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5.10.07

Phygelius capensis



Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram


Jorge de Sousa Braga, Balas de Pólen (2001)

23.5.07

Manta de neve


Sutera cordata, Parque de Serralves

Depois da intervenção no Parque de Serralves, receámos que a hera invadisse todo o solo não relvado, troncos e muros, como é usual em espaços onde o seu crescimento e distribuição não são controlados. É que esta trepadeira resistente e voraz teve, neste plano de arborização, um incentivo inusitado para planta tão invasora: foram plantados milhares de pés dela, devidamente protegidos das pisadelas do público até que firmassem raízes. Mas afinal nem toda «a Gália foi ocupada pelos romanos...». Recantos ensolarados entre árvores e arbustos são agora sala para a visita de uma plantinha anual, rasteira, de flores brancas tubulares minúsculas, com um centro amarelo atraente.

Sendo sul-africana, a Sutera cordata precisa de sol e torrões bem drenados para florir abundantemente de Abril a Novembro. O nome do género homenageia o botânico suiço Johann Rudolf Suter (1766-1827, autor de Flora Helvetica (1802). Uma outra espécie, a Sutera aquatica, é usada como bálsamo para queimaduras e frieiras.

14.3.07

Aromas de África



Freylinia lanceolata

À entrada do jardim de Serralves, na primeira curva à direita, vegeta um arbusto de hábito pendente com enormes ramos arqueados e que exibe, durante quase todo o ano, lindos cachos terminais de flores com forte aroma a mel. As folhas opostas e o formato tubular das flores, com cinco pétalas unidas e quatro estames presos às pétalas, sendo dois mais longos, colocam-no facilmente na família Scrophulariaceae, que é predominantemente de herbáceas, mas não dispúnhamos de nenhum guia de flora europeia, ou do hemisfério norte, que o descrevesse. O livro Field guide to trees of Southern Africa, de Braam van Wyk e Piet van Wik, resolveu finalmente o mistério: trata-se de uma planta do Cabo, Freylinia lanceolata, que aprecia o frio, solos húmidos e margens de ribeiros, mas é resistente ao calor se a chuva não faltar. As folhas são longas e estreitas (lanceoladas), de cor verde-baço, com o veio central saliente na face inferior. A floração ocorre a partir dos dois anos de idade e a propagação por sementes é considerada fácil pelos horticultores.

Escusado dizer que não somos os únicos a reparar neste arbusto tão ornamental. Por ser melífero, atrai uma multidão de insectos, que por sua vez são alimento para muitos pássaros. E no século XIX, cerca de 1817, o conde italiano Freylino plantou-a nos seus jardins de Buttigliera, atraindo a admiração dos visitantes e garantindo a difusão desta planta pela Europa.