Erva-loira do padre Lopez
Chamamos ervas-loiras aos malmequeres espigadotes, de capítulos totalmente amarelos, incluídos no género Senecio. São a sóbria e elegante resposta europeia aos espalhafatosos girassóis americanos. Temos por cá algumas ervas-loiras muito airosas: S. bayonnensis e S. doria no extremo norte do país; S. lusitanicus em algumas serras calcárias do litoral centro; S. pyrenaicus na serra da Estrela; e, por fim, Senecio lopezii, de que hoje nos ocupamos, na serra de Monchique.
Se estas tão apreciadas ervas-loiras fazem parte da flora portuguesa, por que razão o leitor nunca deparou com elas nas suas deambulações de fim-de-semana por montes e vales do nosso país? É que, por azar — e também pelo contributo que certas práticas vêm dando ao depauperamento do nosso património natural —, todas elas são muito raras. Na Lista Vermelha da Flora de Portugal Continental, duas foram avaliadas como vulneráveis, e as restantes três, incluindo a erva-loira de Monchique, como ameaçadas. Estima-se que o contingente português desta última não ultrapasse as quatro centenas de exemplares, sofrendo com a degradação do habitat associado à expansão dos eucaliptais e à presença de espécies infestantes, e até com a destruição pura e simples imposta pela limpeza regular dos taludes de estrada.
Não foi em Monchique, mas sim numa clareira de um sobreiral em Algeciras, no sul de Espanha, que encontrámos o Senecio lopezii. Era o princípio de Abril e tudo estava fresco, as águas de um rio próximo — há muitos rios em Algeciras — corriam abundantes, e a erva-loira de Monchique, expatriada em Algeciras, tinha acabado de abrir os seus grandes capítulos. O adjectivo grande é, neste caso, bem empregado: com 5,5 cm de diâmetro, são dos maiores do género Senecio, e foram eles que nos captaram a atenção quando avistámos um grupo destas plantas a uma centena de metros de distância. As folhas basais compridas e lustrosas, e o porte erecto, ultrapassando um metro de altura, completavam a lista de atractivos do Senecio lopezii tal como ele nos apareceu nessa tarde de Abril. Um encontro feliz mas agridoce com uma erva-loira que também é nossa mas nunca pudemos ver em Portugal.






















































