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12/09/2009

The stone stood still


Braga (Bom Jesus)

The more dead and dry and dusty a thing is the more it travels about (...). Fertile things are somewhat heavier, like the heavy fruit trees on the pregnant mud of the Nile. In the heated idleness of youth we were all rather inclined to quarrel with the implication of that proverb which says that a rolling stone gathers no moss. We were inclined to ask, 'Who wants to gather moss, except silly old ladies?' But for all that we begin to perceive that the proverb is right. The rolling stone rolls echoing from rock to rock; but the rolling stone is dead. The moss is silent because the moss is alive.

G.K.Chesterton, Heretics (1905)

12/07/2009

Buganvílias

Bougainvillea-Braga-0607
Em cima- uma das buganvílias do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga
Em baixo- exemplar de cor pouco comum, na Rua Vieira Portuense,em Lisboa
Bougainvillea Bougainvillea
Fotos © manueladlramos

O nome desta viçosa trepadeira deve-se ao explorador e naturalista francês Philibert Commerson (1727-1773) > que, em 1766, embarca -com a sua companheira Jeanne Barret disfarçada de criado- na viagem de circum-navegação comandada por Louis Antoine de Bougainville > .

Sobre Commerson, o modo como partilhava as novíssimas plantas que ia encontrando e o baptismo da buganvília, Lucille Alorge > e Olivier Ikor escrevem no livro La fabuleuse odyssée des plantes (2003):
«Toute l'humanité du personnage, sa générosité, son désir fervent de faire partager aux autres sa passion pour sa science se lisent dans la manière, on pourrait dire "dans le style", de Commerson herborisant. De ses récoltes il fait systématiquement plusieurs parts de chaque plante. jusqu'à vingt, afin de les distribuer non seulement au Jardin du Roi, mais aussi à tous les grands herbiers européens. Ces plantes il ne les nomme pas au hasard des hommages obligés à faire aux membres de l'expédition, aux ministres ou à ses amis, mais en cherchant des correspndences poétiques ou amusantes entre le végétal découvert et la personnalité de son dédicataire. Ainsi cet arbrisseau sarmenteux grimpant, à feuilles persistantes découvert aux environs de Rio qui pousse à plusieurs mètres de haut et de large pour éclater en une masse de fleurs d'un violet délicat ou d'un intense carmin ne pouvait que convenir aux caractère chaleureux mais tenace, plein de panache mais aussi de finesse du chef de l'éxpédition. Commerson, par ce trait de génie, avait lié dans un même destin le marin des Lumières et la plus lumineuse des plantes ornamentales, la bougainvillée (Bougainvillea spectabilis). Bougainville ne s'y trompa pas et quand, de retour en France, on lui demanda quelle trace il voulait laisser dans l'Histoire, il répondit joyeusement: "Eh bien! Je mets l'espoir de ma renommée dans une fleur."» (p.355)

17/11/2006

Hospedaria Carvalho



No Bom Jesus do Monte, em Braga, há carvalhos carregados de séculos. Já não seriam jovens quando, há mais de 150 anos, Camilo os visitava em estirados passeios a cavalo, recolhendo cenários e peripécias para as suas novelas; agora que os visitantes chegam de carro aos milhares e as árvores exóticas dominam o parque, os carvalhos caminham para a decrepitude. Que fosse ao menos uma velhice sossegada, um lento decair para a morte; mas a pelo menos dois deles a natureza e a negligência dos homens negaram esse santo fim, obrigando-os a carregar hóspedes indesejados que lhes sugam a seiva já escassa. Trata-se de uma forma de parasitismo a que podemos achar graça no caso da palmeira empoleirada no choupo, árvore que mesmo sem tal apêndice teria sempre vida curta; mas é uma indignidade fazer dos veneráveis carvalhos do Bom Jesus simples porta-enxertos para espécies menos nobres. No tronco de um deles (foto da esquerda) germinou um pinheiro que atinge já envergadura respeitável: a cada dia que passa este centauro arbóreo é mais pinheiro e menos carvalho. Mas o pinheiro é pelo menos uma árvore da nossa flora; ao outro hospedeiro involuntário saiu-lhe em sorte um falso-incenso (Pittosporum undulatum), árvore australiana de vocação expansionista. Vegetando este carvalho no jardim central à frente do hotel, compreende-se mal que os jardineiros não tenham atalhado o fenómeno à nascença. Talvez tenham até gostado do efeito, o que só revelaria um senso estético embotado.

28/07/2006

Passeio de Verão - Braga

Lago e Mata do Parque Natural do Bom Jesus do Monte

«O Bom Jesus é um sítio paradisíaco, superior na disposição da paisagem, na abundância e variedade da vegetação, no canto das aves e das fontes, aos mais famosos santuários de Itália.(...) » Teixeira-Gomes *

«No Verão, um grande número de portugueses vêm aí fruir um dos mais belos panoramas do mundo, com esplanadas encantadoras e veredas admiravelmente traçadas através de uma ampla floresta. (...) » Saint- Victor*
*citados por Sant'anna Dionísio in Guia de Portugal IV (Entre Douro e Minho II) , F. Calouste Gulbenkian

Fotos © manueladlramos - Julho 2006





















Um local a revisitar impreterivelmente, com o "trabalho de casa" feito- o que não aconteceu no domingo passado. Antes de lá voltar, gostava de encontrar mais informação sobre os jardins e a mata- constituída por árvores de porte assinalável como carvalhos, sobreiros, tílias, faias, sequóias (últ. imagem), etc..
Aqui ficam desde já estas fotografias, alguns apontadores-http://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Jesus, Parque Natural do Bom Jesus do Monte , Fotos do Bom Jesus-Braga no Flickr, e um pedido: alguém conhece alguma publicação em que se fale d(as árvores d)o parque do Bom-Jesus?
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Adenda: O Bom Jesus do Monte- por Miguel de Unamuno (1908) (pdf)

25/11/2005

Árvores da Casa do Passadiço

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Há dois anos, tive que "fazer horas" na zona mais antiga de Braga e deambulei como é meu costume nas cidades: procurando as árvores das quais avisto apenas o cimo da copa ou os ramos entre as casas. As descobertas são sempre agradáveis: casas antigas, jardins, pequenos largos.

Nessa tarde cinzenta de Novembro o resultado foi surpreendente e começou logo no pequeno Largo São João do Souto onde, em vez de castanheiros ou carvalhos, encontrei duas magníficas árvores na chamada Casa do Passadiço: um tulipeiro (Liriodendron tulipifera) no auge da sua beleza outonal e uma Ginkgo biloba com a folhagem ainda verde. (ver outra foto aqui)

Na Casa do Passadiço pode mesmo... passar-se e por isso não há entraves à fruição das árvores que aliás se avistam perfeitamente do Largo. (Esta casa senhorial do XVIII que deve o seu nome ao facto de nela existir uma passagem pública está actualmente transformada numa loja de decoração.)



Tulipeiro (Liriodendron tulipifera) Braga- 11.2003

De copa de árvore em copa de árvore fui dar a outro tulipeiro* de porte invulgar nos Jardins do Museu dos Biscainhos , árvore que deverá ter mais de 200 anos. Como já se aproximava a hora de encerramento ao público não tive tempo de visitar o Jardim mas simpaticamente deixaram-me ir espreitar o tulipeiro, não sem antes me advertirem que não poderia tirar fotografias. Nem à árvore? Nem à árvore. Só com autorização. A minha reacção actual para estas directivas provincianas dos nossos ciosos zeladores do património é um grandessíssimo encolher de ombros e só não publico a foto que tirei porque realmente a luz já estava fraquíssima (e entretanto ainda n. lá voltei). .

* Ver algumas fotos desse magnífico tulipeiro e do Jardim (da autoria dum nosso amigo também do Norte).