26.2.05

Dos Jornais - Intervenção nas árvores do Porto

No Público de hoje: «Câmara do Porto intervém em sete mil árvores até Abril e abate duas dezenas por motivos sanitários (Por Jorge Marmelo) Intervenção está a ser feita com base num estudo realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Maioria das árvores a abater são tílias
Uma equipa municipal especializada em intervenção em árvores, composta por sete jardineiros e coordenada por uma engenheira florestal, está a realizar, até ao próximo mês de Abril, uma gigantesca operação de poda e tratamento em sete mil árvores, das cerca de 40 mil que existem no espaço público da cidade do Porto. A intervenção vem na sequência de um diagnóstico realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do qual resultou já o abate de 14 árvores, cujas condições sanitárias constituíam um perigo para a segurança pública. De acordo com um comunicado da Câmara Municipal do Porto, o acompanhamento do estado das árvores da cidade ditou ainda a necessidade de derrubar outros 20 espécimes, tílias na sua maioria, prevendo-se que este número possa aumentar com o avanço dos trabalhos.
Segundo o comunicado, as podas que estão a ser realizadas visam melhorar o estado fitossanitário das árvores, corrigir o seu crescimento e desenvolvimento e beneficiar a sua intervenção harmoniosa no território urbano.
O vereador do Ambiente da autarquia, Rui Sá, garantiu, porém, que todas as intervenções estão ser feitas "com regras e por pessoas com formação adequada". "Não se trata de podas assassinas. Aliás, muitos dos problemas de quedas de árvores resultam de podas mal feitas no passado", disse o vereador ao PÚBLICO.
Rui Sá esclareceu que as árvores já abatidas foram aquelas que o estudo da universidade transmontana identificara como sendo os casos mais graves. Todavia, a queda recente de duas tílias na Praça da República, que não estavam entre os casos graves diagnosticados, obrigou a autarquia a analisar mais demoradamente o estado das árvores daquela praça, do que resultou, entretanto, a necessidade de abater outras cinco árvores. Pelo mesmo motivo, mas na Rua de D. Manuel II, junto ao Palácio de Cristal, houve ainda a necessidade de derrubar mais quatro tílias.

Abates e transplantes em várias zonas da cidade
Por força das obras de construção do túnel entre as ruas de Ceuta e de D. Manuel II, o pelouro do Ambiente procedeu ainda ao transplante de oito árvores, que foram entretanto colocadas na Praça da República, substituindo as que ali foram abatidas.

A requalificação do troço terminal da Avenida da Boavista motivou também o abate de 137 choupos e prevê-se ainda a necessidade de transplantar 80 tílias para vários locais da cidade. Futuramente, os passeios laterais da avenida contarão com 212 novas árvores.

A cidade do Porto tem, desde o passado mês de Janeiro, 238 novas árvores classificadas (antes eram apenas quatro, agora são 242). Entre os espécimes actualmente protegidos por iniciativa de um grupo de cidadãos estão os metrosíderos da Avenida de Montevideu, as palmeiras e araucárias do Passeio Alegre, as magnólias de S. Lázaro, a ginkgo das Virtudes, o belíssimo jacarandá do Largo do Viriato e a araucária e os plátanos da Cordoaria.

Não classificado ainda, mas já merecedor de uma atenção especial, foi detectado pelo estudo da UTAD um caso raro e algo insólito: segundo Rui Sá, de um dos plátanos do Passeio Alegre, localizado nas instalações do Clube de Minigolfe do Porto, brotou uma palmeira. Esta "plataneira", chamemos-lhe assim, não resultou, segundo o vereador, de nenhum enxerto artificial, devendo antes ter sido causada pelo arrastamento de sementes de palmeira pelo vento ou pelo transporte das mesmas por algum pássaro.»

2 comentários :

Anónimo disse...

Relativamente às árvores classificadas - O jornalista que escreveu esta peça não conhecerá o vosso blog? Decerto que já por cá passou ou pelo menos terá lido a sua referência. Então porque não dá o nome às coisas ou melhor porque não nomeia o grupo de cidadãoS que foram aliás dois pertencentes a associações ambientalistas? A Campo Aberto e o NMDALO? Custa tanto assim chamar as coisas pelo seu nome?
Fazer um pouco de publicidade só lhe teria ficado bem sobretudo num jornal que tantas vezes achincalha ignorantemente o papel dos grupos de cidadãos com preocupações "ambientalistas"... Mas neste caso a publicidade teria uma função pedagógica e esclarecedora. Assim é o que se chama um notícia incompleta.
S (de Sementinha ;-)

Manuel Jorge Marmelo disse...

Claro que conheço o Dias com Árvores, até sou fã. Simplesmente, não tinha presente, quando escrevi a notícia, que a proposta de classificação tinha partido de duas associações formalmente constituídas. Falha minha, obviamente, pela qual me penitencio. Surgindo a oportunidade, corrigirei a falha.
Jorge Marmelo