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8.2.08

Erva de caule oco


Phyllostachys bambusoides

Os pilares desta abóbada do Jardim Botânico de Coimbra têm cerca de 150 anos, revestindo um hectare com a espécie chinesa de bambu gigante, Phyllostachys bambusoides, da mesma família do trigo, centeio, aveia e demais cereais. Em média, os caules têm uns 20 m de altura e 9 cm de diâmetro, tendo crescido cerca de 30 cm por dia na primeira semana de vida. Dão agora corpo às palavras de Eugénio de Andrade: «O verde dos bambus mais altos é azul ou então é o céu que pousa nos seus ramos». Neste país da relva, do eucalipto e do desperdício de água, é embaraçoso verificarmos que já fomos mais sábios a construir, e apreciar, jardins.

Nunca vimos um destes exemplares em flor - a qual, como a da relva, é discreta e reduz-se a estames e anteras, com duas brácteas a resguardar o conjunto, o bastante para a polinização pelo vento. E, em certo sentido, ainda bem. É que, sendo plantas rizomatosas, reproduzem-se vegetativamente, formando florestas de clones que, por isso, exibem uma floração gregária, em simultâneo; e depois de florir, a planta morre. Dir-se-ia que, ultrapassada a fase primitiva em que as plantas não possuíam flores, e aquela posterior em que todas elas se enfeitavam com flores garridas, vieram os tempos modernos em que as plantas têm, como certa escola de arquitectos, vergonha de as mostrar.

Um bambuzal como este exige manutenção adequada, para assegurar a humidade certa a estas ervas altas e as defender dos textos que anónimos apaixonados, ou visitantes deslumbrados, inscrevem nos seus tubos. Apesar de ser de folha perene, em climas mais frios parte da folhagem cai para proteger os pés dos bambus, renascendo na Primavera em leques exuberantes. E há usos tradicionais para as várias partes dos bambus: os rebentos são comestíveis e importante fonte de fibra (embora sejam pouco nutritivos e por isso os pandas consomem grandes quantidades deles); os tubos são amplamente usados na construção civil e em instrumentos musicais de sopro; a cobertura macia das canas é transformada em pasta de papel; e são raros os jardins chineses sem um recanto ornamentado com um bambu, junto a um muro e rochas harmoniosamente dispostas, a sugerir uma pintura.

25.7.07

Eucaliptos gigantes


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Os eucaliptos gigantes de Portugal, Ernesto Goes, Lisboa, Portucel, 1979, pp. 103.

Ontem, num alfarrabista da cidade, encontrei este livro que apenas possuía em versão fotocopiada. O autor, engenheiro silvicultor de profissão, é considerado um pioneiro na campanha de preservação de árvores monumentais do nosso país, e os seus livros têm sido preciosos para a descoberta destes "monumentos vivos".
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Na fotografia do lado direito vê-se o Eucalyptus obliqua gigante (ver placa identificativa só para gigantes também) do Jardim Botânico de Coimbra fotografado no Verão de 2006. Esta árvore, segundo Goes, media 40 m. de altura em 1979 e em 1985, 43.

22.5.07

Boa notícia

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O lançamento do site que disponibiliza on line algumas das colecções do Herbário do Departamento de Botânica > da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra é uma óptima notícia assinalando da melhor maneira o Dia Mundial da Biodiversidade que hoje se comemora.

Fotografias Cycas revoluta > no Jardim (2006.05) e no Museu (2006.11)- clicar para aumentar
Apontadores:
  • Video de apresentação do Coimbra Herbarium
  • "Inauguração da versão virtual do maior Herbário Português, em Coimbra"- no Naturlink
  • "UC lança colecção virtual com mais de 30 mil plantas" in Ciência Hoje
  • «O Herbário de Coimbra (sigla internacional COI) tem uma colecção que ultrapassa os 700.000 exemplares, de longe a maior do país e a segunda da Península Ibérica. O sítio na Internet que amanhã se inaugura foi um projecto financiado pelo POSC (Programa Sociedade do Conhecimento-685/2.2/C/CEN), alojado na FCTUC e em colaboração com a Naturlink (http://www.naturlink.pt/). » in CienciaPT
  • «O herbário do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências da e Tecnologia da Universidade de Coimbra está agora disponível no endereço http://herbario-digital.bot.uc.pt/ A iniciativa pretende assinalar a passagem do Dia Mundial da Biodiversidade. (...) Segundo Fátima Sales, directora do herbário, este mega projecto visa "não só a disponibilização gratuita a nível mundial de informação contida nesta colecção biológica, mas ainda intervir com qualidade e em português, com a diferença que o estatuto de investigação universitária a ele associado lhe permite, na educação científica na área da botânica associada à diversidade".» no Primeiro de Janeiro

14.2.07

Corações leves

...
Poupar o coração
é permitir à morte
coroar-se de alegria.

Eugénio de Andrade, Escrita da Terra (in Ostinato Rigore, 1964)



Koelreuteria paniculata - Jardim Botânico de Coimbra

Os corações da foto, que parecem feitos de papel, vão enrubescendo e ganhando brilho até se abrirem em três abas, cada uma com sua semente redondinha e escura. As flores desta sapindaceae, masculinas e femininas juntas, são amarelas com um centro vermelho e formam panículas piramidais muito vistosas. Chegam no Verão, tempo propício às paixões. Como estas, a folhagem nova, primaveril, é cor-de-rosa, passando depois por um verde lustroso e amarelecendo no Outono - a designação em inglês para esta espécie é apropriadamente golden rain tree. O nome deste género originário da China é dedicado a Joseph Gottlieb Koelreuter (1733-1806), naturalista alemão que fez numerosos testes com híbridos da planta do tabaco, atento aos mecanismos de fertilização e polinização, para confirmar experimentalmente a sua teoria sobre a sexualidade das plantas.

8.2.07

Abelhudos

Foi com o coração palpitante que seguimos o exemplo das numerosas abelhas, atraídas como nós pela floração perfumada desta Dombeya. É que o acesso ao terraço onde ela vegeta é proibido, mas não conhecemos outro exemplar à mão de fotografar.


Dombeya wallichii ...ou... D. x cayeuxii

O género Dombeya inclui cerca de 250 espécies, sobretudo africanas. Mas não sabemos como classificar esta malvaceae uma vez que as espécies D. wallichii (de Madagascar) e D. x cayeuxii (de Lisboa) são muito semelhantes, tendo esta última brácteas menores e estames com penugem. Ambas sobrevivem a longos períodos de estiagem e podem atingir uns 7 metros de altura. As folhas são grandes e aveludadas, cordiformes, com as margens levemente dentadas e hábito pendente. As inflorescências são globosas, de longo pedúnculo, com flores cor-de-rosa de cinco pétalas.



Dombeya celebra o trabalho do naturalista francês Joseph Dombey (1742-1795), que nos anos setenta do século XVIII visitou a América do Sul com a intenção de colher plantas adaptáveis ao clima francês e aí acumulou informação valiosa sobre a flora peruana e chilena. Mas coleccionou também muitos dissabores, com ladrões e alfândegas, na expedição para a Europa das amostras por si recolhidas.

O epíteto wallichii homenageia o dinamarquês Nathaniel Wallich (1786-1854), que foi director do Jardim Botânico de Calcutá, onde coligiu um catálogo de mais de 20000 espécimens, e autor de Tentamen Flora Nepalensis Illustratae e Plantae Asiaticae Rariories; durante vários anos, foi ainda o responsável - muito bem sucedido - por empacotar e enviar sementes viáveis para Inglaterra.

Cayeuxii refere-se a Henri Cayeux, horticultor francês que foi jardineiro-chefe do Jardim Botânico de Lisboa de 1892 a 1909 em substituição de Jules Daveau, que o recomendou. São de sua lavra vários híbridos de grande valor ornamental, incluindo a Dombeya x cayeuxii que se crê ser cruzamento entre D. wallichii e D. burgessiae. Oficialmente a floração da D. wallichii começa no Inverno (daí o seu nome vulgar Christmas roses), a da D. burgessiae na Primavera e a do híbrido D. x cayeuxii na época intermédia, o Outono.

Ironicamente o híbrido mais famoso é a Dombeya burgessiae 'Rosemound', que nunca foi distribuída e desapareceu com o furacão Andrew em 1992.

23.1.07

Orquídeas de Inverno

No sábado rumámos a Coimbra para visitar (se possível) a exposição Transnatural no Museu Botânico da Universidade de Coimbra. Tocámos repetidamente à campaínha do Museu; encostámos depois a orelha à porta para verificar se sentíamos passos no interior; de seguida interrogámos o vigilante do Jardim Botânico sobre o horário da exposição. Nada resultou. Pelos vistos, e apesar de a inauguração ter sido num sábado, ela só se pode visitar de 2.ª a 6.ª às horas normais de abertura do Museu.



Aproveitando o dia soalheiro, entrámos no Jardim Botânico, que tinha duas magníficas surpresas à nossa espera: um dos terraços usualmente vedados ao público estava de portão aberto; e dentro dele dois belíssimos exemplares do género Bauhinia, o das folhas com formato de pata de camelo, estavam em flor.

A flor com três estames é da espécie B. purpurea (embora a etiqueta indique tratar-se de uma B. acuminata, que dá flores brancas); a de cinco estames, e pétalas que se sobrepõem, é da espécie B. variegata. Para compor o cenário de Oh!s e Ah!s só faltou um colibri, que tanto aprecia estas flores; mas veio olhar-nos um esquilinho castanho, magrito mas sem medo, admirado com a nossa alegria.

6.1.07

Agenda: "Transnatural"- até 4 de Fevereiro

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«Reunindo obras de 25 autores das áreas da literatura, ensaística, artes plásticas, vídeo e fotografia, que têm como tema ou fonte de inspiração este es paço verde emblemático de Coimbra, "Transnatural" é também o título do projecto pluridisciplinar iniciado em 2004, no Jardim Botânico. Numa edição bilingue da Artez , o livro reúne, entre outras obras, ensaios nos domínios da história, arquitectura, filosofia e ciência. Inclui ainda textos literários e poemas de, entre outros, Hans Christian Andersen ("Uma Visita a Portugal"), Almeida Garrett("Madrugada no Jardim Botânico de Coimbra") ou Luís Quintais ("Tílias"), inspirados neste espaço. (...)»
> Livro e exposição "Transnatural" homenageiam Jardim Botânico de Coimbra (rtp.pt)


Jardim Botânico de Coimbra- Av. das Tílias em Novembro 2006 (e em 2005)

«A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC) inaugura hoje a exposição Transnatural, no Museu Botânico da UC. Será também lançado um livro que, à semelhança da mostra, reúne trabalhos em diversas áreas, da poesia ao ensaio, passando pela fotografia, pelas artes plásticas e pelo vídeo. Trata-se de um projecto pluridisciplinar sobre o Jardim Botânico que apresenta trabalhos de autor, inéditos, e obras de colecções particulares e de instituições ligadas à universidade. Todos os trabalhos são sobre o Jardim Botânico, enquanto espaço cultural, científico e que inspirou também artistas ao longo dos tempos. (...)
A "riqueza histórica e científica" do Jardim Botânico pode ser agora apreciada nesta exposição que reúne obras de 25 autores e que a partir de hoje estará patente no Museu Botânico da UC todos os dias até 4 de Fevereiro.»
> Botânico de Coimbra em exposição e em livro (Público)
Museu Botânico da Universidade de Coimbra

3.11.06

Outono na reserva urbana


Porto

1) O campo começa onde a cidade acaba? Entre duas portagens de auto-estrada, é o campo que se desenrola para nos castigar a vista? Sou então tentado a concluir que o Outono português é fenómeno puramente urbano, e a dar-me por muito feliz com as folhas secas que, cumprindo o calendário, rodopiam nos passeios da minha cidade. É que nesse campo postiço de eucaliptos, acácias e pinheiros, com umas oliveiras lançadas aqui e ali para disfarçar, nenhuma árvore reconhece a autoridade cromática do Outono: o verde imutável alterna com o cinza do arvoredo queimado.


Coimbra

2) Enquanto não se vulgariza o tele-transporte, o viajante em Portugal não se livra de ver a paisagem; mas, quando o destino é especial, o suplício de testemunhar o nosso escalavrado país logo se esquece no termo da viagem. O Jardim Botânico de Coimbra, explicado pelo Professor Jorge Paiva numa luminosa tarde de Outono, é o melhor lugar do mundo, onde as plantas e as histórias que elas evocam nos falam dos quatro cantos da Terra.

2.11.06

A florir

numa das estufas do Jardim Botânico de Coimbra: "A Rainha-dos-nenúfares" (Victoria amazonica) ontem, antes da primeira noite.


«Existe uma história lindíssima entre os índios da Amazónia que explica o aparecimento da Victoria amazonica. Conta a lenda que uma índia chamada Naiá apaixonou-se por Jaci, a lua.(...) » Ana, in A Paixão dos sentidos> cont.a ler "A estrela dos lagos"

Ver: GalleriesVictoria amazonica

1.11.06

Árvores monumentais

do Jardim Botânico de Coimbra mencionadas por Ernesto Goes (1984)

Vista panorâmica: ao centro, por detrás das palmeiras, a copa da Ficus macrophylla (árvore da borracha)
e ao lado direito, o cimo do Cedrus deodara (cedro-do-Himalaia).

Araucaria bidwillii (sem referência de medidas),
Ficus macrophylla, "o maior exemplar existente no País com 11, 5 m de PAP e 32 m de diâmetro de copa;
Cedrus deodara, "com 3, 40 m de PAP e 30 m de altura";
Eucalyptus cornuta, "o maior exemplar existente no País (...) tendo 4, 20 m de PAP e 37 m de altura";
Eucalyptus obliqua "com 5,53 m de perímetro do tronco e 43 m de altura";
Eucalyptus viminalis com "4,8 m de perímetro";
Grevillea robusta, "o mais velho e grosso exemplar que se conhece (...) com 4,2 m de PAP (...) 29 m de altura";
Washingtonia filifera;
Avenida das Tílias.
TPC para a visita de hoje ...

26.10.06

Venha visitar a minha casa



Por amável convite do Prof. Mario Tomé, do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, visitaremos a mata do Jardim Botânico de Coimbra na tarde do dia 1 de Novembro (quarta-feira, feriado). O Prof. Jorge Paiva prontificou-se a acompanhar-nos, o que muito nos honra. O convite é extensível aos leitores deste blogue que se inscrevam pelo endereço dias-com-arvores(at)sapo.pt até terça-feira (31 de Outubro), mas a participação é limitada a 30 pessoas - por isso não perca tempo.

Esta é uma oportunidade muito especial, não só por sermos guiados pelo Prof. Jorge Paiva, mas também porque habitualmente a casa do esquilo está fechada ao público.

23.9.06

Palmeira azul de crina dourada


Brahea armata

Esta pequena palmeira de crina dourada adorna o único local do Buçaco que a maioria dos excursionistas de fim-de-semana costuma visitar: o jardim do Palace Hotel. A Brahea armata é uma espécie mexicana das zonas costeiras que pode atingir até 12 metros de altura e costuma florir no Verão. Palmeira-azul é a designação vernácula que para ela é proposta no livro Portugal Botânico de A a Z; nos EUA é conhecida como blue hesper-palm. As fotos foram tiradas há já duas semanas, mas é possível que o amarelo da floração não tenha ainda desbotado. No Jardim Botânico de Coimbra existem, vizinhas uma da outra, duas palmeiras-azuis em diferentes fases de crescimento; mas só quem vier munido de binóculos poderá observá-las com algum detalhe.

28.8.06

Açoita-cavalo


Jardim Botânico de Coimbra: Luehea divaricata

A família Malvaceae, que inclui os hibiscos e os abutilons, foi recentemente aumentada pela inclusão das antigas famílias Tiliaceae (a que pertencem as tílias), Bombacaceae (abrangendo as paineiras e os famosos embondeiros) e Sterculiaceae (de que conhecemos os braquiquitos). Que todas essas famílias botânicas sejam fundidas numa só é consequência de avanços científicos (incluindo estudos genéticos) que permitem reconhecer afinidades profundas em plantas aparentemente muito diversas. Mas mesmo um leigo pode por vezes detectar certas semelhanças à vista desarmada. Por exemplo, quando primeiramente vimos a flor (pequena, de uns 3 ou 4 cm de diâmetro) da árvore na foto, a sua parecença com a do hibisco sugeriu-nos tratar-se de uma malvácea. E de facto assim é - mas apenas agora, pois antes a árvore em causa (Luehea divaricata) incluía-se nas tiliáceas. Mesmo que acidentalmente, essa árvore acaba por funcionar para nós como elo de transição entre as duas famílias agora reunidas; mas, para apaziguar a nossa teimosa ignorância, ainda aguardamos um exemplo intermédio que nos convença do parentesco entre a tília e o embondeiro.

Segundo o livro Árvores Brasileiras - vol. 1 de Harri Lorenzi (Instituto Plantarum, 3.ª ed., 2000), a Luehea divaricata é uma árvore caducifólia que pode atingir os 25 metros de altura, espontânea no Brasil desde a Bahia até ao Rio Grande do Sul, de distribuição irregular mas mais frequente nas margens dos rios. Um dos seus nomes brasileiros, açoita-cavalo, é cruel mas literal, pois os seus galhos muito flexíveis são usados como chicotes. O exemplar da foto, o único que conhecemos em Portugal, está agora em flor; encontra-se no Jardim Botânico de Coimbra, em local vedado ao público (numa das escolas sistemáticas entre o quadrado central e a estátua de Brotero), e sem uma placa que o identifique. A obtenção das fotos foi saga digna dos bandeirantes que - e seja-nos permitido fantasiar um pouco -, de entre os colonizadores do novo mundo, primeiro terão postos os olhos numa destas árvores; mas, ao contrário do que sucedeu à epopeia seiscentista, desta aventura em Coimbra não ficará, por modéstia nossa, relato para a História.

26.8.06

Jardim Botânico de Coimbra




O Jardim Botânico de Coimbra foi criado em 1772 como parte do Museu de História Natural da Universidade, instituído pelo Marquês de Pombal. Excelentemente planeado mas actualmente mal mantido, o Jardim ocupa hoje cerca de 13,5 hectares do centro da cidade, a maioria dos quais ostenta o aviso "Vedado ao público".

O que começou por ser um projecto modesto, inspirado no Chelsea Physic Garden, transformou-se desde 1774 numa colecção notável de plantas, nomeadamente de eucaliptos, cuidada inicialmente pelo botânico-jardineiro João Rodrigues Vilar e bastante depauperada pelo desmazelo a que foi sendo votada desde meados do século XX.

A primeira parte do Jardim a ser construída foi o "Quadrado central", que liga à Alameda das Tílias. Ainda hoje lá vegetam árvores do século XVIII, como uma Cunninghamia sinensis, uma Cryptomeria japonica e uma Erythrina crista-galli. A componente do Jardim a que o público tem acesso livre inclui, além deste quadrado (com magníficas espécies de magnólias) e da alameda, alguns terraços ajardinados. O Jardim contém ainda o "Terraço tropical" com palmeiras cabeludas, fetos arbóreos, cicadáceas, bananeiras e estrelícias; outros terrenos, ditos de "Escola", com árvores e arbustos que daria muito gosto observar de perto; e a "Mata", com preciosidades de difícil acesso: todos estes espaços são absolutamente interditos aos visitantes que não formem grupos de 20 ou mais pessoas que, com a antecedência de pelo menos duas semanas, solicitem e consigam uma visita vigiada (cuja data exacta é comunicada aos candidatos pela direcção do Jardim). Para consolo restam aos interessados duas das quatro estufas existentes no Jardim (entrada por 2 euros, fechadas ao fim-de-semana), com a sua dose de má manutenção que lhes vai destruindo a variedade de plantas (como ilustra o desaire este ano com a Victoria amazonica) e onde também se sente a falta de placas de identificação - que no exterior é escandalosa por este dever ser um espaço prioritariamente educativo.

As fotos que aqui ficam servem para que mais pessoas desejem visitar este Jardim e que a sua insistência, aparentemente mal-vinda aos donos deste lugar, leve os responsáveis a repensar a gestão desde património. Mostram flores de Pachystachys lutea, um arbusto peruano semi-herbáceo da família Acanthaceae conhecido como camarão-amarelo; de Hoya carnosa, trepadeira pouco ramificada da Austrália e China, classificada na família Apocynaceae, cujas flores perfumadas branco-róseas parecem feitas de cera; de Anthurium scherzerianum, da família Araceae, o rabinho-de-porco da América Central cuja flor tem uma espata de cor vermelha muito ornamental; e finalmente de Asclepias curassavica, também Apocynaceae, herbácea da América Tropical de flores amarelo-escarlate.

13.5.06

Magnólia-azul


Magnolia acuminata - Jardim Botânico de Coimbra

Já aqui celebrámos efusivamente, com a ajuda do Eduardo, a colecção de magnólias do Jardim Botânico de Coimbra. Não pensávamos voltar ao assunto ainda na temporada de 2006, mas há uma magnólia, desfasada das restantes na floração, de que agora se impõe dar notícia: é a Magnolia acuminata que mora no canto nordeste do quadrado central. Árvore que pode chegar aos 25 metros de altura, é originária da costa leste da América do Norte, onde corre risco de extinção. Caducifólia como as suas congéneres asiáticas, distingue-se destas por florir só depois da rebentação das folhas. Os botões começam por ser azulados (daí talvez o nome da árvore em português), mas as flores têm pétalas verdes, o que as torna pouco vistosas; observadas de perto, porém, deixam ver um tufo de estames semelhantes a fios de ovos. Foi castigada com o nome comum cucumber magnolia - ou magnólia pepineira em tradução livre - por alguém a quem os seus frutos imaturos lembraram pepinos. As suas flores tão invulgares suscitaram o interesse de viveiristas, existindo híbridos como a Magnolia "Elizabeth", de flores amarelas, obtidos por cruzamento da M. acuminata com a chinesa M. denudata, de flores brancas.

29.3.06

De Coimbra vêm flores (2.ª parte)




É outra vez ao Eduardo que devemos estas notáveis fotos tiradas no Jardim Botânico de Coimbra. A magnólia agora em destaque é mesmo um caso especial, e vale uma ida urgente a Coimbra para admirar as suas maravilhosas flores: trata-se de uma Magnolia liliflora var. nigra, arbusto originário da China que, tendo o hábito de brotar rebentos das raízes, acaba por formar autênticas touceiras. A variedade nigra distingue-se da forma típica da espécie por as suas flores serem púrpura por fora e por dentro (na outra as flores têm essa mesma cor por fora mas são brancas por dentro). Mas qualquer das versões é uma raridade nos nossos jardins.

24.3.06

Aditamento specioso



Magnolia x soulangiana var. speciosa no Jardim Botânico de Coimbra (Quadrado Central). Fotos de Eduardo.
(PS. A folhagem e as bagas vermelhas talvez não sejam da mesma árvore, mas de uma outra magnólia no mesmo local.)

23.12.05

Araucaria cunninghamii


Foto: pva 0511 - Araucaria cunninghamii no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

Visto de Coimbra, e em particular do seu jardim botânico, o resto do mundo (e até o resto do país) deve parecer um local peculiar. Pois não é que, tirando o de Coimbra, todos os jardins botânicos do planeta franqueiam, gratuitamente ou não, os seus portões aos visitantes, levando a irresponsabilidade ao ponto de os deixarem sozinhos a deambular entre árvores, arbustos e flores? Estar em minoria, mesmo numa minoria de um contra todos, não significa estar destituído de razão; e o Tempo, esse grande desestabilizador, pode vir a inverter a relação de forças. Talvez no futuro todos os jardins, parques urbanos e reservas naturais sejam cercados por gradeamentos e de acesso proibido a estranhos - sejam, na verdade, condomínios fechados, como é há muito (avant la lettre) o Jardim Botânico de Coimbra.

Enquanto assim não for, vamos passeando por esse Portugal exterior a Coimbra onde os jardins botânicos estão abertos ao público. E um dos mais simpáticos, com entrada por apenas 1,5 euros (e, autêntica pechincha, passe anual a 7,5 euros), é justamente o da Universidade de Lisboa, à Rua da Escola Politécnica. À entrada, entre os veneráveis edifícios do Museu de História Natural, um duplo alinhamento de Washingtonia robusta prenuncia a colecção das palmeiras, uma das mais valiosas do jardim. Mas deixemo-la para mais tarde, e vamos falar da árvore da foto, o mais bonito exemplar que alguma vez vimos de Araucaria cunninghamii. A folhagem desta árvore, concentrada em tufos na ponta dos ramos, é semelhante à da Araucaria heterophylla, muito comum no nosso país; mas, em contraste com esta, de arranjo esmeradamente regular, a Araucaria cunninghamii exibe acentuada assimetria, com os ramos terminais a erguerem-se em profusa desordem. Tem a beleza descuidada que quem dispensa artifícios de enfeite.

A Araucaria cunninghamii - que, no estado natural, pode atingir os 60 metros de altura - é, como a Araucaria bidwillii, originária da costa leste australiana. (A Araucaria heterophylla, por seu turno, não é propriamente australiana, mas sim endémica da ilha de Norfolk.)

5.11.05

O jardim proibido


Foto: pva 0511 - Jardim Botânico de Coimbra: alameda de tílias com Araucaria bidwillii ao fundo

Em Agosto de 2002 escrevi ao Público a carta de que transcrevo em seguida o início:

«De há uns anos para cá, sempre que vou a Coimbra costumo visitar o seu jardim botânico. Não sei por que ainda o faço: na verdade nunca o vi, porque não me deixaram. Ao contrário do que pode parecer, o jardim botânico está (e, tanto quanto me lembro, sempre esteve) fechado ao público. Há um horário de abertura, até generoso, fixado à entrada, e os portões costumam estar abertos; mas a parte acessível do jardim não deve ultrapassar um sexto da área total. Além do quadrado central e da alameda que percorre a zona nascente do jardim, tudo o resto nos está vedado, incluindo os canteiros que ladeiam a alameda e a mata que ocupa a maior extensão do jardim (e que, presumivelmente, alberga o que de mais interessante nele se poderia visitar). Não lhe bastando ser exígua, a parte aberta ao público ainda peca por falta de informação: são poucos os espécimes identificados, e algumas das raras placas identificativas estão gastas a ponto de serem ilegíveis.»

A carta motivou uma resposta zangada do então director do jardim, confirmando no essencial as minhas observações mas atribuindo culpas à falta de pessoal e ao magro orçamento, e concluindo que «certamente não será preciso acrescentar mais nada para que qualquer visitante sensato compreenda e aceite o presente condicionamento». O problema, claro está, é que o visitante ocasional depara com um jardim onde quase tudo lhe está vedado - e, a menos que tenha dons divinatórios, não pode aceitar como boas as razões que ninguém lhe explicou. E o outro visitante, o que conhece a história do jardim e sabe que o presente condicionamento dura há décadas, não será assim tão magnânimo para compreender e aceitar.

Mais de três anos passados sobre a carta, que mudou no Botânico de Coimbra? Muito pouco, apesar de haver nova directora. A maioria das plantas ainda não está etiquetada. O visitante desprevenido ainda esbarra, estupefacto, com os portões trancados; e, se vier ao fim-de-semana, nem às estufas tem acesso. (Haverá razões ponderosas, mesmo que dúbias, para fechar a mata, mas nunca entendi por que hão-de estar inacessíveis todos os canteiros da parte nascente, incluindo o recanto tropical.) Houve promessas de, em colaboração com a Câmara Municipal, franquear ao público o acesso à mata, mas o tempo vai passando e nada acontece.

Tudo isto é uma tristeza. O Jardim Botânico de Coimbra é um tesouro de que muito poucos usufruem - um lugar onde, em vez de serem exibidas aos visitantes, as colecções de plantas se fecham avaramente como em cofre-forte.

É justo referir que há ao longo do ano visitas guiadas à mata - mas, realizando-se só aos dias úteis, exigindo marcação prévia por ofício e um mínimo de 25 participantes, destinam-se exlusivamente às escolas. Para outros públicos, decorrem este ano, em Outubro e Novembro, os passeios de Outono na mata do Botânico. Se morar em Coimbra, puder tirar um dia de folga no emprego, e conseguir juntar um grupo de 10 amigos nas mesmas circunstâncias, não deixe fugir a oportunidade!

25.11.04

Estátua de Brotero - Jardim Botânico de Coimbra


Foto: mdlr 0005 - Brotero entre Ginkgos
Se estivesse na capital de certeza que arranjava maneira de ir ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa que, como já aqui noticiámos, comemora os duzentos anos da publicação da Flora Lusitanica, hoje, dia do nascimento de Felix de Avelar Brotero (1744-1828).

Assim limito-me a publicar a fotografia da estátua deste ilustre botânico. Da autoria de Soares dos Reis (1867) , magnificamente enquadrada por dois exemplares de Ginkgo biloba, tornou-se por assim dizer o "ex-libris" do Jardim de que Avelar Brotero assumiu a direcção botânica a partir de 1791 (Ler "História e vocação do Jardim Botânico de Coimbra" aqui) .