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29/06/2007

Desabafo

de Pedro Santos perante mais um MASSACRE
«O único desabafo que me ocorre, depois de tantas denúncias de casos similares por todo o país, é que a forma como tratamos as árvores diz tudo acerca da nossa falta de civismo enquanto povo.»

23/02/2007

Jardins de inferno

espaços onde custa respirar


"Poda" de plátanos em Lagoa, freguesia de Aboim, concelho de Fafe (fotos de Alexandre Leite)
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Em 1875 (sim, leram bem: 1875!), José Duarte de Oliveira Júnior, a propósito do que apelidou "hecatombe de 23 de Fevereiro", escrevia:
«Supomos que não haverá ninguém que, por mero divertimento ou para matar o tédio, tome da pena como arma ofensiva e venha para a imprensa agredir um indivíduo ou ofender uma corporação. Quem tal fizesse teria dado provas da baixeza do seu carácter ou da perversidade do seu talento.
Esta é a nossa maneira de pensar, esta a nossa maneira de proceder. Censurar não é atacar violentamente e quando censuramos é com maior pesar e por vezes com a máxima repugnância, porque a nossa aspiração constante seria elogiar sem sair dos limites do justo.

Há todavia certos factos perante os quais é quase uma vergonha o silêncio. O que ultimamente tem sucedido com a jardinagem portuense* está clamando não diremos vingança, mas um protesto selene. É o que fazemos: protestamos. Julgamos isso um dever.
A jardinagem de uma cidade é um ramo importante do serviço público e deve merecer todo o cuidado da câmaras municipais. O vereador encarregado deste pelouro não deve ignorar tão completamente os rudimentos de horticultura que deixe praticar as maiores arbritariedades ao pessoal que lhes obedece. Quando o município não tem empregados peritos e suficientemente ilustrados, é necessário que o director do pelouro tenha o senso comum suficiente para consultar as pessoas entendidas e deixar-se guiar pelos seus conselhos. p. 97(...)
Veja-se quanto não pode a ignorância e os entendimentos de verdadeiros vândalos! Muito de propósito, para que os vindouros possam avaliar os actos de selvajaria que se praticavam nos fins do século XIX na ditosa pátria minha amada, mandamos fazer estes desenhos, que falam mais ao vivo do que qualquer minuciosa descrição. Em face deste vandalismo poderíamos realmente ficar silenciosos? p. 99
(...)»
José Duarte de Oliveira Júnior, “Crónica Hortícola-agrícola”, Jornal de Horticultura-Prática, Vol. VI, 1875 (ler versão on line > imagens 55 e 56 )

NB *Substituir portuense pelo gentílico correspondente à localidade onde continuam a ser praticados impunemente os actos de selvajaria que este blogue, e este, e este , e este (entre outros) têm vindo a denunciar.

24/01/2007

A poda das árvores ornamentais- livro

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«Árvore, desde há muito deixaste a floresta e conquistaste as nossas cidades.

Jardins, parques, praças, ruas, estradas, sebes, tu lá estás por todo o lado, companheira de todos os dias. Mil formas, mil rostos, mil cores, combinas com o espaço e a arquitectura.

És paisagem, paisagem viva. Murmuras à mínima carícia do vento, divertes-te com a sombra e luz, repleta de cantos de pássaros, mudas com as estações, os anos, tu animas, tu és vida, presença e símbolo.

Mas tal como ao amigo muito próximo, habituamo-nos a ti, frequentemente nos esquecemos de ti. É necessário que adoeças, te destruam ou morras para que te vejamos de novo, que apreciemos a tua presença e o quanto de ti necessitamos.

Árvore, não pude mais ver-te mártir, doente, diminuída pela poda a vergonhoso candelabro encimado por ridículo panacho. Que procuramos? A que lógica obedecemos? Como podemos plantar-te, tratar-te durante anos, para proceder a tais massacres? E como ousamos repetir estas bárbaras operações? Que fica de ti, da tua harmonia passada, que fica da nossa paisagem? (...)»
Emmanuel Michau, na "Introdução" de A poda das árvores ornamentais , p.8-12.


A poda das árvores ornamentais /Emmanuel Michau; trad. e adapt. Sérgio Gaspar, Helena Ramos Gaspar. - Porto : FAPAS D.L. 1998. - 311, [2] p. : il. ; 24 cm. - (Manual FAPAS). - Tít. orig.: L'élagage - la taille des arbres d'ornement > . - ISBN 972-95951-4-3

Disponível!
De leitura obrigatória para os responsáveis pelas podas camarárias- para que se ponha cobro à ignomínia! Publicado tambem no Dias sem árvores (dias tristes )

17/01/2007

Selvajaria

Rolagem e abate de plátanos na Covilhã
É lastimável continuarem a abundar casos como este, prova de ignorância e insensibilidade -enquanto rareiam as boas práticas- como por exemplo o trabalho conduzido por técnicos habilitados, de diagnóstico e poda cirúrgica das árvores do monte da Penha!

Até quando se vai continuar a permitir este tipo de actuação?
Senhores arboricultores não estará na altura de se fazer mais alguma coisa? De se levar este assunto à Assembleia da República? Uma vez que parece não haver iniciativas partidárias, para quando uma recolha de assinaturas exigindo legislação que impeça e puna estes actos de vandalismo? Estamos à espera!

Fotos enviadas por Pedro Santos do Sombra Verde.
Ler os seus comentários sobre mais este caso de selvajaria
aqui e aqui.



Rolagem e abate de plátanos na estrada N230 entre a Covilhã e o Tortosendo

Mais fotografias no Dias sem árvores

08/12/2006

A reler


«5 ideias falsas sobre as "podas" radicais ou rolagens» (excertos) pelo Dr. Francisco Coimbra
Infelizmente, continua a ser preciso divulgar.

A propósito dá-se a conhecer um novo blogue sobre o assunto: A PODA (com ph) das árvores Ornamentais.

Aparte: agrada-me de sobremaneira que seja iniciativa de alguém da área... (já nao era sem tempo). Espero que entenda que para ter visibilidade e, consequentemente, alguma influência tem que cumprir uma das "regras" mais interessantes da blogosfera: "linkar". Só assim se podem criar redes de comunidades que partilham interesses. Quem não linka não dá sinal da sua existência (pois nao aparece nos motores de busca).
É que por vezes se criam expectactivas que nao se cumprem.

24/01/2005

Enquanto há vida


Fotos: pva 0501 - Praça da República (Porto)

Das tílias diz Aquilino, na sua Geografia Sentimental, que chegam a parecer-lhe «mais tafuis do que esposas de marajás»; e acrescenta que, «se há planta que tenha o senso da simetria e das belas ordenanças, numa palavra, ponha garridice no seu amanho, é esta».

Face ao estado destas tílias na Praça da República, ocorreria perguntar quem foi o sádico e indigno marajá que ordenou tal serviço. Pergunta retórica, obviamente, e no caso um pouco injusta. A terra revolvida das caldeiras indica que as tílias foram para lá há bem pouco tempo; e é de supor que tenham sido transplantadas da rua D. Manuel II, de onde, como então noticiámos, foram expulsas pelas obras do enguiçado túnel rodoviário.

Embora lhes tenha sido irremediavelmente roubada a beleza que irradiavam quando primeiro as conhecemos, a sua vida não acabou ainda.

31/08/2004

'Oliveiras-lulu' em 'espaço verde' (Silves)


Foto: manueladlramos 0408
Os 'espaços verdes' de Silves são em geral aprazíveis. Interessantes também: gosto por exemplo da não uniformidade de espécies na via que ladeia o rio, local onde se podem encontrar jacarandás, albizias, choupos e pimenteiras bastardas; perto do castelo os ailantos atingem um porte notável (ver adenda), crescendo no seu interior, entre outras árvores, tílias e de novo jacarandás. Por todo o lado se encontram espécies autóctones como sobreiros e oliveiras...
Entretanto surgiu uma nova moda no trato destas últimas: é a poda à lulu!
Quando, ao dobrar da esquina, deparei com o espectáculo, só não desatei a rir porque prevaleceu o sentimento que esta ridícula poda é atentatória à dignidade das oliveiras!
Realmente há gostos para tudo: tanto para rodriguinhos a menos como para rodriguinhos a mais...
Post scriptum:
No dicionário-«Rodriguinho: efeito fácil e convencional, sem valor artístico, empregado pelo actor para provocar facilmente o riso ou o choro do espectador ...»
Adenda: Estes ailantos já não existem. Ver aqui mais detalhes.