Donzelas
Sob o calor intenso do início da tarde, éramos muitos pares de olhos atentos, animados pelo prazer de registar lembranças de um lugar novo. Os calcários de Castro Vicente haviam prometido revelar um elo inédito entre um pedaço do nordeste do país e a serra de Sicó, e não se fizeram rogados. Entre as inúmeras espécies de orquídeas e outras preciosidades, lá estava florida esta planta parasita natural da região mediterrânica que há muito procurávamos, parente rara desta outra de flores amarelas e igualmente comestível e doce.




Sem produzir clorofila, toda a planta habita dentro das raízes do hospedeiro, perto do caule, e só é visível durante o curto período de floração, que decorre nos primeiros meses da Primavera. Na inflorescência, as flores masculinas estão no centro, as femininas no bordo protegidas por um corpete de brácteas carmim. São polinizadas por formigas e os frutos são bagas brancas com várias sementes. Estas têm um início de vida atribulado. Com escassas reservas de nutrientes, precisam de localizar rapidamente um espécime de Cistus albidus que as alimente. As observações dos botânicos parecem indicar que a roselha emite sinais químicos que a semente reconhece e cuja origem localiza, desde que o processo decorra em poucos dias (antes que as reservas da semente se esgotem) e a poucos milímetros do futuro hospedeiro: a frágil semente lança então uns pequenos filamentos que se orientam em direcção ao Cistus, conectando-se ao tecido vascular da planta hospedeira.


