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02/01/2010

O céu que nos aflige


Praça de Parada Leitão, Porto

Há usos que podem parecer convenções arbitrárias, mas que resultam de ajustes sucessivos à realidade. Dito de outro modo: já se fez de forma diferente, até se ter verificado que não funcionava. Aquilo que às vezes passa por inovação pode não ser mais do que ignorância da história e dos erros passados, que repetimos com alegre inconsciência. É por isso que a inteligência e o bom senso não progridem à mesma velocidade que a tecnologia, e chegam mesmo a registar retrocessos clamorosos.

Nesta época de discussões sobre as cidades e a sua função, em que os arquitectos de nomeada são escutados com a reverência devida aos oráculos ou aos deuses do Olimpo, a praça de Parada Leitão, transformada sucessivamente para pior ao abrigo das mais avançadas doutrinas, avulta como mostruário de inépcia urbanística. Até 2001, ano em que o título de capital europeia da cultura foi pretexto, no Porto, para operações mal-amanhadas de requalificação urbana, a praça tinha três alinhamentos de árvores: um central, formado por seis plátanos mais que cinquentenários, e dois nos passeios laterais, cada um deles com uma dezena de robínias. Com a supressão do trânsito na praça e na envolvente da Faculdade de Ciências (actual Reitoria da Universidade do Porto), abriu-se uma área pedonal que, alegou-se então, prolongaria o Jardim da Cordoaria até aos Leões. O que de facto se criou, uma vez arrancadas sem critério todas as árvores da praça, foi um amplo terreiro empedrado, desprovido de sombras, cenário dia e noite para o estacionamento caótico e ilegal. Com um preciosismo de escultor que doseia os seus efeitos, e uma pasmosa inconsciência do que é e para que serve uma árvore, o arquitecto fez plantar, no lado poente da praça, umas quantas tílias dispostas aos molhos de três em exíguas caldeiras rectangulares. Talvez não lhe tenha ocorrido que as árvores crescem, tão apertadas as deixou umas contra as outras; ou então espera que coalesçam, formando cada trio um monstro-árvore de três troncos e uma só cabeça.

Em qualquer caso, alguma sombra prometia ter esse canto quando as tílias, melhor ou pior, se desenvolvessem. E a companhia fresca da folhagem, mitigando o efeito do parque de estacionamento em que a praça se converteu, poderia tornar mais convidativas as esplanadas que lá acabaram por se instalar.

Embora as esplanadas com vista para ruas com trânsito nunca me tenham seduzido, entendo que quem se senta nelas goste de sentir a cidade à sua volta: em vez de se resguardar num salão, deixa-se impregnar pelas imagens, sons e cheiros que compõem a vida urbana; para lhe servir de tecto só precisa do céu, de um guarda-sol ou (melhor ainda) de uma árvore.

Incompreensível é gostar de esplanadas e temer o ar livre e o céu por cima da cabeça; é deixar-se ficar num contentor envidraçado, espécie de submarino para mergulhar na cidade sem por ela ser contaminado, acreditando estar numa esplanada; é substituir a proximidade das árvores pela frieza do vidro e do metal.

A esplanada-gaiola da praça de Parada Leitão, iniciativa privada autorizada pela Câmara do Porto, está a acabar de ser montada, e deve estrear ainda em Janeiro. Dizem os seus promotores que respeitaram as árvores, mas ainda assim aplicaram-lhes uma poda correctiva - para elas saberem que doravante, se não puderem evitar crescer, terão de fazê-lo só para cima. A tília aí em baixo está quase encostada às vigas de metal da estrutura: convém pois que o seu tronco delgado e juvenil não engrosse com a idade.

Imaginem, se puderem, como vai ficar a praça: metade estacionamento, e a outra metade ocupada com contentores por entre os quais acenam algumas copas enfezadas. Uma combinação tão indescritível que nem o mais assanhado pato bravo dos subúrbios se envergonharia dela. A diferença é que aqui, no coração do Porto, a dois passos da Torre dos Clérigos, houve arquitectos, urbanistas, comissários e planeadores que juntaram as suas (in)competências para chegarem a isto.


Tília engaiolada - Praça de Parada Leitão, Porto

29/12/2007

apontamentos

1-Muito apreciada a prendinha que me veio parar às mãos, chegadinha da ilha: o livro sobre Dragoeiros do Museu do Vinho que o Paulo já aqui referira. A fotografia do "bleeding dragon's heart" foi tirada no Botânico do Porto numa tarde de Maio.


2- De passagem pelo horto fiquei de olho numas Coprosma (que variedade de cores e que folhinhas brilhantes tão bonitas) e numas Gaultheria procubens (carregadinhas de frutos vermelhos); pelos vistos estas últimas, para além de ornamentais, são também medicinais e aromáticas. Vão ambas para a minha "wish list";-)


3- E para não terminar em beleza: o Pedro Santos anuncia no seu blogue o início da "época da estupidez "! Como ele escreve, começou o período «da "dendrofobia" e do "arboricídio", a partir de agora e até ao início da Primavera qualquer motivo é válido para decepar uma árvore!... Lutamos contra uma cultura de ignorância, de medo (o eterno receio que as árvores nos caiam em cima!...) e de conformismo perante este terrorismo arbóreo patrocinado pelas autarquias.»
Uma luta infeliz em que estamos juntos.

(...)

25/12/2007

Árvores velhas



Jardim de São Lázaro - Porto

Em Junho de 2004, era o Porto governado por uma ecuménica coligação de esquerda-direita, caiu uma tília na Praça da República, escaqueirando cinco carros lá estacionados. A árvore aguentou enquanto pôde para tombar durante a noite sem atingir pessoas, mas foi-lhe arboreamente impossível não destruir bens. O vice-presidente da Câmara atribuiu as culpas da ocorrência ao vereador do ambiente, de cor política diversa da sua, e exortou-o a garantir que mais nenhuma árvore cairia na cidade. Mesmo um cristão praticante se teria irritado com a desmesura da exigência: se até Deus, com expediente há muito montado para tais pedidos, é incapaz de lhes dar despacho satisfatório, que pode um mortal fazer numa época em que os milagres passaram de moda? Para piorar as coisas, é de crer que o vereador a quem o outro exigia poderes de taumaturgo fosse ateu por credo político.

Mas o vereador desafiado não se deixou ficar. Lançou uma campanha de urgência para diagnosticar a saúde das árvores de grande porte em jardins e arruamentos; como resultado, mais de 50 árvores foram abatidas: na Ramada Alta, na Praça da República, no Largo da Lapa, na Rua D. Manuel II, na Rua do Campo Alegre, etc. A campanha desde então não mais parou, mesmo tendo havido eleições e mudado o vereador. Fomo-nos habituando a ver os restos decepados de grandes árvores a atravancar passeios e jardins. Educados pelo hábito, já nem perguntamos porquê. Estavam doentes, eram um perigo para pessoas e bens. Embora às vezes nos perturbe a dúvida: aquela tília na Praça Filipa de Lencastre estava mesmo debilitada, ou foi a requalificação da praça que ditou o seu sacrifício? Chegou agora a vez das monumentais tílias do Jardim de S. Lázaro: duas foram cortadas na semana passada, e não sabemos se as duas que permanecem de pé serão poupadas. A perda destas árvores destrói irremediavelmente - durante um prazo pelo menos igual ao da vida que nos resta - o equilíbrio e o aconchego do jardim.

Em Outubro de 2007, a Sociedade Portuguesa de Arboricultura (SPA) organizou, no Parque Biológico de Gaia, um simpósio sobre Árvores Velhas. Houve convidados nacionais e estrangeiros, e uma saída de campo de um dia inteiro para observar de perto algumas dessas venerandas árvores. Custa a acreditar que, na região do Porto, tenha sido possível cumprir cabalmente esse ponto do programa. Para as nossas autarquias, as árvores adultas não são seres dignos de admiração, mas sim ameaças a abater. Se lhes avaliam a saúde, não é para lhes acudir com algum tratamento que lhes prolongue a vida: é para justificar a sentença de morte. Daí que árvores velhas (melhor seria chamar-lhes árvores anciãs, tradução mais sugestiva do inglês ancient trees) como as que serviram de pretexto ao simpósio sejam por cá quase inexistentes.

Mas esse encontro poderia ter assinalado uma mudança de atitude: afinal, a SPA reúne muitos dos técnicos que, nas autarquias, decidem da vida e da morte das árvores. Talvez eles se sentissem embaraçados por terem poucas ou nenhumas árvores velhas para mostrar aos visitantes. Talvez aprendessem que, além da fitossanidade, há outras considerações (afectivas, paisagísticas, ambientais) que devem ser ponderadas quando se avalia uma árvore. O abate das tílias de S. Lázaro mostra porém que, desse ponto de vista, o simpósio de pouco serviu.

30/07/2007

Cortina rasgada



A Avenida AEP, outrora Via Marechal Carmona, permitia, não há muitos anos, que nela circulassem peões e bicicletas: era então possível ir a pé, em pouco mais de meia-hora, da Rotunda da Boavista à Senhora da Hora, em Matosinhos. E o caminho, apesar de cruzar uma zona industrial, nem era desagradável de todo: a sombra dos plátanos era generosa, e a via para peões e ciclistas estava bem resguardada do restante tráfego. Mas aos poucos tudo foi mudando: a avenida passou a ser parte de um IC, mais tarde renomeado A28, construíram-se acessos e nós de auto-estrada, abriram-se passagens desniveladas, eliminaram-se passeios. Hoje, a ex-avenida é apenas uma peça adicional da cada vez mais apertada muralha rodoviária que cerca a cidade e nos obriga a usar o automóvel até em pequenas deslocações. Com a promoção à categoria de auto-estrada, surge em 2005 a inevitável ideia do alargamento: de momento, em Portugal, auto-estrada que se preze tem no mínimo três faixas em cada sentido; contudo, esse é apenas um estádio intermédio, altamente provisório, na cadeia evolutiva que nos levará às quatro, cinco ou sabe-se lá quantas mais faixas.

Na altura, eu e os meus colegas da Campo Aberto escrevemos a várias entidades (Estradas de Portugal, Instituto do Ambiente, Vereadores do Ambiente e do Urbanismo da Câmara do Porto), manifestando preocupação pelo destino dos mais de 100 plátanos adultos da ex-avenida, e pedindo informações adicionais sobre o projecto. Como é hábito em Portugal, não nos chegou qualquer resposta, mas também não voltámos a ouvir falar do projecto. Notícia recente no JN assegura-nos que ele não foi abandonado - o que só mostra como por cá as más ideias resistem facilmente às mudanças de governo. Quanto aos plátanos, uma fonte (não de água, mas falante) da empresa Estradas de Portugal terá dito o seguinte: «Apesar de ser feito um esforço no sentido de preservar a cortina arbórea existente ao longo de parte do IC1, será necessário afectar algumas dessas árvores para permitir a articulação da rede viária de cariz mais local.»

Não há que enganar: os rasgões na cortina hão-de ser grandes e sem remendo possível. Mas, como de nada serve enviar nova carta, limito-me a reproduzir textualmente, sem omitir nomes, aquela que a Campo Aberto enviou em Março de 2005 à Estradas de Portugal, E.P.E. (as outras três cartas tinham teor semelhante). Não vejo razão para lhe mudar sequer uma vírgula, e pode ser que desta vez alguém a leia.



......................................................Exm.º Senhor
......................................................Presidente do Conselho de Administração
......................................................EP - Estradas de Portugal, E.P.E.
......................................................Praça da Portagem
......................................................2809-013 ALMADA

.......Porto, 3 de Março de 2005

.......Assunto: alargamento da Avenida AEP (Porto)

.......Exm.º Sr. Engº António Carlos Laranjo da Silva,

.......Foi noticiado no jornal O Primeiro de Janeiro de 18 de Fevereiro de 2005 que está em estudo um possível alargamento da Avenida AEP, abrangendo o lanço da IC1 entre o Nó de Francos (concelho do Porto) e a Ponte de Leça (concelho de Matosinhos). O projecto, segundo a notícia, encontra-se em discussão entre a EP – Estradas de Portugal e as autarquias do Porto e Matosinhos para «acerto de pormenores», prevendo-se o seu envio ao Instituto do Ambiente, para análise do impacto das alterações propostas, até ao Verão do corrente ano. O Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas, Eng. Jorge Costa, em declarações ao mesmo jornal, afirmou acreditar que a obra seja lançada e adjudicada no início de 2006.
.......A associação Campo Aberto vem manifestar a sua extrema preocupação pelas possíveis consequências desta empreitada no troço da Avenida AEP incluído no concelho do Porto. Esta estrutura viária, que corresponde à antiga Via Marechal Carmona e divide ao meio a zona industrial de Ramalde, foi construída na década de 1950 segundo o Plano Regulador da Cidade do Porto da autoria de Antão de Almeida Garrett. Acompanhando de ambos os lados a zona industrial, existe uma arborização contínua e homogénea, formada por mais de uma centena de plátanos de grande porte com cerca de cinquenta anos de idade. Até há poucos anos essa arborização estendia-se por toda a antiga Via Marechal Carmona, mas o desnivelamento do seu troço final levou ao arranque das árvores entre o viaduto de Antunes Guimarães e a rotunda AEP. Pelo seu número, pelo porte saudável que exibem, pelo seu valor paisagístico e ambiental, os plátanos sobreviventes constituem um património natural a preservar a todo o custo. Embora a notícia suscite dúvidas, pois fala de um alargamento para três faixas em cada sentido quando de facto tais faixas já existem (embora uma delas seja para transportes públicos), queremos deixar bem claro que consideramos o alargamento dessa via, e consequente abate de ainda mais árvores, como um atentado lesa-património que nenhum estudo de mobilidade viária pode justificar.
.......Há um outro aspecto do projecto divulgado que nos deixa perplexos: a construção de dois novos viadutos sobre esse troço da Avenida AEP, que ficaria com nada menos que três viadutos numa extensão de poucas centenas de metros. É pouco crível que as necessidades de deslocação entre as duas metades da zona industrial, que não registou expansão visível nas últimas décadas, justifiquem uma tal profusão de viadutos, construções pesadas que degradam inevitavelmente a paisagem urbana; e, em qualquer caso, é bom lembrar que o actual viaduto já serve o mesmíssmo propósito de conectar os dois pólos industriais.
.......Em conclusão, e considerando que o seu impacto negativo é inteiramente desproporcionado dos possíveis ganhos em fluidez de tráfego (que são sempre provisórios, pois maiores facilidades de circulação atraem sempre mais automóveis), somos enfaticamente contra a anunciada intervenção no troço portuense da Avenida AEP, tanto no que toca ao seu possível alargamento como à construção dos viadutos – os quais, se o alargamento não o fizer, também obrigariam ao sacrifício de numerosos plátanos, e ao consequente rompimento da continuidade paisagística desses dois alinhamentos arbóreos, notáveis apesar da amputação que sofreram no troço final da Via.
.......Vimos solicitar a V. Ex.ª que, com a brevidade possível, nos sejam facultadas informações detalhadas sobre o projecto.

.......Com os melhores cumprimentos,
.......Paulo Ventura Araújo



Fotos de Manuela D. L. Ramos (Março 2005)

28/07/2007

Ter olhos e não ver

Estas árvores -tílias em Ramalde e plátanos no Passeio Alegre - são árvores condenadas. O seu destino foi traçado por pessoas que, apesar de terem olhos não vêem; são incompetentes; aparentemente desconhecem e não cumprem o Regulamento Municipal dos Espaços Verdes (RMEV)- disponível para consulta na página web da CMP (doc) ; gastam o nosso tempo, a nossa paciência e o nosso dinheiro.



O que seria de esperar de qualquer pessoa com um mínimo de bom senso era que não plantasse árvores de grande porte e copa larga em passeios estreitos, a pouca distância de paredes ou outros obstáculos, neste caso dois obeliscos classificados de interesse público (oriundos da Quinta da Prelada)

Fruto de um mau planeamento, estas são árvores condenadas, para seu mal e nosso profundo incómodo, a serem maltratadas, mutiladas, indecentemente podadas. Não, nem todas as histórias têm fim, esta "is a never ending one" .

29/06/2007

Desabafo

de Pedro Santos perante mais um MASSACRE
«O único desabafo que me ocorre, depois de tantas denúncias de casos similares por todo o país, é que a forma como tratamos as árvores diz tudo acerca da nossa falta de civismo enquanto povo.»

08/05/2007

Petição

LISBOA TEM QUE SER RESSARCIDA PELO ABATE DAS ÁRVORES NO CAMPO PEQUENO! «Face ao escandaloso abate levado a cabo pela CML/Espaços Verdes de cerca de 200 plátanos e jacarandás no Jardim do Campo Pequeno, árvores na sua maioria de grande porte, e em nosso entender, em bom estado fitossanitário (dado o levantamento fotográfico das árvores abatidas e dos cotos); vimos pelo presente dar VOZ AO NOSSO PROTESTO, EXIGIR que sejam apuradas RESPONSABILIDADES e que Lisboa e quem nela vive, trabalha e visita SEJAM RESSARCIDOS POR ESTE ABATE.»

imagem do blogue CIDADANIA LX

"la tala"

Pelos vistos continuou o abate das árvores no Campo Pequeno! Da previsão de nenhuma árvore (em 2005) o número passou para 54 depois 97 e actualmente parece que foram 200 os plátanos e jacarandás cortados.
Realmente, somos muito passivos e os nossos protestos, as nossas vozes raramente deixam de ser virtuais.
........................................................................
A propósito, vejam só a manifestação (video no youtube- no ano passado) contra a "tala" das arvores do "Paseo del Prado" assunto que volta a estar na berra. A baronesa Thyssen, no protesto convocado pela Plataforma SOS Passeo del Prado que anteontem de novo saíu à rua, a certa altura, quando entrevistada para a comunicação social, fala mesmo (video), sem o nomear, do caso Avenida dos Aliados-Praça da Liberdade afirmando que o arquitecto "destruíu essa Praça maravilhosa e fez uma coisa moderna", coisa que lá não será permitida.
Mas nós deixámos, assim como permitimos que as árvores do Campo Pequeno fossem abatidas...
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Entretanto recebemos a notícia do lançamento de uma petição com o objectivo de se apurar a responsabilidade pelo abate das árvores.

04/05/2007

"...and my heart has been struck with the hearts of the planes!"

.
The Trees Are Down
"...and he cried with a loud voice: Hurt not the earth, neither the sea, nor the trees"-Revelation

They are cutting down the great plane-trees at the end of
the gardens.
For days there has been the grate of the saw, the swish of
the branches as they fall,
The crash of the trunks, the rustle of trodden leaves,
With the 'Whoops' and the 'Whoa', the loud common talk,
the loud common laughs of the men, above it all.

(...)
It is not for a moment the Spring is unmade to-day;
These were great trees, it was in them from root to stem:
When the men with the 'Whoops' and the 'Whoas' have carted
the whole of the whispering loveliness away
Half the Spring, for me, will have gone with them.

It is going now, and my heart has been struck with the
hearts of the planes;
Half my life it has beat with these, in the sun, in the rains,
In the March wind, the May breeze,
In the great gales that came over to them across the roofs from the great seas.
There was only a quiet rain when they were dying;
They must have heard the sparrows flying,
And the small creeping creatures in the earth where they were lying -
But I, all day, I heard an angel crying:
'Hurt not the trees.'

© by Charlotte Mew
(post dedicado a todos os que sentem uma profunda dor com o abate dos plátanos do Campo Pequeno em Lisboa)

02/05/2007

26/03/2007

Podas no Palácio: resposta da Porto Lazer, E.M.

A Porto Lazer, E.M. respondeu já ao comunicado de imprensa e a uma carta anterior nossa sobre o mesmo assunto. Deixando os comentários para mais tarde, divulgamos para já no blogue Dias sem árvores o texto completo dessa resposta.

23/03/2007

Jardins do Palácio de Cristal: um lamentável caso de má gestão

- comunicado da Campo Aberto à imprensa



A recente e violenta poda realizada na avenida das tílias do Palácio de Cristal, repetindo a asneira cometida há cerca de dois anos, deixou as árvores num estado tal que não pode deixar de chocar os frequentadores e visitantes do mais emblemático jardim portuense. A gestão do espaço tem sido assegurada por uma empresa municipal (a Porto Lazer) sem vocação nem competência para essa nobre tarefa. É urgente que a Câmara Municipal do Porto transfira essa gestão para os serviços do Pelouro do Ambiente – pois é inadmissível que as boas práticas que se observam nos restantes locais públicos da cidade não transponham os portões do Palácio.

Os jardins do Palácio de Cristal são dos locais mais frequentados da cidade e mais visitados por turistas. Um terreno acidentado, disposto em vários patamares, permitiu a criação, num espaço relativamente reduzido, de vários ambientes diferenciados: os jardins formais e geométricos logo à entrada do recinto, as alamedas de plátanos e tílias, o bosquete de camélias nas traseiras da biblioteca Almeida Garrett, o arboreto e a esplanada em redor do lago, os vários miradouros que deixam espreitar o curso do rio Douro desde Miragaia até à Foz.

Além do seu valor turístico, social e ambiental, os jardins do Palácio são importantes pelo seu valor histórico. Criados na década de 1860 por iniciativa de Alfredo Allen, com desenho do paisagista alemão Emílio David, são dos espaços ajardinados mais antigos do Porto: só o Jardim de S. Lázaro é mais antigo, sendo o Jardim da Cordoaria, também de Emílio David, alguns anos mais novo. Mas, enquanto S. Lázaro mantém o seu carácter original, o jardim de Emílio David na Cordoaria foi completamente obliterado pela Porto 2001. O Palácio de Cristal, de onde já desapareceu o edifício que lhe deu o nome, é pois o último espaço público do Porto a conservar alguma da herança dessa figura tão influente na arte dos jardins em Portugal.

Um património tão valioso como este, e um espaço tão marcante para a imagem do Porto (tanto aquela que a cidade tem de si própria como a que oferece aos visitantes), deveria merecer, por parte da Câmara Municipal, os mais desvelados esforços de manutenção e embelezamento. Infelizmente, por razões burocráticas que hoje mal se entendem, os jardins do Palácio de Cristal não estão na dependência nem do Pelouro do Ambiente, nem dos serviços municipais a ele subordinados que têm a missão de cuidar deste tipo de espaços. Tanto o Departamento Municipal de Espaços Verdes e Higiene Pública como a Divisão Municipal de Parques e Jardins não têm qualquer palavra a dizer sobre os jardins do Palácio: quem lá manda é a empresa municipal Porto Lazer, que os herdou do extinto Gabinete de Desporto. Tudo isto seria de somenos importância se os jardins e o seu património vegetal andassem bem tratados; como não andam, a comparação com outros espaços públicos da cidade leva-nos à conclusão inevitável: a Câmara do Porto abdica de usar as competências que tem (em jardinagem, no tratamento de árvores ornamentais, etc.) no mais emblemático jardim à sua guarda. O que se tem passado no Palácio de Cristal é uma combinação nefasta de incompetência e negligência.



O caso mais flagrante de incompetência é o estado em que ficou a avenida das tílias depois de uma série de podas insensatas, a primeira e mais radical feita há cerca de dois anos e a segunda há duas semanas. No extremo sul da avenida, junto à capela de Carlos Alberto, o que temos não são árvores, mas sim tocos: restos mutilados de árvores, sem utilidade e sem beleza. Não é plausível a justificação de que as árvores estariam doentes, pois a motosserra tanto atacou árvores jovens como adultas, e as feridas que ficaram expostas nos troncos mostram bem como elas estavam saudáveis. Terá sido por receio de as árvores caírem? É que, nos últimos anos, várias tílias têm lá caído empurradas pelo vento. Mas, por ironia, também tombaram árvores que tinham sido podadas preventivamente, o que mostra que tal remédio não é seguro. E se o preço para manter as árvores de pé é reduzi-las a tocos disformes, então mais vale desistirem das tílias e plantarem árvores mais resistentes às intempéries. Não tem sentido manter uma alameda de tílias – árvores ornamentais por excelência, admiradas pela harmonia e simetria das suas copas – neste estado miserável.

Em todo o caso, é importante que a Porto Lazer, E.M. responda às seguintes perguntas:

  1. Foi feito algum estudo fitossanitário que justificasse intervenções tão drásticas como as que foram feitas nas tílias da avenida?
  2. As podas foram acompanhadas por algum técnico de arboricultura credenciado?
  3. A empresa que as executou tem pessoal devidamente habilitado para estas intervenções?
Nas intervenções que os serviços da Câmara têm vindo a fazer em espaços públicos (árvores de arruamento, jardins, etc.), a resposta a perguntas análogas é afirmativa; é que, felizmente, já não é comum ver na cidade (fora do Palácio) árvores tão mal podadas como estas tílias. Que não são, no Palácio, as únicas vítimas deste tipo de tratamento: no final de 2004, os jovens choupos na encosta que desce para Massarelos sofreram um podão que apenas lhes deixou os troncos.

Outros casos mais ou menos recentes são indicativos de negligência. Em 2003, foi instalado um sistema automático de rega no jardim formal à entrada; na abertura dos regos usou-­se uma escavadora e não houve a precaução de não se cortarem raízes; em resultado disso – e talvez também do excesso de água – várias árvores e arbustos vieram posteriormente a perder­-se.

Os vários jardins temáticos estão ao abandono. O Jardim dos Sentimentos, construído num socalco voltado para a rua da Restauração e inaugurado em Janeiro de 2001, embora parta de uma ideia interessante (divulgar alguma da simbologia associada às plantas) e faça uso de um espaço antes desaproveitado, tem por base um mau projecto. Todo o jardim assenta numa placa de cimento; e, entre tanques de água estagnada e caminhos em zigue-zague, sobram uns canteiros estreitos, de pequeníssima profundidade. As plantas que têm morrido – e têm sido quase todas – não são substituídas, e as etiquetas também já desapareceram: o efeito geral é desolador. Melhor sorte poderia ter tido o Jardim dos Cheiros, pois aí as condições não são tão adversas para as plantas; mas o abandono a que foi votado transformou-o num matagal onde há mais vegetação daninha do que plantas aromáticas. Finalmente, há o caso caricato do Jardim de Roterdão: inaugurado em 2001, ano em que essa cidade holandesa partilhou com o Porto o título de Capital Europeia da Cultura, foi concebido como um jardim para flores sazonais, mas está hoje convertido num triste relvado.

A gestão dos jardins do Palácio de Cristal não tem estado à altura da importância patrimonial, histórica e social desse lugar único da cidade do Porto. E é à Câmara Municipal do Porto, através do seu Pelouro do Ambiente, que cabe resolver o problema.

Porto, 23 de Março de 2007

P.S. Veja fotos da poda de 2005 no blogue A Cidade Surpreendente

23/02/2007

Jardins de inferno

espaços onde custa respirar


"Poda" de plátanos em Lagoa, freguesia de Aboim, concelho de Fafe (fotos de Alexandre Leite)
.
Em 1875 (sim, leram bem: 1875!), José Duarte de Oliveira Júnior, a propósito do que apelidou "hecatombe de 23 de Fevereiro", escrevia:
«Supomos que não haverá ninguém que, por mero divertimento ou para matar o tédio, tome da pena como arma ofensiva e venha para a imprensa agredir um indivíduo ou ofender uma corporação. Quem tal fizesse teria dado provas da baixeza do seu carácter ou da perversidade do seu talento.
Esta é a nossa maneira de pensar, esta a nossa maneira de proceder. Censurar não é atacar violentamente e quando censuramos é com maior pesar e por vezes com a máxima repugnância, porque a nossa aspiração constante seria elogiar sem sair dos limites do justo.

Há todavia certos factos perante os quais é quase uma vergonha o silêncio. O que ultimamente tem sucedido com a jardinagem portuense* está clamando não diremos vingança, mas um protesto selene. É o que fazemos: protestamos. Julgamos isso um dever.
A jardinagem de uma cidade é um ramo importante do serviço público e deve merecer todo o cuidado da câmaras municipais. O vereador encarregado deste pelouro não deve ignorar tão completamente os rudimentos de horticultura que deixe praticar as maiores arbritariedades ao pessoal que lhes obedece. Quando o município não tem empregados peritos e suficientemente ilustrados, é necessário que o director do pelouro tenha o senso comum suficiente para consultar as pessoas entendidas e deixar-se guiar pelos seus conselhos. p. 97(...)
Veja-se quanto não pode a ignorância e os entendimentos de verdadeiros vândalos! Muito de propósito, para que os vindouros possam avaliar os actos de selvajaria que se praticavam nos fins do século XIX na ditosa pátria minha amada, mandamos fazer estes desenhos, que falam mais ao vivo do que qualquer minuciosa descrição. Em face deste vandalismo poderíamos realmente ficar silenciosos? p. 99
(...)»
José Duarte de Oliveira Júnior, “Crónica Hortícola-agrícola”, Jornal de Horticultura-Prática, Vol. VI, 1875 (ler versão on line > imagens 55 e 56 )

NB *Substituir portuense pelo gentílico correspondente à localidade onde continuam a ser praticados impunemente os actos de selvajaria que este blogue, e este, e este , e este (entre outros) têm vindo a denunciar.

09/02/2007

Vidas curtas

Na caricatura corrente, uma vida em pleno define-se pela consumação de três actos: deixar descendência, publicar um livro e plantar uma árvore. Não se sabe se a repetição de um deles pode compensar a falta de algum dos outros dois. Cada um dos três actos traduz um modo, quiçá ingénuo, de nos irmos da lei da morte libertando: ou pela memória dos familiares, ou pela inscrição do nome na capa de um livro, ou pela árvore que atravessa gerações.

A realidade, como sempre, é mais complicada. No rodopio das novidades livreiras, a imortalidade da letra impressa, para o comum dos esperançosos autores, não vai além das três ou quatro semanas; enterrados em armazéns, os livros ressuscitarão esporadicamente por ocasião das feiras, até que o pó do esquecimento os cubra de vez. Para o autor, se a sua editora cumpriu o preceito do depósito legal, restará o consolo de encontrar o seu nome no catálogo da Biblioteca Nacional.

A árvore, embora mais duradoura, útil e memorável do que a maioria dos livros, está sujeita a contingências que muito lhe encurtam a esperança de vida. Uma delas, que nos últimos anos tem estado sobremaneira activa no Porto, chama-se requalificação urbana: caracteriza-se por uma instabilidade crónica do cenário citadino, causada por requalificadores com uma ânsia neurótica de mudança igual à que aflige donas de casa ricas e desocupadas. Árvores que não encaixem no mais recente figurino, quais peças de mobiliário démodées, entram na dança dos abates e transplantes. Veja-se o caso da praça da Batalha: em 2001, à frente da escadaria da Igreja de Santo Ildefonso, abriu-se amplo terreiro de granito; mitigando a monotonia estéril da pedra, foram plantados, em dois canteiros laterais, quatro liquidâmbares e uma variedade de pequenos arbustos. Insatisfeitos com o arranjo de há meia-dúzia de anos, eis que regressam à cena os afanosos requalificadores: um dos canteiros já não existe, e com ele sumiram duas das quatro jovens árvores; seis anos foi o prazo de vida que lhes foi concedido.



Dir-se-á então que, em Portugal, quem quiser «perpetuar-se» numa árvore deverá, se puder, fazê-lo num recanto privado e não em espaço público. Mas os jardins privados nos bairros mais acolhedores do Porto (Campo Alegre, Gomes da Costa) não têm sobrevivido à mudança de gerações. Os novos ocupantes, insensíveis ao privilégio de serem proprietários de árvores adultas, mandam de pronto cortá-las, com o aval da Câmara, para que elas não atrapalhem as obras de reconstrução. Para lá dos muros da rua D. João de Castro, mesmo em frente a Serralves, são cada vez mais esparsas as silhuetas de árvores: em poucos anos, vi desaparecerem araucárias, pinheiros, lodãos, salgueiros e magnólias. À lista de baixas na vizinhança junta-se agora um rododendro no largo de D. João III: tão alto como a casa que embelezava, vivia onde agora assenta o guindaste, e era dos mais bonitos que alguma vez vi.

30/01/2007

Apelo

«(...) É por isso que, sem sobrancerias mas com humildade, apelo aos meus colegas, sobretudo aos professores de ciências, para evitarem a mutilação das árvores nas escolas portuguesas. Não se pode pregar a defesa das árvores dentro da sala de aula, inclusive comemorar o Dia da Árvore, e depois permitir que se faça, fora da sala, o que a seguir retrato com fotografias. (...)» Pedro Santos in Pedagogias
Publicado tambem no Dias sem árvores

17/01/2007

A ler

A propósito desta selvajaria e de todas as outras!
Os miseráveis (carta aberta em forma de desabafo)
por Pedro Nuno Teixeira Santos
«(...) Escrevo esta carta aberta porque estou cansado; cansado de escrever em jornais e em blogues; cansado de um país e de um povo que não tem a sensibilidade e a inteligência para defender o que é seu, isto é, o pouco património construído e natural que ainda nos resta...pobre povo, pobre país!
Estou cansado de ver crimes por punir e de ver a passividade de quem não protesta. (...)»

Selvajaria

Rolagem e abate de plátanos na Covilhã
É lastimável continuarem a abundar casos como este, prova de ignorância e insensibilidade -enquanto rareiam as boas práticas- como por exemplo o trabalho conduzido por técnicos habilitados, de diagnóstico e poda cirúrgica das árvores do monte da Penha!

Até quando se vai continuar a permitir este tipo de actuação?
Senhores arboricultores não estará na altura de se fazer mais alguma coisa? De se levar este assunto à Assembleia da República? Uma vez que parece não haver iniciativas partidárias, para quando uma recolha de assinaturas exigindo legislação que impeça e puna estes actos de vandalismo? Estamos à espera!

Fotos enviadas por Pedro Santos do Sombra Verde.
Ler os seus comentários sobre mais este caso de selvajaria
aqui e aqui.



Rolagem e abate de plátanos na estrada N230 entre a Covilhã e o Tortosendo

Mais fotografias no Dias sem árvores

03/01/2007

Dias sem árvores- Castro Marim

No Sotavento algarvio: Novo empreendimento vai destruir única mancha verde de Castro Marim 02.01.2007 - 18h13 PUBLICO.PT > (alerta enviado por uma leitora do blogue)

«A associação Almargem denunciou hoje a destruição da única mancha verde da zona costeira do concelho de Castro Marim, para onde está prevista a construção do empreendimento Verdelago, classificado como Projecto de Interesse Nacional.

Estendendo-se desde a Estrada Nacional 125 até ao mar, o empreendimento ? com mais de duas mil camas (hotel, aldeamento, zona de comércio e serviços, estradas e campo de golfe) ? deverá abranger 90 hectares de floresta, dunas e charcos temporários. Parte tem a protecção europeia da Rede Natura 2000 > .


A Almargem alerta que o projecto "implicará a ocupação e inviabilização da totalidade da última das manchas de pinhal-manso do Sotavento, bem como a fragmentação irreversível de habitats" , alguns dos quais considerados prioritários pela União Europeia. A sua construção levará ainda "à desafectação de algumas dezenas de hectares da Reserva Ecológica Nacional", como zonas húmidas para a construção do campo de golfe e a ocupação de áreas agrícolas.
A Avaliação de Impacto Ambiental "limitou-se a reconhecer o projecto como inquestionável" e deu um "parecer favorável condicionado, que de nada valerá àquele troço único do litoral algarvio". Empreendimento prepara abate de mais de 90 sobreiros e azinheiras
A Almargem pede ao Ministério do Ambiente e à Direcção-Geral de Recursos Florestais para impedirem o abate de mais de 90 sobreiros e azinheiras, espécies protegidas, previsto pelo empreendimento. Segundo a associação, este tem "cerca de quatro vezes mais a capacidade máxima das 600 camas previstas para o sector turístico no Plano Director Municipal [PDM] de Castro Marim".

(...) Nos últimos anos, a faixa marítima do concelho de Castro Marim, que se estende por 3,5 quilómetros, tem vindo a ser ocupada por empreendimentos urbano-turísticos que "ocuparam e fragmentaram uma área considerável da mancha florestal conhecida como Pinhal do Gancho e que constitui o prolongamento ocidental da Mata Nacional das Dunas de Vila Real de Santo António (Mata de Monte Gordo)". "Do pouco que resta, a área do empreendimento VerdeLago constitui a última grande mancha verde contínua de toda esta região litoral e, como tal, a prioridade deveria ser a sua preservação e não o contrário", conclui. »

08/12/2006

A reler


«5 ideias falsas sobre as "podas" radicais ou rolagens» (excertos) pelo Dr. Francisco Coimbra
Infelizmente, continua a ser preciso divulgar.

A propósito dá-se a conhecer um novo blogue sobre o assunto: A PODA (com ph) das árvores Ornamentais.

Aparte: agrada-me de sobremaneira que seja iniciativa de alguém da área... (já nao era sem tempo). Espero que entenda que para ter visibilidade e, consequentemente, alguma influência tem que cumprir uma das "regras" mais interessantes da blogosfera: "linkar". Só assim se podem criar redes de comunidades que partilham interesses. Quem não linka não dá sinal da sua existência (pois nao aparece nos motores de busca).
É que por vezes se criam expectactivas que nao se cumprem.

03/10/2006

Tristes choupos

revisitados - a propósito das obras de requalificação da Avenida de Mouzinho de Albuquerque na Póvoa de Varzim.
Segundo notícia vinda ontem a público,«(...) o arranque será, todavia, especialmente traumático para quem aprecia o corredor frondoso formado pelas 108 árvores (sobretudo choupos) que serão abatidas. Mendes Leal disse que a intervenção prevê a colocação de 77 espécies "mais apropriadas" (pimenteiras-bastardas, castanheiros-da-Índia, catalpas, plátanos e magnólias) e a grande maioria também terá uma dimensão razoável, ficando as raízes inseridas em caixas subterrâneas. (...)»

Poderá com efeito ser eventualmente traumático para quem aprecia a sombra, mas não para quem gosta realmente de árvores. Para os que como nós ficam doentes com o triste espectáculo daqueles choupos repetidamente mutilados por podas inadequadas, a sua remoção vai ser um alívio!

E, evidentemente, espera-se que as espécies escolhidas para a rearborização da zona sejam mais apropriadas. (Mas plátanos, senhor vereador? Não irão repetir a asneira que se fez cá no Porto ainda há bem pouco tempo? )
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