14.10.18

Alecrim do mar

Apesar do turismo intenso na ilha durante todo o ano, a flora do litoral de Tenerife superou as nossas expectativas. Claro que ajuda à conservação da biodiversidade que as falésias à beira mar sejam íngremes, com ladeiras pedregosas e escorregadias, onde a aridez e o vento desaconselham as visitas e evitam o pisoteio. E que seja precisamente esse habitat, que nos parece tão inóspito, o que algumas das espécies mais bonitas preferem.


Campylanthus salsoloides (L.f.) Roth



O alecrim-do-mar (em espanhol, romero marino) é um endemismo das ilhas Canárias, presente em quase todas elas mas quase sempre em núcleos escassos. Há registo de duas variedades, uma de flores violeta-carmim (a mais frequente) e outra bastante rara de flores brancas, ambas com a base das pétalas claras e o interior do tubo amarelo. É um arbusto perene e lenhoso (diz-se que dos seus troncos secos se faziam outrora cachimbos), ramificado desde a base, com folhas cilíndricas e carnudas a lembrar as de algumas espécies do género Salsola. As suas flores agrupam-se em arranjos terminais, e o seu formato sugeriu a A. W. Roth (em 1821) o nome do género: Campylanthus provém dos termos gregos kampylos (encurvado) e anthos (flor), aludindo à curvatura do tubo floral (que se nota na 3ª foto) e às pétalas ligeiramente recurvadas para trás. Cerca de quarenta anos antes, o filho de Lineu designara esta espécie como Eranthemum salsoloides, de que se preservou o epíteto específico aquando da mudança de género.

Vimos estes exemplares em Dezembro de 2017, há muito passada a época oficial de floração desse ano (que, segundo as Floras, se prolonga de Janeiro a Julho). Mais um mês, e as inflorescências do ano seguinte mostrar-se-iam assim mais vistosas.

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