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28/07/2016

Um voto que conta: Planta Lourinhã!

E se um viveiro municipal (neste caso o da Lourinhã) vocacionado para produzir petúnias e amores-perfeitos se expandisse e diversificasse, passando a produzir carvalhos, medronheiros, rosmaninhos, alecrins, armérias e muitas outras plantas autóctones para usar na recuperação de áreas naturais do concelho? Até a si, que nem vive perto da Lourinhã, parece uma boa ideia. Contudo, a concretização deste projecto, um dos que estão a ser considerados pelo município no âmbito do orçamento participativo local, depende de haver um número suficiente de pessoas que gostem dele e exprimam pelo voto essa preferência. Oxalá os munícipes da Lourinhã façam uma boa escolha, dirá o leitor. A surpresa é que toda a gente em Portugal pode votar, gratuitamente e sem sair de casa, e todos os votos contam por igual.
O prazo para votar no projecto Planta Lourinhã! termina já no domingo, e por isso é melhor despachar-se. Basta enviar um SMS gratuito para o n.º 4343 com a seguinte frase: OPL24 [n.º de identidade] [data de nascimento AAAAMMDD] (exemplo: OPL24 9999999 19740425). A confirmação do voto é imediata. Para mais informações, consulte esta página da Câmara Municipal da Lourinhã e a página do Facebook do projecto.

30/04/2016

Orquídeas portuguesas


Em 2008, José Monteiro publicou um livrinho de 80 páginas sobre as orquídeas silvestres da Beira Litoral. Para muita gente (e para nós também) foi o primeiro contacto com essas flores misteriosas e efémeras que crescem, ignoradas por muitos, um pouco por todo o país. Embora a província sobre a qual Monteiro então se debruçou seja aquela que em Portugal apresenta maior abundância e diversidade de orquídeas, a verdade é que as há desde Trás-os-Montes ao Algarve, sem esquecer os arquipélagos atlânticos; e, ainda que se dêem melhor em substratos calcários, elas não são exclusivas desses habitats.

Faltava pois alargar o âmbito do estudo, estendendo-o ao país inteiro, e é isso que José Monteiro faz neste seu livro acabado de publicar, intitulado, com justeza, Orquídeas Silvestres de Portugal. Não é preciso ressalvas, pois é de Portugal inteiro que se trata: continente, Madeira e Açores (uma das orquídeas que aparece na capa é mesmo endémica deste arquipélago). O autor visitou e fotografou in loco todas as espécies de orquídeas alguma vez assinaladas no nosso país, incluindo algumas de que ele próprio foi o descobridor, e não deixou de fora os raríssimos híbridos que só gente como ele parece ser capaz de detectar. As fotos são excelentes, as descrições são sucintas mas úteis, e a informação adicional (ecologia, época de floração, distribuição) é tão completa quanto se pode desejar.

Em suma, uma obra obrigatória para quem já descobriu ou está em vias de descobrir os encantos da nossa flora silvestre. O livro, que é prefaciado pelo Prof. Jorge Paiva, custa 15€ e pode ser encomendado ao autor pelo endereço jbritesmonteiro@gmail.com

06/10/2015

Sementes de Portugal


Numa época em que a jardinagem quase desapareceu dos nossos espaços públicos (mesmo dos lugares a que, por hábito, continuamos a chamar jardins), cabe à iniciativa privada não permitir que Portugal seja o país menos florido da Europa. E a inspiração pode vir-nos dos lugares onde a natureza ensaia, sem a nossa ajuda, as mais inesperadas combinações de cores e formas. Trazer para os jardins as plantas dos campos é a a ideia luminosa que move este projecto de João Gomes, que agora lança o seu catálogo de sementes revisto e aumentado para 2015-16, abrangendo cerca de 400 espécies da nossa flora. Para mais informações, consulte o blogue das Sementes de Portugal.

24/09/2015

Vá aos Açores sem sair de casa


A Ç O R E S

Conhece a vidália? Já viu o pau-branco ou o cedro-do-mato? Já alguma vez encontrou os cubres, a alfacinha ou a erva-do-capitão? Sabe que nos Açores existem quatro orquídeas endémicas? Se vive nos Açores, o portal Flora-On ensina-o a reconhecer as plantas que tem à porta de casa, muitas delas exclusivas do arquipélago. Se mora longe e planeia uma visita, o Flora-On proporciona-lhe uma quase completa antevisão (com fotos, mapas de distribuição e informações ecológicas) da extraordinária e tantas vezes ignorada flora endémica das ilhas.

28/03/2015

Estrela do mar


Asteriscus maritimus (L.) Less.


As falésias do Barlavento algarvio, vistas de cima como só aos pássaros é dado ver, aparecem entre Abril e Maio delineadas com o traço amarelo-vivo das estrelas-do-mar em floração. Pelo menos é assim que nós, que não somos pássaros, as imaginamos; mesmo que o fôssemos, a nossa rota migratória teria cruzado demasiado cedo os céus do Algarve. São tantas as estrelas-do-mar que em qualquer altura do ano há sempre alguma flor que desrespeita o calendário. E não o faz por engano, mas sim obedecendo à prática comercial em que se dá a ler de graça o primeiro capítulo de uma obra, e quem quiser saber a continuação que compre o livro. Aqui trata-se igualmente de capítulos, pois é esse o nome técnico das inflorescências dos malmequeres e demais asteráceas. Vimos inúmeras plantas sem capítulos, vimos capítulos já secos da temporada anterior, e vimos, nas arribas do cabo de São Vicente, com o coração aos pulos, o primeiro, segundo e terceiro capítulos da grande saga de centenas de milhares de capítulos que se prepara para a Primavera de 2015. Fôssemos nós mais abonados de tempo, o engodo teria funcionado na perfeição e o regresso estaria marcado para breve. Ao contrário do que muitas vezes sucede com os livros, não nos sentiríamos enganados, pois o desenvolvimento da história não iria trair, muito pelo contrário, o fulgor dos capítulos preliminares.

Não sendo a zoologia o nosso assunto habitual, o leitor terá notado que não usamos estrela-do-mar para designar um bicho marinho, mas sim a planta que aparece ilustrada nas fotos. Dado ser pequeno o risco de confusão, não é inédito animais e plantas terem iguais nomes vernáculos: um exemplo é dado pelas anémonas, que tanto podem ser do mar como do bosque. A tradução à letra do nome latino Asteriscus maritimus seria estrelinha-do-mar, mas preferimos dispensar o diminutivo. Certo é que este Asteriscus merece designação mais bonita do que o pampilho-marítimo registado em certas obras de referência, e que o nome estrella de mar é já usado em castelhano e em catalão.

Endémica da metade oeste da bacia mediterrânica, a estrela-do-mar é uma planta perene, de base lenhosa, formando as almofadas típicas das plantas que crescem em lugares muito castigados pelo vento, como são as arribas onde costuma fixar-se. A reacção ao ambiente agreste não a levou, contudo, a armar-se de espinhos como fez a sua colega vicentina, igualmente almofadada mas imprópria para nela recostarmos a cabeça. As suas folhas, agrupadas em atraentes rosetas, têm um aspecto acetinado, e os capítulos, que são de um amarelo vivo e surgem em grande profusão, têm cerca de 4 cm de diâmetro.

Homenagem merecida foi a que Chris Thorogood e Simon Hiscock prestaram à estrela-do-mar ao colocá-la na capa do seu livro Field Guide to the Wild Flowers of the Algarve (Kew Publishing, 2014). É uma escolha muito atraente, predispondo-nos de imediato a gostar de um livro que, não sendo isento de defeitos (algumas omissões sérias, meia dúzia de erros de identificação, fraca discriminação entre autóctones e exóticas), está bem ilustrado e bem escrito, com verbetes justos que realmente permitem reconhecer as espécies descritas.


costa algarvia perto de Ferragudo

17/01/2015

O jardim na sala


O desconhecer-se as regras geraes da cultura das plantas e o seu habitat, que é um dos principaes pontos, senão o principal, a que se deve attender quando se transporta para o jardim ou para a sala um vegetal, leva as pessoas menos versadas em horticultura a praticarem operações que julgam optimas, mas que são contraproducentes.
A cultura dos Fetos exige uns certos cuidados e é preciso que o amador tome em consideração o seu habitat. Na distribuição dos vegetais vemos que os esmaltes pertencem aos prados; as plantas arrastadiças e sarmentosas ás montanhas e aos rochedos alcantilados e os Fetos ao sombrio dos arvoredos. Percorrei os umbrosos regatos e ahi os encontrareis, mostrando uma vegetação mais luxuriante do que se fossem rodeados de todos os cuidados da arte.
É extremamente curioso observar-se a maneira como vegeta a maior parte dos nossos Fetos, sahidos das estreitas fendas dos muros, onde parece que deve haver falta de condições essenciais à boa vegetação. Mas este facto da posição quase oblíqua que tomam quando estão completamente entregues nas mãos da natureza, não deve passar indifferentemente ao cultivador.
O snr. Augusto Luso, cavalheiro muito conhecido dos homens que trabalham, porque é investigador incansavel, tem-se ocupado muito dos Fetos, não só sob o ponto de vista scientifico, mas considerando-os tambem horticolamente. Suppomos até que não haverá no paiz herbario de cryptogamicas tão rico como o d'este nosso amigo.
Ora o snr. A. Luso observou que muitos dos Fetos que procurava cultivar, quer em plena terra quer em vaso, depois de serem dispostos na nova habitação que se lhes destinava, começavam a entristecer, a amuar, a crescer pouco, a reproduzir-se mal, morrendo muitas vezes, signal de que estavam sob condições pouco convenientes.
Este facto actuou por tal modo no snr. A. Luso que lhe suggeriu a ideia de fazer uns vasos com uma nova disposição, ideia que reputamos felicissima.
D'esses vasos dão ideia exacta as gravuras 30 e 31. A abertura superior serve para se poder regar a planta, e no fundo deverá haver um ou mais orificios que facilitem a sahida da agua.
Na abertura de cima poder-se-ha dispôr uma planta que não exija posição oblíqua, como se vê na fig. 30.
Em Inglaterra usa-se muito para os Fetos uma especie de rochedos de fórmas caprichosas, feitos de barro, cujos intersticios e cavidades são cheios de terra e ahi dispostas as plantas, imitando-se por meio da arte a natureza.
Damos a gravura de um d'esse rochedos artificiaes (fig. 32), que recommendamos como um magnifico objecto de ornamento para o centro de mezas.
Associadas aos Fetos de pequeno porte podem estar algumas Selaginellas, plantas que casam muito bem umas com as outras.
As condições geraes para a cultura dos Fetos são: dar-lhes sombra, luz diffusa atravez das cortinas e nunca em contacto directo com os raios do sol; uma atmosphera humida quanto seja possivel, o que se obtem por meio de regas frequentes mas parcimoniosas; um solo composto principalmente de detritos lenhosos e de terra muito negra; emfim, uma drainagem bem feita, de modo que a agua tenha a sahida completamente livre. Com estes cuidados os Fetos devem crescer ás maravilhas.
Os Fetos são plantas muito proprias para os quartos onde há quasi sempre meia luz. Accresce que a sua verdura alegra-nos e distrahe-nos: as suas fórmas infinitas e graciosas agradam a todos e fallam ao espirito, não só pelo seu lado util, como pela sua interessante historia. (...)
Não ha hoje uma só dama que não se extasie deante dos representantes d'esta familia e que não sinta desejos de ter alguns no seu boudoir.
Duarte de Oliveira, Junior - O Jardim na Sala (pp. 198-202) - Porto, 1876



José Duarte de Oliveira (1848-1927) foi redactor do Jornal de Horticultura Prática e um dos heróis do nosso livro À sombra de árvores com história. Graças à amabilidade de Patxi Suarez Boada, o livro O Jardim na Sala, publicado por Duarte de Oliveira em 1876, está disponível em ficheiro PDF ao fundo desta página. O exemplar digitalizado está autografado por Alfredo Moreira da Silva (1859-1932), um dos históricos horticultores portuenses da viragem do século XIX para o século XX.

13/11/2014

Sementes de Portugal


Cultivar no jardim as plantas que são nossas, por desde sempre partilharem connosco este rectângulo no limite ocidental da Europa, é contribuir para a reparação de uma injustiça histórica. Quando a manutenção de um jardim vistoso era uma actividade socialmente prestigiada, enchemos o país de plantas exóticas e desdenhámos daquelas que são espontâneas. Colhê-las não custava nada, e portanto não faziam prova de um gosto que só o dinheiro podia sustentar. Agora que a paisagem natural é algo que muitos desconhecem, por que não ajudar as nossas plantas a recuperar o espaço que foi delas, dando-lhe lugar de honra nos nossos canteiros? Se os estereotipados garden centers não nos ajudam, há quem se empenhe em pôr ao nosso alcance os meios (ou as sementes) para levar a cabo tão meritório propósito. Entre árvores, arbustos e herbáceas, são 180 as espécies da nossa flora representadas no catálogo de 2014-15 das Sementes de Portugal.

01/12/2013

Semear Portugal

Em Portugal a jardinagem pública é uma arte perdida, substituída que foi pela rotineira manutenção de bisonhos espaços verdes. Quem quiser usufruir de um jardim colorido ou deita ele próprio mãos à obra ou visita os espaços naturais onde vivem as flores silvestres. As cores primaveris da serra dos Candeeiros ou do Barrocal algarvio (para citar apenas dois exemplos paradigmáticos) podem, na sua exuberância sem artifícios, servir de inspiração ao mais exigente dos jardineiros. Mesmo que a natureza não caiba toda entre os muros de um jardim, podemos ensaiar uma boa imitação, cultivando no nosso terreno as plantas da flora portuguesa com maior aptidão ornamental. Pois é sem dúvida bem mais gratificante termos um jardim que nos recorde os passeios pela serra do que uma coisa postiça preenchida com as novidades holandeses do garden center.

Para nos facilitar a vida, já que de facto as plantas portuguesas não estão à venda em hortos, o projecto Sementes de Portugal preparou um óptimo catálogo de sementes para venda. Só de sargaços e roselhas (como a da foto aí em baixo) já dá para compor um canteiro invejável. Mas a Crix e o João Gomes chegam ao requinte de disponibilizar sementes de plantas raras como a Aristolochia baetica, Cynara algarbiensis, Echinops strigosus, Iberis procumbens, Matthiola sinuata e Phlomis purpurea. A somar a tudo isto, lançaram um blogue que é já de consulta obrigatória para quem se interesse pela nossa flora espontânea.

De que está o leitor à espera para se fazer cliente?


Cistus crispus L.

08/01/2013

Daqui houve nome

apresentação do livro
Lusitanica
de Victor Amador
Um livro curioso, graficamente cuidado, que inventaria centenas de espécies ou subespécies, sobretudo da flora, cujo nome científico contém alguma das palavras lusitanica, lusitanicum, lusitanicus, lusitaniae, lusitanicae, lusitana, lusitanops, lusitanopsis, lusitanus, lusitaniensis ou lusitanosaurus
sábado, 19 de Janeiro de 2013, às 15h00
sede da Campo Aberto
(rua de Sta Catarina, 730-2.º, Porto)

17/11/2012

Flora desprotegida do litoral de Vila do Conde



Sábado, 24 de Novembro, às 16h00
Salão Nobre da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, Porto
(Rua Gonçalo Cristóvão, 187-2.º, junto ao edifício do JN)

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Herdeira da histórica Reserva Ornitológica de Mindelo, a Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde foi criada em Outubro de 2009 pela Assembleia Metropolitana do Porto. Desde então nada foi feito para contrariar o estado de abandono e de efectiva desprotecção dessa valiosa área natural. Para tentar sacudir a letargia oficial, faremos uma apresentação fotográfica comentada da preciosa flora do litoral de Vila do Conde, que inclui várias plantas ameaçadas e outras endémicas de distribuição restrita.

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Esta apresentação insere-se na já tradicional Quermesse de Natal da Campo Aberto, que decorre no mesmo espaço entre as 15h00 e as 19h00, e para a qual estão convidados todos os nossos leitores.



Matthiola sinuata (L.) R. Br. / Spiranthes aestivalis (Poir.) Rich.

09/06/2012

Visita botânica à serra da Estrela


O Município de Seia, através do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), e a Sociedade Portuguesa de Botânica organizam nos dias 7 e 8 de Julho a visita botânica Serra da Estrela, um refúgio para a flora e vegetação de montanha de Portugal, com o seguinte programa:
6 de Julho, sexta-feira
20h00Encontro no CISE e partida para a Casa Colónia nas Penhas Douradas.
7 de Julho, sábado
9h00 às 17h00Realização de um percurso pedestre (Penhas Douradas – Salgadeiras) para a exploração dos principais habitats, comunidades vegetais e das espécies de flora do planalto superior da serra da Estrela.
19h30Jantar de confraternização no Sabugueiro (opcional e não incluído no preço de inscrição), ao que se seguirá um serão d' Aldeia, actividade inserida no plano de animação da rede Aldeias de Montanha.
8 de Julho, domingo
9h00 às 17h00Realização de itinerário em autocarro, pela área do Parque Natural da Serra da Estrela. Durante o trajecto far-se-á um conjunto de paragens, em áreas de interesse para a conservação de habitats e espécies de flora desta área protegida.
O número máximo de participantes é 24. A inscrição – a efectuar pelo endereço electrónico cise@cise-seia.org.pt ou pelo telefone 238 320 300 – custa 15 euros e o alojamento 15 euros por noite. Mais informações aqui (ficheiro PDF).

28/02/2012

Portal da felicidade



Na avenida do Boavista, no Porto, mesmo à frente do Hospital Militar, um condutor imobilizado no trânsito pode aproveitar a espera para esticar o braço e colher uma laranja. Infelizmente, o trânsito citadino não induz ao relaxamento, e os condutores não têm o hábito de descolar os olhos dos semafóros para inspeccionar as árvores que desfilam no separador central da via. É pena. Mesmo que a laranja não seja comestível (quantas toxinas terá ela na sua composição?), o acto de colher a fruta da árvore recupera a nossa primordial e quase esquecida ligação às coisas vivas da terra. As laranjeiras não estão ali para enfeite nem para nos dar sombra. São laranjeiras pedagógicas. Encerram uma lição.

O automobilista é atingido, como São Paulo na estrada de Damasco, por uma revelação que o atordoa; só não cai porque está sentado e pôs cinto de segurança. Quando foi a última vez que se viu diante de uma galinha não depenada nem embalada em celofane? Sabe vagamente que as macieiras dão flores perfumadas, mas não se lembra de alguma vez as ter visto ou cheirado. E as margaridas e as papoilas, que pecados são os dele para estar impedido de ir ao campo admirá-las?

Há que mudar de vida, diz ele para consigo. Nada de muito radical, trata-se apenas de abrir um ou dois furos para respirar no manto de artificialidade que nos sufoca. Não é da Felicidade com F maiúsculo que vamos à procura, mas de algumas felicidades modestas e portáteis com assinalável efeito cumulativo.

Ajuda saber dar nome às plantas, pois quando elas saem do anonimato a paisagem ganha profundidade e ressonância. Nomeá-las pela primeira vez é inaugurar uma relação de amizade que se fortalece a cada reencontro. Ao dar-nos a conhecer os nomes das plantas (e as suas relações de parentesco, e os lugares onde vivem), o portal Flora-On, criado pela Sociedade Portuguesa de Botânica, multiplica a probabilidade de encontros felizes. Por isso o Flora-On é também o portal da felicidade.

Nota. Este texto é inspirado na intervenção de Carlos Aguiar aquando da sessão de apresentação do Flora-On, que decorreu na tarde de 25 de Fevereiro, no Museu Nacional de História Natural, à rua da Escola Politécnica, em Lisboa.

12/12/2011

Salvemos a canforeira

A envolvente da Faculdade de Arquitectura do Porto, entre a rua do Gólgota e a via Panorâmica, é um caos de automóveis estacionados onde calha e como podem. A única preocupação visível das autoridades académicas não foi a de reprimir ou ordenar o estacionamento, mas sim torná-lo mais cómodo para alguns privilegiados. Foi assim que uma árvore mais-que-centenária, uma canforeira (Cinnamomum camphora), se viu convertida em adereço de parque de estacionamento, um trambolho que recusa arredar-se para dar espaço a mais carros. Isto não é bom para a saúde de uma árvore que, em Dezembro de 2004, só não foi classificada de interesse público pela Autoridade Florestal Nacional porque se desconhece quem seja o seu proprietário.

João Pedro da Costa, um amigo das árvores, lançou uma campanha para salvar a canforeira da rua do Gólgota. O que ele pede é fácil de conceder: não que o estacionamento seja proibido, mas que se crie um perímetro de protecção em volta da árvore. Eis uma oportunidade para a escola que forma os nossos arquitectos mostrar que gosta de árvores. Mais informações nesta página do Facebook.

19/11/2011

Quermesse com flores da serra



Data e hora
sábado, 26 de Novembro de 2011, 15h00
Local
sede da Campo Aberto, à rua de Santa Catarina,
730-2.º, no Porto

(perto do cruzamento com Gonçalo Cristóvão)
****
venda e leilão de
produtos artesanais e do comércio justo
****
às 16h00
palestra ilustrada
sobre a flora da serra da Estrela

02/04/2011

Orquídeas à solta

Sábado, dia 9 de Abril, às 15h00
-- auditório do Jardim Botânico do Porto --
(rua do Campo Alegre, 1191)


Ophrys fusca Link / Serapias lingua L. / Orchis italica Poiret

A convite da Campo Aberto, vamos falar de orquídeas - não das que se vendem nas floristas, mas sim das que vivem em espaços naturais de norte a sul do país. Será uma palestra ilustrada com muitas fotos, para a qual estão convidados todos os leitores fiéis ou ocasionais deste blogue.

Além de ouvir a palestra e de passear no Jardim Botânico, o leitor poderá participar em várias outras actividades que a Campo Aberto, em jeito de celebração pascal, preparou para essa tarde de sábado. Mais informações aqui.

12/03/2011

2.ª Exposição de Orquídeas da Cidade do Porto

dias 19 e 20 de Março das 10h às 18h
antigo Conservatório de Música do Porto
(à rua da Maternidade)


05/03/2011

XVI Exposição de Camélias do Porto



No próximo fim-de-semana, dias 12 e 13 de Março, terá lugar na Galeria do Palácio (Biblioteca Almeida Garrett, jardins do Palácio de Cristal) a tradicional Exposição de Camélias do Porto, agora na sua 16.ª edição. Trata-se de uma organização conjunta da Associação Portuguesa das Camélias e da Porto Lazer, E.M. O evento abre ao público às 14h30 de sábado, fechando nesse dia às 20h00. No dia seguinte, domingo, mantém-se aberto entre as 10h00 e as 18h00. (Além de admirar as flores em exposição, o visitante esclarecido não deixará de percorrer demoradamente os jardins, onde, a juntar às muitas que já existiam, foram em anos recentes plantadas dezenas de novas camélias.)

05/02/2011

Curso de Botânica 2011



A sexta edição do Curso de Botânica - Morfologia e Identificação é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Botânica e terá lugar de 25 a 30 de Abril em Barrancos, no Parque de Natureza de Noudar. As inscrições já estão abertas e decorrem até 1 de Abril. O curso é eminentemente prático, inclui várias saídas de campo, e visa proporcionar aos formandos os conhecimentos básicos de morfologia vegetal para identificar a nossa flora espontânea. Eis os objectivos do curso:

  • Fornecer conhecimentos científicos práticos que permitam a identificação de plantas à lupa e no campo.
  • Adquirir as bases teóricas para a compreensão das estruturas morfológicas das plantas.
  • Desenvolver a prática na observação de material vegetal com recurso a instrumentos de observação.
  • Desenvolver a prática na utilização de chaves de identificação, uso de Floras e nomenclatura botânica.
Para mais informações, consulte esta página da Sociedade Portuguesa de Botânica.

29/01/2011

AOSP - Associação de Orquídeas Silvestres - Portugal



As orquídeas são decerto das plantas mais fascinantes e variadas do planeta, mas muita gente julga erradamente que elas são um exclusivo dos países tropicais, e que em países como o nosso, com uma natureza menos luxuriante, elas só podem ser admiradas em cultivo. De facto, em Portugal há cerca de 70 espécies de orquídeas silvestres, distribuídas de norte a sul do território e também nos Açores e na Madeira. Algumas delas são raras e estão em risco de desaparecer; pelo menos duas já estarão extintas.

A recém-fundada AOSP - Associação de Orquídeas Silvestres - Portugal quer contribuir decisivamente para o conhecimento e salvaguarda deste nosso valioso património natural. Quem goste de orquídeas ou se preocupe com a conservação da natureza não deve deixar de juntar-se a este esforço inscrevendo-se como sócio. Informe-se melhor lendo os estatutos da AOSP ou escrevendo para o endereço aospficalhoana(at)gmail.com. A ficha de inscrição pode ser obtida aqui.

ADENDA

  1. Veja aqui quem são os membros fundadores da AOSP. José Monteiro tem vários livros publicados sobre orquídeas silvestres portuguesas e é o responsável por este utilíssimo portal. Luísa Borges e Joaquim Pessoa são os principais autores do blogue Insectos a Florir e têm proferido várias palestras de divulgação sobre orquídeas. Ivo Rodrigues é o autor do blogue Orquídeas além-Tejo. Todos os membros fundadores da associação são profundos conhecedores das nossas orquídeas silvestres e dos seus habitats.
  2. Para pagar a sua quota por transferência bancária deve fazê-lo para o NIB 003508330000687113030. Em caso de transferência online, envie o comprovativo para aospficalhoana(at)gmail.com