico porquê. Foi mais um arranjo modernaço.
Não há sítio de romance. (Romances só nos Centros Comerciais, nas Praças da Alimentação, com árvores e comida plástica). Isto é o que te queria contar da camélia, do horto e do museu. Há um pássaro que aparece, fugidio, nos prédios das traseiras. Não é pomba, nem pardal, nem gaivota, nem rola, nem melro. É um pássaro esbelto, saltitante, com duas manchas brancas nas asas. Vai, determinado, a um sítio. Num segundo pousa e no outro voa. Quando voa para baixo, o pátio, faz uma curva graciosa. Quando abre as asas e foge como uma seta vêem-se manchas côr de laranja. Algums homens são como alguns pássaros. São coisas que eu às vezes cogito - há tempos que não escrevo esta palavra... mas é uma coisa que faço muitas vezes: não só pensar, cogitar, que me parece mais completo e controverso.»
Carta de E.P. (16/II/2006)
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
18.2.06
1
comentários
Etiquetas: Ave , Camellia , Colaboração
16.2.06
"Augusto Leal de Gouveia Pinto"

Foto: pva 0602
De ascendência ilustre - a mãe é a famosa "Mathotiana Rubra", de vistosas flores encarnadas - e nascida, corria o ano de 1953, em berço de ouro - no famoso viveiro portuense de Alfredo Moreira da Silva & Filhos - esta camélia, de seu nome "Augusto Leal de Gouveia Pinto", estava predestinada a grandes feitos. As suas flores, tais como as da mãe, são grandes e dobradas, com as sucessivas camadas de pétalas abrindo-se num arranjo de simetria perfeita; mas, em lugar do vermelho tinto uniforme da "Mathotiana", as pétalas exibem uma suave gradação rosa-lilás, rendilhada por venação mais escura e rematada por bordadura branca.
A "Augusto Leal de Gouveia Pinto" é a nossa eleita como Imperatriz das Camélias - pois, sendo já toda e qualquer camélia rainha do Inverno, a mais bela não podia ser menos que imperatriz. Quando pela primeira vez a admirámos ainda ela para nós uma camélia anónima, e nem a sabíamos portuense de origem; mas logo foi evidente que o título honorífico lhe pertencia de direito. E, para aniquilar de vez a suspeita de bairrismo nesta distinção, quando na verdade qualquer juiz imparcial a corroboraria, saiba-se que a "Augusto Leal" foi uma das 200 plantas notáveis (e uma das duas únicas camélias) escolhidas em 2004 por uma comissão de peritos da Royal Horticultural Society para celebrar o bicentenário da instituição.
Como é de regra com todos os portugueses (e portuguesas) que vencem lá fora, está na hora de a Pátria reconhecer pressurosamente o excelso mérito desta camélia portuense. Há o óbice de ela ser difícil de encontrar nos viveiros (nem sequer a firma Moreira da Silva a tem à venda); mas quem simplesmente a quiser admirar pode fazê-lo em muitos dos nossos jardins: no Palácio de Cristal (no canteiro à esquerda da entrada); na Casa das Artes (onde a foto em cima foi tirada); no Parque de São Roque (junto à casa); no jardim da Fundação Eng. António de Almeida; e no Parque de Serralves (jardim central).
A natureza, obedecendo ao sábio preceito de guardar o melhor bocado para o fim, determinou que a floração da Imperatriz das Camélias fosse tardia: começa em Fevereiro, quando outras variedades já encerraram a temporada, e prolonga-se até Abril.
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
16.2.06
15
comentários
Etiquetas: Camellia
17.1.06
Fascinação
Foto: pva 0412
Visitámos a Quinta de Vilar de Matos pela primeira vez em Dezembro de 2004. Íamos então à procura da camélia azul. Guiados pelos donos da Quinta, que as cuidam com mãos sábias e que delas contam histórias como se fossem da família, encontrámos inúmeras camélias que desconhecíamos, de que a preta (vermelho muito escuro), a amarela ou a azul são apenas as mais famosas. A foto exibe uma espécie birmanesa, a Camellia irrawadiensis, variedade Barua, de flor branca, singela, com um centro vistoso de estames cor-de-mel e muito perfumada.
Em 2004, o Senhor Paulino Curval plantou, num terreno da Quinta, uma longa alameda de japoneiras de médio porte, devidamente protegidas por um renque de faias. Estas camélias, de variedades escolhidas a preceito, já não se venderão no seu viveiro: são a prenda que o Sr. Curval deixa ao futuro e de que se orgulharão os seus descendentes. Nós também agradecemos.
A colecção da Quinta inspirou - e encheu de ilustrações - o livro O Mundo da camélia, que com frequência consultamos e de onde escolhemos variedades requintadas para coroar o ano. Será que daqui a dias, quando voltarmos à Quinta, poderemos apreciar uma camélia Duarte de Oliveira?
Publicada por
Maria Carvalho
à(s)
17.1.06
4
comentários
Etiquetas: Camellia , Quinta de Vilar de Matos
16.1.06
Camélias são notícia

Foto Dezembro 2004
«Tentar entrar no Guinness com 30 mil pés de camélias no JN
A Quinta Vilar de Matos, em Junqueira, Vila do Conde, vai candidatar-se ao Livro Guinness de Recordes com 30 mil pés de camélias. Em comunicado, a quinta refere que a candidatura foi apresentada em Dezembro, coincidindo com a abertura ao público da XI Exposição Camélias em Flor, patente até Abril.
Nos dez mil metros quadrados da quinta, o coleccionador Paulino Curval tem 1300 das 1400 espécies de camélias existentes, desde as vulgares brancas, passando pelas cor-de-rosa e vermelhas, azuis, lilases e pretas. A colecção "já foi várias vezes considerada pela Confederação Internacional das Camélias como uma das melhores do Mundo". No site da "Guinness World of Records", não há qualquer recorde relacionado com camélias.
Ao contrário da maior parte das flores, as camélias "impõem a sua beleza numa época do ano em que as condições climatéricas se apresentam menos favoráveis", o que justifica o facto de serem conhecidas como "Rainhas do Inverno".
Além de camélias, a Quinta tem mais de 100 espécies de plantas ornamentais e árvores de frutos tropicais.»
Ler: O Mundo da Camélia - Livro
.
Publicada por
ManuelaDLRamos
à(s)
16.1.06
3
comentários
Etiquetas: Camellia , Quinta de Vilar de Matos , Vila do Conde
13.1.06
Assim era o Porto
«Uma cidade onde os habitantes conhecem as diferentes qualidades de rosas, as japoneiras que dão camélias, sabem o nome das árvores, o que se deve plantar na altura própria, cidade em que cada família tem a sua estufa, cultiva com carinho orquídeas e fetos de variada folhagem, onde as árvores de fruto são tratadas com a estima de pessoa amada e os horticultores recebem honras e medalhas de ouro pelas variedades de belas portuguesas, pelo colorido dos crisântemos, pelas formas raras de begónias. Uma cidade de árvores grandes tão ao gosto inglês, com chuva boa para fumar cachimbo, onde não se fala ao telefone horas seguidas.»
Ruben A
[extracto de O mundo à minha procura (1964) incluído na antologia Daqui houve nome Portugal]

Fotos: pva - camélias nos jardins da Casa Tait, a pedido de EP
Publicada por
Maria Carvalho
à(s)
13.1.06
2
comentários
9.1.06
As pompónias são campeãs


Já aqui foi aqui sugerida uma explicação para a corpulência de algumas japoneiras no cemitério do Prado do Repouso. Embora plausível, essa explicação deixa de ser suficiente quando notamos que as campeãs em tamanho, tanto no cemitério como noutros locais que nunca serviram para essa função, são sempre, entre nós, japoneiras da mesma variedade. Na foto, vemos duas das campeãs: a primeira no Prado do Repouso, a segunda na Quinta da Aveleda. Sem uma medição rigorosa, é difícil estabelecer qual das duas é maior: a do Prado aparenta ser mais alta, mas a da Aveleda é mais entroncada e de copa mais ampla.
Esta variedade destaca-se pelas flores de cor variável, a maior parte em vários tons de rosa, mas também as tendo imaculadamente brancas. Por isso não temos a certeza de qual o seu nome: pode até tratar-se da pomponia alba, pois não é invulgar as japoneiras perderem, com a idade avançada, algumas das suas características identificadoras.
Seja como for, a versão bicolor da pompónia, além de ser entre nós das japoneiras mais antigas e de crescimento mais vigoroso, é também das mais comuns: tanto no Prado do Repouso como na Aveleda há alamedas formadas quase exclusivamente por elas; já as fotografámos nos jardins do Palácio de Cristal; e, também no Porto, quem desce a rua do Campo Alegre pode vê-las - grandes, pontilhadas de branco e rosa - atrás do muro do Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, na esquina com a rua do Bom Sucesso.
Fotos: pva
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
9.1.06
1
comentários
Etiquetas: Camellia , Cemitério , Quinta da Aveleda
12.12.05
Na rota das japoneiras

Foto: pva 0512 - Camellia japonica no Prado do Repouso, Porto
Os cemitérios portugueses são, em regra, quase despidos de vegetação, e por isso talvez surpreenda saber que algumas das maiores japoneiras do Porto (e do país) estão no Prado do Repouso e em Agramonte; mas, inaugurados que foram estes cemitérios públicos do Porto em meados do século das camélias (o do Prado do Repouso em 1839, o de Agramonte em 1855), mais seria de espantar a sua ausência do que a sua afinal normalíssima presença; o que enche o olho é o tamanho que elas lograram atingir em século e meio. Dos dois cemitérios, é o do Prado do Repouso que tem as japoneiras de maior porte (como a da foto, que até nem é das maiores); em compensação, o de Agramonte tem-nas em maior número, formando extensas alamedas.
Publicada por
Paulo Araújo
à(s)
12.12.05
2
comentários


