18.6.09

Vidro e cerâmica, 1898


Phlomis lychnitis L.

«...a hídria, cuja função não consiste em retirar água, mas em captá-la assim que ela brota da nascente. Daí o seu bordo superior em forma de funil e o fundo em forma de caldeira, cujo centro de gravidade está o mais próximo possível da embocadura - é que as mulheres etruscas e gregas levavam as suas hídrias à cabeça: de pé, quando cheias, e deitadas quando vazias. Quem tentar equilibrar um pau na ponta do dedo verá que é mais fácil se virar a ponta mais pesada para cima - esta experiência explica a forma da hídria helénica pois o fundo assemelha-se a uma beterraba em forma de coração que é completada por duas pegas horizontais ao nível do centro de gravidade (para erguê-la quando está cheia) e uma terceira pega vertical para levá-la e pendurá-la quando vazia, ou talvez para ser manuseada por uma terceira pessoa que ajuda quem traz a vasilha a colocá-la em cima da cabeça.»

Com estas palavras, Semper deve ter cravado um punhal no coração dos idealistas. Como é que estes maravilhosos vasos gregos, com as suas formas perfeitas, que pareciam ter sido criados apenas para testemunhar a necessidade que o povo grego tinha de coisas belas, devem o seu desenho a uma mera questão de utilidade? A sua base, o corpo, as pegas, o tamanho da abertura foram apenas ditados pela sua utilização prática? Nesse caso, os vasos acabam mesmo por ser práticos! E nós que sempre os tivemos por bonitos!


Adolf Loos, Ornamento e crime (1908), trad. de Lino Marques, Edições Cotovia, 2004

2 comentários :

as-nunes disse...

Quanta beleza não se pode apreciar nas flores campestres!

Obrigado pelo apoio na luta de Leiria pelos seus choupos no Largo Cónego Maia.
Mas está difícil esta luta!
Já estão a vir à baila a questão das raízes!
Como se houvesse sequer algum muro antigo ou prédio por perto!?...

António

Isabel disse...

Benvindos de volta! Que saudades tinhamos!!! Obrigada!