17.12.12

Tomilho das pulgas



Thymus pulegioides L.

Entre os vários tomilhos da flora portuguesa, com ou sem uso culinário, este que nos fala de pulgas será dos menos comuns, pois só aparece em prados montanhosos no interior norte, já com a Galiza à vista. Das poucas ocasiões em que o encontrámos, no limite oriental da serra do Gerês, e embora ainda estivéssemos para cá dos marcos fronteiriços, tínhamos acabado de receber no telemóvel informação sobre tarifas praticadas no estrangeiro. À semelhança das plantas, as empresas de telecomunicações têm pouco respeito pelas fronteiras. Da parte do Thymus pulegioides essa foi a opção sensata, pois se se limitasse a território português o seu contingente seria assustadoramente escasso. Marcando presença em toda a Europa, e sendo mesmo abundante nas serras orientais galegas, a sua sobrevivência não parece estar em risco.

Ao contrário de muitos dos seus congéneres, o T. pulegioides não forma daqueles tapetes verdes rasteiros que cobrem por vezes grandes extensões de solo. É um subarbusto compacto, de aspecto herbáceo, muito aromático, com hastes floridas ascendentes que podem atingir os 30 cm de extensão, e folhas opostas, ovadas, com cerca de 1 cm de comprimento. Florece de Junho a Outubro e tem preferência por sítios húmidos.

Para não sermos acusados de difamação, convém precisar que a ligação deste tomilho com a pulga é indirecta e que, se o trouxermos para casa, não corremos risco de atrair tão indesejáveis visitantes. O epíteto pulegioides remete de facto a pulex, que é pulga em latim; mas o sufixo oides, que se traduz por semelhante a, esclarece que a planta é parecida com outra que tem, ela sim, alguma relação com pulgas. Essa outra é a Mentha pulegium, vulgarmente conhecida como poejo ou hortelã-pimenta-mansa, planta espontânea em Portugal mas também muito cultivada apesar de tóxica, cujas folhas frescas ou secas funcionam como repelente de insectos.

4 comentários :

bea disse...

O tomilho das pulgas é uma pequena maravilha muito bem fotografada. “muito aromático, com hastes floridas ascendentes” e aquela cor que me parece de glicínia e não é roxo nem rosa.Nâo me deu o prazer de o contemplar ao vivo, suponho que há de preferir belezas quase virgens, ares rarefeitos, lugares de silêncio.

Deixemos às flores as suas razões de existir onde.

Obrigada pela mostra.

Anónimo disse...

Muito bom retrato, Paulo, desta bela planta. Não só fotográfico como literário.
Também só a conheço das zonas raianas do concelho de Montalegre. E como os pés mais robustos se parecem com o Thymus pulegium! No verão passado, em Padronelos, nas margens de um ainda bebé Cavado, à primeira vista tive exatamente a impressão de que estava a ver um poejo.

Bem hajas.

João Lourenço

Anónimo disse...

Desculpa, Paulo. Cometi um erro inadmissível ao denominar erradamente o poejo. Obviamente que esta espécie pertence ao género Mentha e não Thymus. Portanto Mentha pulegium.

João Lourenço

Paulo Araújo disse...

Obrigado pelos comentários.

(Ora essa, João, um lapso de escrita acontece a qualquer um. É frequente eu ter que emendar algum texto depois de o ter aqui publicado.)