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12/07/2009

Buganvílias

Bougainvillea-Braga-0607
Em cima- uma das buganvílias do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga
Em baixo- exemplar de cor pouco comum, na Rua Vieira Portuense,em Lisboa
Bougainvillea Bougainvillea
Fotos © manueladlramos

O nome desta viçosa trepadeira deve-se ao explorador e naturalista francês Philibert Commerson (1727-1773) > que, em 1766, embarca -com a sua companheira Jeanne Barret disfarçada de criado- na viagem de circum-navegação comandada por Louis Antoine de Bougainville > .

Sobre Commerson, o modo como partilhava as novíssimas plantas que ia encontrando e o baptismo da buganvília, Lucille Alorge > e Olivier Ikor escrevem no livro La fabuleuse odyssée des plantes (2003):
«Toute l'humanité du personnage, sa générosité, son désir fervent de faire partager aux autres sa passion pour sa science se lisent dans la manière, on pourrait dire "dans le style", de Commerson herborisant. De ses récoltes il fait systématiquement plusieurs parts de chaque plante. jusqu'à vingt, afin de les distribuer non seulement au Jardin du Roi, mais aussi à tous les grands herbiers européens. Ces plantes il ne les nomme pas au hasard des hommages obligés à faire aux membres de l'expédition, aux ministres ou à ses amis, mais en cherchant des correspndences poétiques ou amusantes entre le végétal découvert et la personnalité de son dédicataire. Ainsi cet arbrisseau sarmenteux grimpant, à feuilles persistantes découvert aux environs de Rio qui pousse à plusieurs mètres de haut et de large pour éclater en une masse de fleurs d'un violet délicat ou d'un intense carmin ne pouvait que convenir aux caractère chaleureux mais tenace, plein de panache mais aussi de finesse du chef de l'éxpédition. Commerson, par ce trait de génie, avait lié dans un même destin le marin des Lumières et la plus lumineuse des plantes ornamentales, la bougainvillée (Bougainvillea spectabilis). Bougainville ne s'y trompa pas et quand, de retour en France, on lui demanda quelle trace il voulait laisser dans l'Histoire, il répondit joyeusement: "Eh bien! Je mets l'espoir de ma renommée dans une fleur."» (p.355)

21/06/2008

Jardins japoneses

Foi anunciado em Lisboa, no final de 2004, que iria abrir ao público em Belém no Verão seguinte um jardim japonês composto por 461 cerejeiras; tratava-se de uma iniciativa da Associação de Amizade Portugal-Japão, apoiada pela Câmara Municipal, para celebrar o 461.º aniversário das relações luso-nipónicas. Em Setembro de 2006, porém, o Jornal de Notícias noticiava que a inauguração não tinha ainda data marcada, apesar de as obras da primeira fase estarem concluídas. É que as cerejeiras revelavam dificuldades em vingar, e a afluência de visitantes ao local poderia prejudicá-las. Além disso, como seria exagerado enfiar 461 cerejeiras num terreno de apenas 6000 m^2 (o que daria 13 m^2 de espaço vital para cada árvore), acabaram por ser plantadas só 170. Não sei se alguma vez houve inauguração, mas de 2006 para cá as coisas foram de mal a pior: como contou António Barreto há duas semanas no Público (pode ler a crónica na Sombra Verde), praticamente todas as árvores morreram. Isso mesmo tinha sido denunciado, em Dezembro de 2007, pelo blogue Cidadania LX, que falava ainda do relvado seco e do sistema de rega inoperante. Um único consolo é possível tirar de tamanho fiasco: por não terem chegado a ser plantadas, houve 291 cerejeiras que não morreram.

O erro mais clamoroso do projecto terá sido o local escolhido para as cerejeiras. Em 2001, no Porto, deu-se um caso semelhante: apesar dos avisos em contrário, plantaram-se oliveiras à beira-mar na requalificada rotunda do Castelo do Queijo, e secaram todas em poucos meses. Cada vez mais - em Lisboa, no Porto e no país - os nossos jardins são planeados por quem nada entende de plantas e de jardinagem; o resultado é o desperdício de dinheiro e o desmazelo no espaço público.

Além do projectista ignorante, há outra figura que explica, desta vez pela ausência, o nosso reiterado insucesso: é o jardineiro. Sem ele, não há Câmara Municipal que consiga manter decentemente os jardins ou espaços verdes inaugurados com pompa e circunstância. Nos países onde essa profissão é acarinhada, os jardins, em vez de degenerarem em caricaturas de si próprios, crescem em beleza e maturidade. Gosto de imaginar que esta estátua no Holland Park, em Londres, à qual só falta um carrinho de mão, é uma homenagem aos jardineiros que lá trabalham ou trabalharam, e a quem se deve a beleza serena de lugares como o Jardim de Quioto.



O Jardim de Quioto existe desde 1991. É um simples lago com cascata rodeado por um caminho e por meia-dúzia de árvores: tulipeiro, bétula, pinheiros, áceres arbóreos e arbustivos. Há rochas, maciços de azáleas, uma sebe mista, quatro ou cinco bancos bem espaçados. Cada elemento deste pequeno espaço - seja ele vegetal ou inerte - parece estar no lugar exacto. Mas o jardim que hoje vemos não foi assim criado, completo e imutável, no dia em que se cortou a fita: é um trabalho diário de amor e paciência, feito por quem sabe do seu ofício.




Jardim de Quioto - Holland Park - Londres

08/05/2007

Petição

LISBOA TEM QUE SER RESSARCIDA PELO ABATE DAS ÁRVORES NO CAMPO PEQUENO! «Face ao escandaloso abate levado a cabo pela CML/Espaços Verdes de cerca de 200 plátanos e jacarandás no Jardim do Campo Pequeno, árvores na sua maioria de grande porte, e em nosso entender, em bom estado fitossanitário (dado o levantamento fotográfico das árvores abatidas e dos cotos); vimos pelo presente dar VOZ AO NOSSO PROTESTO, EXIGIR que sejam apuradas RESPONSABILIDADES e que Lisboa e quem nela vive, trabalha e visita SEJAM RESSARCIDOS POR ESTE ABATE.»

imagem do blogue CIDADANIA LX

"la tala"

Pelos vistos continuou o abate das árvores no Campo Pequeno! Da previsão de nenhuma árvore (em 2005) o número passou para 54 depois 97 e actualmente parece que foram 200 os plátanos e jacarandás cortados.
Realmente, somos muito passivos e os nossos protestos, as nossas vozes raramente deixam de ser virtuais.
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A propósito, vejam só a manifestação (video no youtube- no ano passado) contra a "tala" das arvores do "Paseo del Prado" assunto que volta a estar na berra. A baronesa Thyssen, no protesto convocado pela Plataforma SOS Passeo del Prado que anteontem de novo saíu à rua, a certa altura, quando entrevistada para a comunicação social, fala mesmo (video), sem o nomear, do caso Avenida dos Aliados-Praça da Liberdade afirmando que o arquitecto "destruíu essa Praça maravilhosa e fez uma coisa moderna", coisa que lá não será permitida.
Mas nós deixámos, assim como permitimos que as árvores do Campo Pequeno fossem abatidas...
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Entretanto recebemos a notícia do lançamento de uma petição com o objectivo de se apurar a responsabilidade pelo abate das árvores.

02/05/2007

28/03/2007

Árvores Classificadas de Interesse Público- Novidades

post reeditado
  1. No site da Direcção-Geral dos Recursos Florestais já se pode pesquisar por distrito as árvores Classificadas de Interesse Público.
  2. «A Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito da comemoração da Semana da Primavera (...), lançou no dia 25 de Março o primeiro roteiro online sobre árvores Classificadas de Interesse Público em Lisboa, fruto de um trabalho de pesquisa, actualização e georeferenciação, em coordenação com a entidade tutelar - Direcção-Geral de Recursos Florestais.»
    Na página Lisboa Verde (do site da CML) encontra-se um muito útil «mapa geral de localização da árvores Classificadas de Lisboa assim como vários percursos virtuais, organizados no tempo e no espaço, destinados à promoção de uma prática adequada à descoberta e exploração das mesmas.»
    (via jardinando sem parar )

Relativamente ao Porto, pode ver-se aqui e aqui a fotografia e a localização das árvores classificadas da cidade. Sabemos haver o propósito, por parte da autarquia, de também se publicar um roteiro dedicado a estes "monumentos vegetais". Enquanto isso não acontece, sugerimos o Mapa Verde (publicado pela Campo Aberto e que pode ser adquirido na sede da Associação ou via mail ), em que as árvores e conjuntos arbóreos classificados da cidade estão assinalados.

25/09/2006

Nos jornais- "Árvores da capital vão ter BI"

No JN-Uma boa iniciativa que deveria ser norma.

«Quem passa pelo jardim lisboeta do Príncipe Real não fica indiferente a um monumental cedro do Buçaco, que faz a maior sombra natural da cidade. É uma das 87 árvores classificadas da capital que em breve terão "bilhete de identidade" (BI).
Dos milhares de árvores da cidade, 87 estão protegidas por lei por se distinguirem pela sua beleza, raridade ou importância histórica, segundo dados da Direcção-Geral de Recursos Florestais (
DGRF), a quem cabe atribuir a classificação de Interesse Público. Para dar a conhecer estes exemplares, a Câmara de Lisboa vai criar uma espécie de BI para cada árvore classificada, segundo o vereador do Ambiente, António Prôa.
"Será uma identificação informal sobre a espécie da árvore, o nome vulgar, localização e dimensão, entre outros aspectos, que permitirá aos munícipes saber um pouco mais sobre cada exemplar", disse fonte do gabinete do vereador.
Em Portugal estão classificadas de Interesse Público pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais 346 árvores isoladas e 62 arvoredos.
A classificação pode ser proposta por particulares ou autarquias à DGRF, a única entidade que pode classificar ou desclassificar as árvores.»

Para quando a mesma iniciativa para as árvores isoladas e conjuntos arbóreos classificados do Porto? Nenhuma delas se encontra devidamente identificada no local, e roteiro com a sua sinalização apenas conhecemos o Mapa Verde, editado este ano pela Campo Aberto, que refere as árvores património /"heritage trees" da cidade.

Por que não há mais autarquias a propôr a classificação de árvores monumentais e históricas? Será que não sabem que o podem fazer? Precisam de sugestões? Não faltariam decerto.
Aqui fica, por exemplo, o apelo de Pedro Santos do blog Sombra Verde, para a preservação e classificação de três plátanos monumentais na Covilhã.

Ver: Classificação de Árvores como sendo de Interesse Público (in http://www.portaldocidadao.pt/PORTAL/pt)