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1.5.05

"As Maias"

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Todos os anos no "último de Abril" as pessoas continuam a fazer questão de arranjar o seu ramalhete de giestas amarelas para colocarem nas portas ou janelas e assim cumprirem a tradição: apanhadas, compradas ou dadas "as maias" não podem faltar e devem colocar-se antes da meia noite.
"Para que haja fartura", "para espantar o carrapato", " contra o mau olhado" , "contra as bruxas"... Tudo isto ouvi eu ontem quando fazia a ronda no bairro, manhã de sábado e de sol, puxando a conversa. No prédio, a vizinha, tinha-me prevenido:"Já lá tenho para si também, se quiser!"

É da Beira-Alta a quadra que José Leite de Vasconcelos trancreve nos seus apontamentos sobre os costumes tradicionais ligados ao 1º de Maio, mas também por cá se poderia pois cantar:
«A flor da giesta ......................................A flor da cana
Quem a tem logo a empresta ......................Quem a tem logo a apanha.»


Giesta- Cytisus ssp.

Escreve Leite de Vasconcelos:
«(...) As Maias propriamente ditas constam de duas partes: o enramalhamento das portas e o Maio-moço. Tratemo-las em separado.
1- No primeiro de Maio, no Douro, Beira-Alta, Minho, etc. enfeitam-se as portas das casas com ramos de giestas amarelas, chamadas Maias, que aqui no Porto são vendidas pelas ruas no último de Abril.

O povo dá estes costumes duas explicações, conforme eu disse num folhetim inserto n a Vanguarda, nº20 de 1880 (...): a) Quando a Virgem foi para o Egipto deixou pelo caminho muitos ramos de giesta para não se enganar na volta; b) Quando Jesus Cristo nasceu, os judeus procuraram-no para o matarem, e, como soubessem que ele estava numa casa, colocaram-lhe à porta um ramo de giesta, afim de no dia seguinte o prenderem. Nesse dia, porém, todas as casas da povoação apareceram marcadas, e os judeus não puderam dar com ele.
Em Vermoil, o costume sofre uma modificação: as cortes de gado são enfeitadas com ramos de carvalho, ao que chamam "maiar o gado". (Junho de 1882) »

In As maias: costumes populares portuguezes: carta ao illustre folklorista hispanhol o Sr. D. F. Rodrigues Maria, José Leite de Vasconcelos.- Barcelos: [s.n.], 1882. - Extr. do "Tirocinio"

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Cytisus ssp.
Ontem, as "maias" que se vendiam pela cidade eram desta espécie que creio ser Cytisus scoparius, a mais comum entre nós, as giestas-bravas ou giestas-das-vassouras.
(scoparius, em latim significa justamente "em forma de vassoura" ou "que serve para fazer vassouras")
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16.4.05

Cancioneiro popular - Amoreira

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Fiz a cama na 'moreira
E o travesseiro na 'mora;
Coitadinha da menina
Que de rico se namora!


Chamais à moreira triste,
Assim vós vos enganais;
A moreira cria seda
Com que vós vos asseais.
(Baião)

VASCONCELOS, José Leite de - Cancioneiro Popular Português. Coord. e introd. de Mª Arminda Z. Nunes. Coimbra : Universidade, 1975.
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4.1.05

"Ó ciranda, ó cirandinha..."

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«Já nas crenças micénico-cretenses, precisamente em Micenas e na cretense cidade de Knossos, no segundo milénio antes de Cristo, a palmeira e a oliveira eram as árvores frutíferas dedicadas aos homens pelos deuses. Eram assim as árvores sagradas, e, por tal circunstância, tinham nos templos lugares em recintos especiais.
Ainda hoje o nosso povo canta que a oliveira é benta, e ramo dela dá virtude! Exprime assim o benefício da ramaria, que dá o azeite, antecipado pela promessa e pelo prestígio de esperanças da azeitona, origem do Azeite. Desde esta promessa natural até à promessa espiritual , corre, como um arco-íris anunciador e cumpridor, o culto da árvore milagrosa e das poderosas forças celestes, que a protegem e garantem ao homem.
(...)
Diz adágio antigo que tudo "vem a seu tempo, e os nabos no Advento". Pois assim acontece com a azeitona, que chega e se apronta para o lagar em "seu tempo".
(...)
A colheita da Azeitona, já no período invernal, pode ter por símbolo próprio a "ciranda", "seranda", "siranda", e até "giranda". A "apanha da azeitona" tem paisagem sua, quer nas almas, quer na natureza, e nos costumes populares com a sua virtualidade folclórica.
O frio intenso do Inverno, a humidade gélida, o nevoeiro nos olivais, quantas vezes a neve teimosa, a ventania rude, no panorama nu da natureza temporã... O ambiente pelo caminho e no "campo da azeitona" obrigam mulheres e homens, os "varejadores" e as "apanhadeiras", a cobrirem-se de resguardos fortes, mais ou menos pitorescos. Ranchos cantam a "ciranda" e marcham.
..
-Ó ciranda, ó cirandinha,
Vamos nós a cirandar...
Lá no campo da azeitona
Anda a ciranda no ar!
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Anda a ciranda no ar,
Anda a ciranda no chão!
Ó ciranda, ó cirandinha.
Amor do meu coração!
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Amor do meu coração!
Não há palavra mais doce.
Quer tu me queiras, quer não,
Gosto de ti! Acabou-se. (...)»
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CHAVES, Luís -O Perfil Espiritual da Oliveira na Poesia Popular Portuguesa."Boletim", nº 78- ano XXIV,1969.15 p. Sep. da Junta Nacional do Azeite.
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Outra versão da Ciranda, cirandinha com música
(Nas páginas de Domingos Morais alojadas no Alfarrábio)
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21.12.04

A Senhora da Abadia anda no seu pinheiral

Docemente, pela mão da Senhora da Abadia, entramos também na quadra do Natal e vamos colher pinhas no pinheiral...
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«A senhora da Abadia
Anda no seu pinheiral
A apanhar as pinhas verdes
Para a noite de Natal.
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A Senhora da Abadia
Diz que m'há-de dar o dote.
Se m'o há-de dar na vida.
Dê-mo na hora da morte.
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A Senhora da Abadia
Tem uma fita no braço,
Que lhe deram os anjinhos
A vinte e cinco de Março.
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No concelho de Amares ergue-se o santuário de Nossa Senhora da Abadia, célebre entre os mais célebres de toda a província. Está situado em Bouro, no declive de uma ramificação da serra do Gerês. » (in Alberto Pimentel, As Alegres Canções do Norte. Lisboa : Livr. Viúva Tavares Cardoso, 1905, p.175)

11.12.04

Pinheiro - Cancioneiro popular

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Quem tem pinheiros tem pinhas
Quem tem pinhas tem pinhões
Quem tem amores tem zelos,
Quem tem zelos tem paixões.
...
Outrora para te ver,
saltava sete pinhais,
Agora p'ra te não ver
Inda me vês saltar mais.
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in Cancioneiro de Entre Douro e Mondego,
de Arlindo de Sousa (Livraria Bertrand, 1944)

..

30.11.04

Cancioneiro popular - tronco

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Faia- Serralves
Na casca de um tronco seco
O teu nome escrevi eu;
O meu amor é tão forte
Que o tronco reverdeceu.
...
(Tenho-me perguntado várias vezes: será que não há faias em Elsinore?)

8.11.04

Castanhas - Cancioneiro popular

Castinheiro, dá castanhas,
Castinheiro, dá só uma,
Para dar ao meu amor,
Qu'inda não comeu nenhuma.
(Baião, Guarda) II-188

Minha vida são castanhas,
meu desenfado boletas;
Hei-de arranjar um rapaz
Da terra das castanhetas.
(Envendos, c. de Mação) II-319

VASCONCELOS, José Leite de - Cancioneiro Popular Português. Coord. e intr. de Mª Arminda Zaluar Nunes. Coimbra : Univ., 1975

1.11.04

Cipreste -Cancioneiro popular

Ó arcipreste do adro
Retiro dos passarinhos
A quem deste os abraços
Dá-lhe também os beijinhos.

Cancioneiro Popular de Vila-Real, Augusto C. Pires de Lima (1928)

24.9.04

Cancioneiro popular - pêra

«Estes rapazes de agora
Estes que de agora são,
São como a pêra madura
Dá-lhe o vento, cai no chão.»

18.9.04

Crónica das águas novas



«Os ouriços estão mesmo, mesmo a abrir, amarelinhos e cerdosos como os seus irmãos cacheiros. Até à castanha a chuva ainda veio fazer bem!
Ouço cantar:

No alto daquela serra (oh meu bem!)
Tem meu pai um castanheiro,
Que dá castanhas em Maio (oh meu bem!)
Cravos roxos em Janeiro!


A poesia é isso: fazer com que os castanheiros dêem castanhas agora e cravos mais logo, sem transtorno do Mundo nem míngua do assador. E que chova! Chova do céu a água precisa, entre na terra a que baste, e empoce a restante até à evaporação. Com poças estreladas se fazem nuvens novas. Com nuvens novas se enchem as poças velhas, e assim por diante. Eterno retorno.»

Vitorino Nemésio, Viagens ao pé da porta (1949)

16.9.04

Pilriteiro dá pilritos

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Foto: mdlramos 0309
Pilriteiro (Crataegus monogyna) no Parque da Cidade-Porto

«Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.»
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8.9.04

Cancioneiro popular - laranja #2

«Toma lá esta laranja,
Chupa-le o sumo que é tua,
Da casca faz um barquinho,
Embarca p'rá minha rua.»

Cp-laranja #1

31.8.04

Cancioneiro popular - oliveira

«Não cortes a oliveira
Nem l'assentes o podão;
À sombra da oliveira
Descansa o meu coração.»

23.8.04

Cancioneiro popular -laranja #1

«Fui ao mar às laranjas
Coisa que lá não havia
Vim do mar toda molhada
Das ondas qu'o mar fazia.»

10.8.04

Cancioneiro popular -raízes

«Soidades são raízes
Atiram grande lonjura;
Se é verdade o que me dizes,
Meu coração se aventura.»

30.7.04

Cancioneiro popular

«Meu coração é um tanque
Cheio de água, mete medo:
Abre-te meu coração
Vai regar o arvoredo.»

28.7.04

Loureiro - Cancioneiro Popular

«Loureiro, verde loureiro,
Quem te dispôs no caminho?
Todos que passam e te vêem
Todos tiram seu raminho.»

«Eu subi ao loureiro,
Ao mais alto ramalhete;
Se cair, apegarei-me
Ao cordão do meu colete.»

«Já o loureiro tem baga,
Já se pode armar aos tordos;
Diga-me, ó minha menina,
Como vai de amores novos?»

21.7.04

Salgueiro - Cancioneiro Popular

«O salgueiro pega de estaca
O amieiro de raiz
Não te gabes que me deixaste;
Fui eu que te não quis.»

12.7.04

Figueira - Cancioneiro Popular

Da figueira nasce o figo,
Do figo nasce a ciência;
No bom pano cai a nódoa,
Caíu em mim: paciência.
(Faro)

Mais valia ser figueira,
Enxertada num valado,
Que rapariga solteira
Empregada num soldado.
(Mexilhoeira Grande)

Nunca vi figueira negra
Dar figos pela raiz.
Nunca vi rapaz solteiro
Cumprir as falas que diz.
(Espiche)

Muito fumo, pouca chama
Faz a raiz da figueira:
Vens cantar com presunção,
Daqui não levas bandeira!
(Castro Verde)

in VASCONCELOS, José Leite de - Cancioneiro Popular Português.Coimbra : Universidade (Acta Universitatis Conimbrigensis, 1975.