24.1.05

Enquanto há vida


Fotos: pva 0501 - Praça da República (Porto)

Das tílias diz Aquilino, na sua Geografia Sentimental, que chegam a parecer-lhe «mais tafuis do que esposas de marajás»; e acrescenta que, «se há planta que tenha o senso da simetria e das belas ordenanças, numa palavra, ponha garridice no seu amanho, é esta».

Face ao estado destas tílias na Praça da República, ocorreria perguntar quem foi o sádico e indigno marajá que ordenou tal serviço. Pergunta retórica, obviamente, e no caso um pouco injusta. A terra revolvida das caldeiras indica que as tílias foram para lá há bem pouco tempo; e é de supor que tenham sido transplantadas da rua D. Manuel II, de onde, como então noticiámos, foram expulsas pelas obras do enguiçado túnel rodoviário.

Embora lhes tenha sido irremediavelmente roubada a beleza que irradiavam quando primeiro as conhecemos, a sua vida não acabou ainda.

3 comentários :

Anónimo disse...

Pois não a sua vida não acabou aqui: vão ficar uns irreconhecíveis aleijões propensos a doenças e fraquezas! Mais valia que realmente tivesse acabado ;-(
M.

Maria disse...

Resta esperar que este transplante não se venha a revelar fatal... e a roubar-lhes mais que a beleza!
:S
M

Angela disse...

O que é que nós podemos fazer para evitar estas coisas? Onde posso reclamar? Onde me ouvem?