Conselho
A doctor can bury his mistakes but and architect can only advise his client to plant vines.
- Frank Lloyd Wright
Glicínias com rododendro em fundo

Camellia reticulata - Serralves - Março de 2006
Um dos inconvenientes do regionalismo japoneira para designar a camélia é o de sugerir que todas as variedades ornamentais deste arbusto pertencem à espécie Camellia japonica. Pois é precisamente por esta altura do ano que uma vistosa camélia de outra espécie, a Camellia reticulata, inicia a sua floração, e seria injusto confundi-la com a sua congénere. Embora as flores da C. reticulata sejam peculiares, de grandes pétalas onduladas vermelhas ou róseas deixando entrever o núcleo de estames amarelos, a forma mais segura de a distinguir da C. japonica é pelas folhas: coriáceas, pontiagudas, de cor baça, contrastando com as folhas luzidias, comparativamente maleáveis da japoneira.
Menos resistente ao frio do que a C. japonica, a C. reticulata é muito apreciada pelas suas grandes flores, as maiores e, para alguns, as mais belas de todas as camélias. A sua introdução na Europa ocorreu em 1820, constando já em 1865 do primeiro catálogo do horticultor portuense Marques Loureiro. O epíteto reticulata refere-se à fina rede de veias que marca a superfície das folhas.
Camellia reticulata - rua de Vilar (Porto) - Março de 2005
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Paulo Araújo
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13.3.06
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Parque de Serralves / Serralves Park
Exposição / Exhibition: A nudez forte / Fierce nudity
Comissário / Curator: F.Rio d'Hiver
Horário de abertura / Opening hours: terça a domingo / tuesday to sunday - 10h00-19h00
Até / Until: sabe Deus quando / God knows when
Assumindo a ruptura com o conceito tradicional de árvore, questionando o estereótipo das copas pejadas de folhas, esta exposição propõe um lúdico e inovador exercício de transparência como contraste à opacidade primaveril.
By rejecting the tradicional concept of tree and thus questioning the stereotype of leaf-ridden crowns, this inovative exhibition sets up a playful exercise in transparency as opposed to spring-like opaqueness.
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Paulo Araújo
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25.1.06
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Foto: pva 0510- Tecomaria capensis, Serralves
A Tecomaria capensis, uma bignoniácea do Cabo da Boa Esperança, é uma trepadeira que pode atingir 8 metros de altura, de folha perene composta e flores tubulares amarelas, cor-de-laranja ou escarlate. É muito resistente ao vento marítimo salgado, forma cortinas ondulantes em muros e escarpas e cria raízes quando toca o solo.
Esta planta avistou o primeiro português numa nau numa noite da Primavera de 1498. Vizinha de mares nunca de antes navegados, terá esculpido na costa colossos
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
Se a passagem do Cabo das Tormentas tivesse ocorrido de dia, em ondas calmas e sob um sol amigo, o Adamastor, que toda a Africana costa acaba e a quem tanta ousadia ofendeu, poderia ter-se revelado uma rocha alcantilada revestida com Tecomaria em flor. Mas, nesse caso, perder-se-ia a odisseia daqueles em quem poder não teve a Morte.
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Maria Carvalho
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5.1.06
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Etiquetas: Bignoniaceae , Porto , Serralves
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ManuelaDLRamos
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29.12.05
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Etiquetas: Liquidambar , Porto , Serralves
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Liquidâmbares em Serralves: their time has come, again!
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ManuelaDLRamos
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9.11.05
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Etiquetas: Liquidambar , Porto , Serralves
(Para os folhinhas ;-)
Castanheiro (Castanea sativa) Parque de Serralves -03
A folhas tantas: a certa altura.
Ao cair da folha: no Outono.
De folha a folha: de ano a ano.
Dobrar folha: cessar a leitura; cessar de conversar, interromper o fio ao assunto, passando a outro diverso.
Estar novinho em folha: diz-se de algo que está a estrear
Folha de caça: pista ou rasto de caça.
Tremer como a folha: ter um grande medo; o m.q. tremer como varas verdes.
Virar folha, a fortuna a alguém: mudar
Muitas destas expressões caíram em desuso. Algumas foram até transcritas de um dicionário antigo. Gostaríamos de saber: qual a que conhecia e eventualmente ainda usa ou ouve utilizar? Conhece alguma outra expressão idiomática com "folha" ?
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ManuelaDLRamos
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7.11.05
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Pinheiros mansos (Pinus pinea) centenários em Serralves fotografados ontem
Que eu tenha conhecimento, este epíteto de manso apenas aparece na nossa língua. São mansos estes pinheiros por oposição ao chamados pinheiros bravos ou marítimos (Pinus pinaster). .
Em francês o P. pinea é conhecido por "pin parasol","pin pinier" e "pin pignon"; em língua inglesa por "umbrella pine"ou "stone pine"; e em italiano e espanhol por "pino da pinoli" e "pino pinonero" respectivamente, devido à forma da sua copa por um lado e às suas sementes duras, os pinhões, com uma amêndoa branca comestível. Às sementes dos pinheiros bravos, não comestíveis, chamam-se peniscos.
(Ver outra fografia destes pinheiros mansos ao pé do prado em Serralves.)
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ManuelaDLRamos
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8.9.05
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Etiquetas: os nomes das árvores , Pinaceae , Porto , Serralves
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Visita integrada no programa Ciência Viva no Verão - Biologia
(promovida pelo Departamento de Biologia - Universidade de Aveiro)
Apesar de ser necessária inscrição prévia, ainda há disponíveis sete bilhetes para a visita (estive lá de manhã e perguntei). Aparecer junto à entrada do Museu às 14.30 (e perguntar no balcão pelo grupo...;-)
«Responsável pela acção: Rosa Pinho
URL: http://www.biorede.pt/
Descrição: Durante cerca de 1 ano, a Universidade de Aveiro (LabSIG/Unave e Dep. de Biologia), produziram um sistema de informação geográfica das árvores e arbustos do Jardim de Serralves (LabSig). Foram identificados cerca de 4000 exemplares da Flora existente (Dep. Biologia). Este projecto conjunto representa uma valiosa ferramenta de trabalho para a Fundação de Serralves. Visitar Serralves de tempos a tempos e dar a conhecer um pouco do muito que aprendemos tornou-se imperioso, sendo este o 4º ano consecutivo em que o Departamento de Biologia, leva visitantes ao Parque. Este ano teremos em Serralves uma exposição das fotografias tiradas no âmbito desse projecto (Exp. Fotográfica de Junho-Outubro)Esta visita, no período da manhã, terá uma componente histórica, onde seremos acompanhados por alguém da Fundação de Serralves. A seguir ao almoço, os biólogos presentes darão a conhecer a componente botânica do Parque, os aspectos etnobotânicos e outras curiosidades que as plantas frequentemente despertam.»
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ManuelaDLRamos
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7.9.05
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Etiquetas: Divulgação , Porto , Serralves
Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval?
Miguel Torga, Nihil Sibi (1948)

Fotos pva 0505 - Cedrus atlantica - Parque de Serralves
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Maria Carvalho
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11.6.05
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Etiquetas: Miguel Torga , Pinaceae , Porto , Serralves
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Vou à Festa de Serralves ...
Adoro malabarismo e não resisto a ir ver Girouette pour Jardins (às 10. 00 h.) pela Companhia Chant de Balles. À mesma hora há um workshop sobre plantas comestíveis "Malmequeres e amores-perfeitos" (será que também falarão da feijoa?)
Actualização: Definitivamente fiquei-me pelos "Malmequeres e amores-perfeitos" e deixei a girouette para mais tarde!
O Jardim das Aromáticas estava indescritível de beleza, e a lição*, bem, a lição foi de ver, comer e chorar por mais.
Comungámos, entre outras, pétalas de amores-perfeitos, de maravilhas, de cravinas, de flor de cebolinho e, claro, de capuchinhas, a favorita, com o picantezinho de rabanete.
E aprendemos um pouco sobre a comestibilidade de muitas mais flores: fiquei absolutamente rendida.
(*José P. Fernandes orientará um curso sobre este tema no dia 18 de Junho + informações aqui )
Espero também que a exposição no caminho que ladeia o prado, Folhas, flores e frutos, se mantenha mais algum tempo, para ver com mais calma. De qualquer modo parece que será em breve publicado um livro com este trabalho, o que é uma muito boa notícia.
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ManuelaDLRamos
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5.6.05
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Foto: mdlramos 0504
Veigela (Weigela florida) num dia de chuva em Serralves.
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ManuelaDLRamos
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6.5.05
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Etiquetas: Caprifoliaceae , Porto , Serralves


Os ramos arqueados da espécie Weigela florida estarão até ao Verão vergados pelas copiosas fiadas de flores de cor vermelha, rosa ou branca, afuniladas, com corola campanulada e um característico estame comprido encimado por uma bolinha que lhes dá o formato de um sininho. De origem asiática, este arbusto é uma trepadeira ágil e vigorosa, de folha caduca, oposta, finamente serrada no bordo e com um ápice pronunciado. O nome do género homenageia Christian Ehrenfried von Weigel (1748-1831), professor de botânica e figura relevante na história da ciência farmacêutica.
A família Caprifoliaceae (honeysuckle em inglês, chèvrefeuille em francês, madressilva entre nós) tem muitos géneros e cultivares no mercado hortícola, apreciados como ornamentais pela folhagem verde que enrubesce no Outono e pelas flores perfumadas cujo néctar atrai especialmente os beija-flores. Esta família está amplamente representada no Jardim de Shakespeare, no Central Park em Manhattan; espalhadas pelo jardim estão placas que citam os versos de Shakespeare que motivaram a plantação, como esta passagem de Midsummer Night's Dream:
So doth the woodbine the sweet honeysuckle
Gently entwist; the female ivy so
Enrings the barky fingers of the elm.
Fotos: pva - Primavera de 2005 em Serralves e Quinta de Sto. Inácio
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Maria Carvalho
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6.5.05
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Etiquetas: Caprifoliaceae , Porto , Serralves , Shakespeare


Flores de castanheiro-da-Índia em Serralves
Os jardins de Serralves têm estado a ser alvo de obras de beneficiação. Lamenta-se que o calendário desta intervenção não tenha em conta que nesta altura do ano as plantas estão mais deslumbrantes, pela folhagem nova e/ou floração vistosa, e nos seja vedado o acesso à maior parte do parque, incluindo o roseiral, o bosquete de faias e as alamedas de castanheiros-da-Índia. Não permitir que as apreciemos de perto é adiar por mais um ano o natural consolo que as plantas reservaram para nos dar agora e que assim se desperdiça.
Viburnum opulus em Serralves
Apesar de tudo, em lugar visitável, sobram alguns arbustos interessantes como este noveleiro, da espécie Viburnum opulus, variedade Sterile. Originário da Ásia e Europa, tem folhas que se assemelham às do Acer saccharum (daí, talvez, o epíteto latino opulus) e se tornam rubras no Outono. As flores lembram bolas de neve, são parecidas com as hortênsias, mas são estéreis, por isso esta variedade só se propaga por estaca.
Outros viburnos
Fotos: pva 0405
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Fotos: mdlramos 0504- "Casa das Glicínias" em Serralves
Depois das glicínias lilazes, as Wisteria sinensis, é agora a vez das brancas.
O facto de serem mais tardias, das flores não eclodirem todas ao mesmo tempo mas aparecerem progressivamente nos longos cachos pendentes, e serem menos perfumadas, leva-nos a pensar que se trata da apreciadíssima variedade de origem japonesa, Wisteria floribunda "Longuissima alba" ou "Shiro Noda", símbolo da pureza e elegância no Japão.
A não perder!
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ManuelaDLRamos
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27.4.05
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Fotos: pva 04/05
Esta é uma Rosaceae que merece destaque entre as plantas ornamentais pela formosura do porte e a coloração da folhagem e de que há, por isso, muitas variedades e cultivares. De folha perene, o vermelho rubro das folhas jovens dá-lhe, no inverno, um ar corado de saúde que muitos olhares confundem com a sua primeira floração do ano. No início da Primavera a copa enche-se de flores brancas, que nascem em umbelas achatadas e se combinam harmoniosamente com as folhas adultas, que são agora de um verde luzidio. O nome científico Photinia, palavra grega que significa reluzente, celebra precisamente este brilho excepcional da folhagem.
A maioria dos exemplares que conhecemos são híbridos da japonesa Photinia glabra e da chinesa Photinia serrulata. Há-os com bom desenvolvimento por toda a cidade, que parece ter clima que lhes é propício. Realce para a fotinia do jardim central de Serralves (foto à direita), a da quinta Vilar d'Allen e as cinco da rotunda da Boavista (foto à esquerda).
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Maria Carvalho
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25.2.05
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Foto: mlramos 0502 - Serralves (Porto)
Mimosa em flor com eucaliptos ao fundo encimados por garça...
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Compreende-se perfeitamente o fascínio que as Acacias exerceram sobre os europeus quando começaram a ser conhecidas: a floração espectacular de algumas espécies aliada a um rápido crescimento criaram de imediato adeptos entusiastas tanto na área da horticultura como da silvicultura.
Actualmente são consideradas invasoras extremamente nefastas que suplantam e ameaçam a flora autóctone, e a sua erradicação e controle é muitíssimo difícil.
A propósito pode ler-se hoje na imprensa uma notícia sobre a possibilidade da utilização do "Trichilogaster acaciaelongifoliae", um insecto da Austrália, na luta contra uma determinada espécie de acácias.
Ver:Insecto da Austrália Pode Vir a Controlar Invasão de Acácias (in Público, por Teresa Firmino/12 -2- 2005)
As acácias nos Dias com árvores:
Fogo em Monchique (25-07-04); Acácias invasoras (28-09-04) ; Despedida do Outono - Tibães (28-11-04) ; Mimosas (16.1.05); Visita à Quinta de Marques Gomes (10-2-05)
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ManuelaDLRamos
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12.2.05
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Fotos: pva 0412/0501 - Magnolia stellata - Parque de Serralves (Porto)
Desta vez, e apesar das promessas iniciais de uma floração temporã, as magnólias da cidade ainda não vestiram o manto alvacento com que festejam cada novo ano. Será a falta de chuva? Será que o desânimo geral também as atingiu? Fiquemo-nos com esta Magnolia stellata de Serralves que, embora não ainda no auge, pelo menos não faltou à chamada. Um mês atrás (fotos da esquerda), já ela se afadigava em rechear de pétalas rosadas os seus peludos botões.
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Paulo Araújo
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20.1.05
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Etiquetas: Magnoliaceae , Porto , Serralves

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ManuelaDLRamos
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10.1.05
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Etiquetas: Cupressaceae , Pinaceae , Porto , Serralves

Foto: pva 0411 - Serralves - Prunus x subhirtella 'Autumnalis Rosea'
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«Entro agora no meu jardim, quase solenemente, quase com o recolhimento religioso de quem entra num santuário: vou em procura de impressões que possam registar-se nestas páginas.
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Feliz do homem solitário que, como eu, encontra ainda num jardim recreio ao seu espírito, que se deleita na cultura de dois palmos de terra, que cuida por suas mãos das plantas, que vê com prazer o ínfimo rebento desenvolver-se em folhas e flores. Este homem não está só; acha-se, pelo contrário, cercado de amigos; nem a reclusão lhe empederniu o sentimento, porque quem ama as plantas crê em alguma coisa, crê, pelo menos, na harmonia universal e na justiça dos destinos; e, se sofre, encontra nestas crenças consolação inefável às angústias da alma dolorida.
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O meu jardim tem uns trinta metros quadrados de extensão. É, pois, um arremedo de jardim; mas eu avalio-o em trinta quilómetros quadrados, em trinta milhões de quilómetros quadrados, em muito mais ainda, levando em conta os limites de distância por onde o pensamento me viaja, quando me demoro a contemplar um arbusto, a admirar uma florescência, embalando-me os diferentes aspectos das coisas em divagações que não têm fim...»
Wenceslau de Moraes, in O Bon-Odori em Tukushima (1914), O Comércio do Porto (1915) e O Independente (2004)
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Maria Carvalho
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2.12.04
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