28.2.05

Choupalma



Foi com deleite que lemos a cândida notícia da adopção maternal por uma árvore de outra de género distinto. Pena que ao cronista tenham de ser feitos alguns reparos.

1) A árvore-mãe-adoptiva não é um plátano. Conhecendo-se bem os plátanos, obrigação de quem escreve sobre jardins urbanos onde este género é muito comum e de fácil identificação pelo tronco marmoreado, dir-se-ia mesmo mãe improvável dado que o tronco dos plátanos é liso e se descasca facilmente, regaço demasiado instável para uma semente. Como desculpa do cronista só o facto deste conjunto curioso de mãe e filha estarem em terreno do Passeio Alegre ocupado por um campo de mini-golfe com entrada paga. A árvore mãe é um choupo de pequeno porte, com ritidoma tipicamente rugoso e escuro e copa elegante.

2) O cronista entendeu por bem enriquecer o seu texto com o neologismo plataneira, que supomos inspirado por plátano e palmeira. Mas "eira" não caracteriza a palmeira, "palma" sim; dadas as circunstâncias, a nossa proposta é que a esta inédita associação se chame choupalma.

17 comentários :

Manuel Jorge Marmelo disse...

Gosto mais da sua designação para a árvore. Choupalma é bonito.

Apenas duas correcções: as pessoas que assinam notícias nos jornais não são cronistas, são jornalistas (é o que eu sou); e, como poderá constatar relendo o texto, não é o ?cronista? que diz que a palmeira nasceu num plátano, mas o vereador do ambiente da Câmara do Porto (?segundo Rui Sá, de um dos plátanos do Passeio Alegre, localizado nas instalações do Clube de Minigolfe do Porto, brotou uma palmeira?, é o que lá está escrito).

Maria Carvalho disse...

Caro Jorge Marmelo:
Fiquei contente de saber que é nosso leitor. Também leio os seus textos no Público com muito gosto. E é por eles não serem meras peças jornalísticas que lhe chamei cronista. Desse modo, incluí-o num grupo de escritores, a maioria brasileiros, que, por falarem com empatia de árvores e jardins, aqui transcrevo regularmente. O termo, apesar de neste caso ser incorrecto, foi, acredite, um elogio.

Manuel Jorge Marmelo disse...

Acredito e agradeço. Mas o seu a seu dono, como se costuma dizer. Quando escrevo crónicas, sou cronista; quando escrevo notícias, sou jornalista.

Joao Soares disse...

Apenas uma perspectiva de leitor e em defesa da Campo Aberto.Penso que a verdade foi apurada,mas a noticia está incorrecta e causou duvidas aos leitores.Não sendo formado em Comunicação, sugiro que se crie nas entradas de uma notícia ou crónica uma figura jornalística que começa a haver em abubdância e que é um misto de jornalista ( factual, formal, distante) e cronista ( relata história, estórias, referências, subjectividade, informal): o Jornalista de opinião. Em ambos os casos,sem deixar dúvidas.
Um abraço

Francisco Queirós disse...

O próximo dominó a cair é meu! A Maria de Carvalho corrigiu o Jorge Marmelo. O Jorge Marmelo escreveu a dizer que tinha citado o Rui Sá. Eu li o texto no Público e lembro-me de o Rui Sá dizer que esta estranha palmeira tinha sido detectada pela equipa da UTAD.
Por outra ordem, a da importância das coisas: a equipa da UTAD, a equipa dos especialistas que fazem a lista das árvores a abater no Porto, confundiu um choupo com um plátano. Ora, estando na ordem do dia cortar os choupos do Porto, receio bem pelo futuro dos nossos plátanos.

Manuel Jorge Marmelo disse...

Não se diz em lado nenhum da notícia que foi a equipa da UTAD que disse que aquilo era um plátano... O vereador fez confusão, presumo, e, amanhã, o PÚBLICO repõe a verdade sobre o nome da árvore. Mas será isso assim tão importante? Não bastará saber-se da "magia" que providenciou o fenómeno?

manueladlramos disse...

Se algum amigo espanhol nos estiver a ler decerto pensará q estamos a falar de bananas ( plátanos em espanhol, no?).
Claro q em nenhum lado da notícia se diz q a equipa da UTAD chamou plátano a um choupo ou vice versa. Tb não é minimamente significativo q tenha havido confusão por parte do Dr. Rui Sá e q este não se lembrasse ao certo qual o nome da árvore, e lá longe no seu gabinete pensasse q tinha sido um plátano. Não tem a mínima importância.
Agora que a troca de nomes pode dar azo a brincadeiras, empolamentos e trocadilhos isso, estamos a ver que sim...

Mas como diz MJM o mais importante e interessante é sem dúvida o fenómeno em si.

Manuel Jorge Marmelo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Manuel Jorge Marmelo disse...

E já agora, caro João, não há confusão nenhuma com a designação da peça jornalística em causa. Era uma NOTÍCIA e ponto final. Aliás, deveria ser suficiente lê-la para ficar claro. Onde é que está a opinião? Não opinei sobre coisa nenhuma.

Francisco Queirós disse...

Caro Jorge Marmelo,

Gostava de esclarecer que acredito piamente na capacidade da equipa da UTAD em distinguir plátanos de choupos.
O que eu escrevi, respeitando, aliás, a tradição dos editores do blogue - este lugar nunca serviu a crítica fácil - pretendia ser apenas uma nota de humor. Que, de resto, quadra bem com o fenómeno da choupalma.
Mas acho estranho tanta urticária. Fui ver o Público e cito, com rigor: "Não classificado ainda, mas já merecedor de uma atenção especial, foi detectado pelo estudo da UTAD um caso raro e algo insólito: segundo Rui Sá (...)". Na frase citada, os dois pontos abrem o espaço de explicação daquilo que é raro e insólito. Em caso algum apagam a afirmação, que até é sua e não do Rui Sá, de que foi o estudo da UTAD a detectar o caso raro e insólito.
Foi, apenas, uma redacção infeliz? Claro que sim. Como foi infeliz, por razões linguísticas, a escolha do nome plataneira.
Num ponto estamos de acordo: a questão nada tem de grave.

Cumprimentos

Filipe disse...

Sem querer entrar na controvérsia anterior, e percebendo também o interesse em descrever um fenómeno que não é usual por uma simples palavra, e a nota de humor que o blog pretendeu colocar, já agora gostava de dar a minha opinião, embora sem ser perito, e alguém que me corrija se estiver errado.
A designação de uma nova espécie não tem a ver com este fenómeno. Aqui penso que se trata de uma palmeira que usou como suporte o choupo, já que as suas raízes em busca de água podem atingir comprimentos consideráveis ou então a própria palmeira poderá estar a parasitar o choupo a partir de alguma parte em que o choupo tivesse o lenho a decompor.
A designação de uma nova espécie pressupõe outro tipo de parâmetros

Manuel Jorge Marmelo disse...

Não há nenhuma urticária, caro Francisco Queirós. Apenas me dispus a clarificar aquilo que pudesse não ter ficado claro na notícia em causa, eventualmente por força de uma "redacção infeliz".
Também não pretendi, caro Filipe, classificar nenhuma nova espécie. Não tenho, sequer, conhecimentos que pudessem sustentar tal ousadia. A designação "plataneira" foi apenas uma nota de humor (lá está...).
Espero que a pequena nota da edição de hoje do PÚBLICO tenha desfeito qualquer mal-entendido que ainda possa subsistir.

GPC disse...

Não me admirava nada que o "Dr. Rui Sá" não tivesse acertado com o nome da árvore dado que esse camarada é engenheiro mecânico com a opção fluidos e calor.
(admirar-me-ía se ele não acertasse com o que fazer à árvore.)
Que os avençados especialistas da UTAD não saibam o que é um choupo, que é de admirar, curioso!, não me admiro!

GPC disse...

E, já agora, das estranhas atitudes dos jornalistas já ninguém se admira, pois não? "Não é cronista; é jornalista" Que é que o senhor jornalista pensará que é um cronista?
Copy/paste do Dicionário da priberam:

crónica

do Lat. chronica

substantivo feminino.

narrativa histórica, segundo a ordem dos tempos;

noticiário dos periódicos;

comentário de factos da actualidade;

referências desfavoráveis à vida de alguém;

revista científica ou literária que forma uma secção de jornal.
------------
jornalista

substantivo. 2 géneros.

pessoa que, por profissão, escreve em jornais.
-------------

Também não me admirei que 'jornalista' não viesse do latim.

A dr.ª Manuela Ramos faça-nos o favor de ter a certeza que disse bem, elegantemente, sem necessidade de correção alguma. E que, como se vê pela resposta ao seu segundo comentário, está a deitar pérolas a... jornalistas.

manueladlramos disse...

Caro gpc
1- Não fui eu a escrever a entrada sobre o choupalma.
2- Este assunto já foi aqui discutido.
Claro que tem todo o direito de dar a sua opinião mas não subscrevo de modo algum a sua abordagem:
-não dou a mínima importância ao facto de Rui Sá se ter enganado no nome da árvore,
-nunca me passou pela cabeça que os especialistas da UTAD identificassem incorrectamente as espécies;
-quanto ao jogo de palavras que faz no seu ultimo comentário,sinceramente, não o acho de muito bom gosto.
De qualquer modo muito obrigada por se dar ao trabalho de comentar.

Anónimo disse...

Peço desculpa: é claro que me enganei no nome. Quem teve uma resposta rude, a simpatia e boas maneiras foi Maria Carvalho.

Não percebi o que é que percebeu do meu comentário.
Acerca do meu estimado camarada Rui Sá dizer que "admirar-me-ía se ele não acertasse com o que fazer à árvore." só tem um sentido possível: que estou confiante das decisões dele. Que só ficaria admirado se ele tivesse uma decisão errada acerca do que fazer à árvore.
O facto de não ter acertado no nome da árvore nem é comentado porque não interessa nada, tal como diz.
O Rui é engenheiro mecânico. É bom ser engenheiro mecânico. Eu acho.
Sobre os técnicos digo que não me admiro de não saberem. Estou a falar de mim. Eu não me admiro que não saibam. Eu. É uma coisa pessoal, idiossincrática. Na verdade encaro isso com naturalidade. Deduzo pelo seu tom que devia achar isso uma enorme mediocridade. Não acho. Acho vulgar. E fico contente se estiver enganado.
"Atirar pérolas a porcos" é um dito popular. É apropriado para uma situação em que alguém não dá o devido valor a algo ou não dá resposta adequada ao nível de uma situação. Foi o caso de quem tendo recebido simpatia e até elogios, respondeu com "mas o seu a seu dono". Foi nitidamente um desperdício de boas maneiras. Um caso típico de "pérolas a porcos". Mas, claro, a expressão não agradará a todos. A mim, que sou franciscano e adoro porcos, não me desagrada nem me faz pensar noutra coisa que não seja desperdício. Mesmo assim evitei usar a palavra porcos.
Mas entendo bem que ache de mau gosto. Esta á a única parte do seu comentário que entendo bem. Achou grosseria. Compreendi. Lamento. Vou reformular: "A dr.ª Maria Carvalho faça-me o favor de ter a certeza que disse bem, elegantemente, sem necessidade de correção alguma. Pena que, como se vê pela áspera resposta às suas simpáticas palavras, tenha sido um desperdício de boas maneiras."

Bárbara Moreira disse...

Como se notou a educação não está, de forma alguma, necessariamente associada á formação do indivíduo, enquanto profissional.. cada macaco no seu galho, para dar continuidade ao uso de expressões populares, muito sábias meus senhores...