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05/03/2011

XVI Exposição de Camélias do Porto



No próximo fim-de-semana, dias 12 e 13 de Março, terá lugar na Galeria do Palácio (Biblioteca Almeida Garrett, jardins do Palácio de Cristal) a tradicional Exposição de Camélias do Porto, agora na sua 16.ª edição. Trata-se de uma organização conjunta da Associação Portuguesa das Camélias e da Porto Lazer, E.M. O evento abre ao público às 14h30 de sábado, fechando nesse dia às 20h00. No dia seguinte, domingo, mantém-se aberto entre as 10h00 e as 18h00. (Além de admirar as flores em exposição, o visitante esclarecido não deixará de percorrer demoradamente os jardins, onde, a juntar às muitas que já existiam, foram em anos recentes plantadas dezenas de novas camélias.)

04/04/2010

Camélia pascal



Domingo de Páscoa, manhã alta, perpassava ao cabo da rua braçada rúbida de camélias. Uma, a mais vermelha, ia o juíz da igreja entalá-la na cruz de prata de guizeiras entre a aspa e o braço do justiçado. E, assim guarnecida, o senhor padre dava a beijar às famílias ajoelhadas Cristo e a Primavera.

Aquilino Ribeiro, Aldeia: Terras, gente e bichos (2010, Bertrand Editora)

28/02/2010

XV Exposição de Camélias do Porto

A tradicional exposição de Camélias do Porto tem lugar na Biblioteca Almeida Garrett (nos jardins do Palácio de Cristal) e é já no próximo fim-de-semana. Eis o programa completo:

Sábado, 6 de Março:
14h30 - Inauguração da exposição e sessão de atribuição de prémios aos concorrentes.
14h30 às 20h00 - Exposição.


Domingo, 7 de Março:
10h00 às 18h30 - Exposição.
11h00 e 15h00 - Visitas guiadas aos seguintes jardins da Universidade do Porto:
* Jardim Botânico (Quinta do Campo Alegre)
* Casa Burmester;
* Círculo Universitário (Casa Primo Madeira)
* Faculdade de Arquitectura (Casa Mendes de Almeida).
As inscrições para estas visitas deverão ser feitas previamente junto da banca da Associação Portuguesa das Camélias (presente no local da exposição).

07/02/2010

Camélias a norte

É animador o número de municípios que têm vindo a perceber que os jardins históricos, privados ou públicos, além do valor patrimonial que encerram, podem funcionar como atractivo turístico. E aqui, no canto noroeste do país, jardim sem camélias é um aleijão e um contra-senso. Celebrando a época de floração do formoso arbusto, são nada menos que quatro os municípios da região a organizar exposições de camélias, com programas que incluem igualmente visitas guiadas a jardins históricos. Eis o calendário das festividades:

  • 27 e 28 de Fevereiro: Lousada - em frente à Câmara Municipal (mais informações);
  • 6 e 7 de Março: Porto - Biblioteca Almeida Garrett (jardins do Palácio de Cristal);
  • 13 e 14 de Março: Celorico de Basto (mais informações em http://www.qualidadebasto.pt/ ou pelo telefone 255320250);
  • 20 e 21 de Março: Guimarães - Fundação Martins Sarmento.
Estas exposições decorrem sem excepção ao fim-de-semana, são inauguradas ao princípio da tarde do primeiro dia (sábado), e no domingo estão abertas ao público durante todo o dia.

31/01/2010

Museu com árvores


Villar d'Allen

Nunca é de mais espremer as boas notícias para equilibrar a amargura das más, mas a verdade é que esta de hoje parece uma reedição, sem tirar nem pôr, de uma outra que aqui divulgámos em Junho de 2006: a histórica Quinta de Villar d'Allen foi classificada como imóvel de interesse público. Na verdade só no passado dia 11 de Janeiro, e não em 2006, é que a classificação do conjunto formado pela casa e pela quinta foi publicada em Diário da República; no período entretanto decorrido a Quinta de Villar d'Allen estava, não propriamente classificada, mas sim em «vias de classificação».

Para assinalar a feliz ocorrência, o caderno Cidades do jornal Público de hoje, domingo, publica uma reportagem, da autoria de Abel Coentrão, onde a importância patrimonial e histórica da quinta é sintetizada de forma exemplar. O mesmo jornalista visitou outras três quintas históricas do Porto - Prelada, Serralves e Jardim Botânico - e sobre elas publicou, no mesmo caderno, três textos breves mas muito informativos (acessíveis só na versão em papel ou em PDF).

Transcrevemos de seguida na íntegra a reportagem do Público sobre Villar d'Allen.

Esta quinta é um museu da cidade... que o Porto não tem
por Abel Coentrão

A arquitecta paisagista Teresa Andresen vê-a como o museu da cidade que o Porto não tem. E entrando nesse lugar, que até já está para lá dessas fronteiras que são a VCI e a Circunvalação, multiplicam-se justificações para que a directora do Jardim Botânico do Porto assim fale sobre a casa e a Quinta de Villar D'Allen, cujo longo processo de classificação como imóvel de interesse público terminou este mês. É que nesta propriedade particular - nas mãos dos herdeiros do fundador, o comerciante inglês João Allen -, sobreviveram aos apetites do tempo marcas de um período relevante da história do Porto, o século XIX.

Villar d'Allen é o Porto dos ingleses, de cuja comunidade João Allen era figura de destaque, tendo participado na fundação da Associação Comercial e do Banco Comercial do Porto. É o Porto liberal como a Constituição assinada por D. João VI em 1822, com a pena guardada nesta mesma casa. É também o Porto romântico, visível no desenho dos jardins da quinta, aumentados e desenvolvidos pelo filho Alfredo. E culto, como o espírito coleccionista que, entre obras de arte, plantas, rochas, moedas e outros objectos estranhos aos olhos da geração da internet, constituiu um espólio que encheu o Museu João Allen (1836-1848), pioneiro no país na abertura ao público de uma colecção privada, na Rua da Restauração.

O vereador dos Jardins

O Museu João Allen viria a estar na origem, com o Museu Portuense, do Museu Municipal do Porto, «engolido» já em 1940, pelo Museu Nacional Soares dos Reis. Disperso o Espólio pelo Palácio dos Carrancas e outras instituições da cidade, a casa e a quinta sobram como marca, organizada, dos dias de João Allen e herdeiros, entre os quais há a destacar, para a história do século XIX portuense, o filho Alfredo, primeiro Visconde de Villar D'Allen, que colocou ao serviço da cidade e do país a mesma formação agronómica que o levara a completar e expandir a quinta comprada pelo pai em 1839.

Na Câmara do Porto, Alfredo Allen foi entre 1866-1869 vereador dos Jardins, pelouro que, sinal dos tempos, se extinguiu entretanto da taxinomia autárquica. Ficou associado à construção dos Jardins do Palácio de Cristal e da Cordoaria. Com Alfredo Allen, o burgo ganhou muitas árvores venerandas, como a araucária da Austrália. Com os seus 130 anos, 40 metros de altura e 3,6 metros de perímetro, esta araucária, assinala Paulo Ventura Araújo, o co-autor de À sombra de Árvores com História que na quinta-feira acompanhou o Cidades numa visita a Villar D'Allen, figura na lista de árvores de classificadas do Porto.

Na quinta, seja na mata onde uma rara Agathis - outra australiana - se destaca, ou no jardim romântico, com os seus caminhos sinuosos e o rumor sempre presente da água, as marcas de Alfredo Allen são bem patentes. Foi ele que ali mandou plantar uma impressionante colecção de palmeiras e outras árvores, entre elas outra araucária como a da Cordoaria, que Paulo Araújo ajuda a identificar pelo nome próprio. Depois chega Isaura, esposa de um dos herdeiros da propriedade, José Alberto Allen, e responsável, com ele, pelo viveiro comercial que aqui funciona. E por mais de uma hora todas as atenções se viram para outro dos traços dominantes da história e dos lugares portuenses dos Allen: as camélias.

Presentes na paisagem dos Allen como na do Porto - numa botânica demonstração da importância da família e de viveiristas como Marques Loureiro ou Moreira da Silva para a cidade -, múltiplas derivações genéticas da Camellia japonica, e outras do género Camellia, pontuam o espaço. E as mais temporãs anunciam já a colorida exibição de flores que as caracteriza no final do Inverno. Várias têm o nome, no registo da Sociedade Internacional de Camélias, associado a esta família, que importou espécimes de todo o mundo e, com elas, criou novas variedades. O que talvez ajude a explicar por que motivo a quinta é mais famosa para lá das fronteiras do país do que para lá da fronteira viária que rodeia Villar d'Allen.

Com José Alberto Allen refugiado no trabalho, é Isaura quem assume a despesa de demonstrar a importância histórica da família do marido e as dificuldades enfrentadas face aos apetites que, num país pouco dado à cultura dos jardins - ou «arboricida», como diz Paulo Araújo - uma propriedade tão bem situada sempre atraiu. E para quem vem «aguentando muito», inclusive uma situação de «fogo posto», Isaura fala da conclusão do longo processo de classificação deste lugar como imóvel de interesse público como um peso que lhes «sai do coração», permitindo que os Allen se concentrem no futuro a dar a este espaço tão cheio de passado.

Abrir mais a quinta

A vontade é tornar Villar d'Allen mais frequentado pela cidade. A família pretende entregar a uma gestão profissional o viveiro - necessário para a manutenção económica da propriedade - e criar pequenas hortas para actividades de educação ambiental. Antes disto, em Maio será o Espaço Maus Hábitos a apropriar-se da vegetação, com performances que actualizam o histórico convívio dos Allen com a cultura, bem patente no recheio impressionante do solar.

Depois, há as camélias. Sempre elas. Neste momento decorre um trabalho meticuloso de identificação de todas as variedades aqui existentes, a pensar nas exposições municipais que nos últimos anos regressaram ao calendário da cidade. E a antever já as camionetas de estrangeiros que por aqui se juntarão quando o Porto organizar, em 2014, o congresso mundial dedicado a esta planta ornamental de origem asiática que Alfredo Allen exportou para o Buçaco e para o Bom Jesus, e que os descendentes «exportam» hoje para os parques de Sintra e outros lugares por esse mundo fora.

Esta actividade perpetua uma paixão que, sobrevivente em alguns jardins da cidade, fez dos anos de 1800 o século das camélias no Porto. Mas Teresa Andresen avisa que Villar D'Allen é muito mais do que as camélias. «É uma montra do século XIX, de uma forma de estar, de governar a cidade.» A mesma cidade que, assinala, «não se apercebe hoje da importância do que está ali», para lá dos muros da Rua do Freixo.


23/09/2009

Culpa e expiação


Pinus wallichiana A. B. Jacks.

Quando no princípio do mês de Setembro visitámos o Parque de São Roque movia-nos um propósito: apresentarmos a este pinheiro um sincero e pungente pedido de desculpas. Felizmente que ele ainda está vivo e para durar, pois senão as desculpas teriam sido póstumas; e não sabemos se tal prática, que ultimamente se tem banalizado entre os humanos, é aceitável no reino vegetal. E fomos nós, os culpados pelo ultraje, a admitir o erro, e não algum representante mais ou menos oficial que tomasse para si as nossas culpas. Arrependidos, mas de pescoços bem empertigados para encararmos de frente o nosso interlocutor, jurámos emenda e prometemos reparação.

A afronta deu-se há cinco anos, quando aqui exibimos uma foto do labirinto do Parque de S. Roque onde este pinheiro era bem visível, sem que ele nos tenha suscitado a mais leve menção. Falámos do buxo, das camélias, da faia e do carvalho-americano (entretanto já desaparecido); mas o pinheiro, embora ultrapassasse em altura todas as árvores vizinhas, foi como se não existisse. E, para agravar o caso, a foto reapareceu em livro, ocupando uma página inteira, sem que esta lamentável cegueira selectiva tivesse sido remediada.

O pinheiro aceitou as desculpas que lhe apresentámos, mas impôs certas condições. Dando cumprimento ao que ficou acordado entre as partes, fazemos agora publicar, com um grau de destaque equivalente ao da matéria blogada que corporizou a ofensa, duas fotos do ofendido, acompanhadas por legenda identificando-o claramente pelo nome científico. Mais exigiu o queixoso que louvássemos a sua elegância e raridade, o que fazemos de bom grado mas não sem uma ressalva: não indo longe o tempo em que para nós todos os pinheiros eram iguais, não estamos em condições de asseverar que este Pinus wallichiana seja assim tão raro no nosso país.

Por último, cumpre-nos publicitar os dados biográficos e sinais particulares deste esbelto pinheiro. Originário dos Himalaias, a sua área de distribuição natural vai do Afeganistão ao nordeste da Índia, passando pelo Butão; o seu nome vernáculo nas diversas línguas é justamente pinheiro-do-Butão. Tem uma copa piramidal, pode atingir os 35 metros de altura, e as suas agulhas, que medem de 11 a 20 cm, são pendentes e flexíveis, estando dispostas em grupos de cinco.

P.S. Num gesto de amabilidade tocante, o pinheiro-do-Butão autorizou que aproveitássemos o ensejo para lembrar que as sazankas estão em flor, e que o Parque de São Roque é o melhor lugar do Porto para as ver e cheirar.

30/03/2008

Festa de Camélias em Celorico de Basto

Durante três dias, com início nesta sexta-feira, dia 4 de Abril, Celorico de Basto celebra a sua V Festa Internacional da Camélia.

O primeiro dia é preenchido com o colóquio A paisagem, os jardins de camélias e o turismo, que tem abertura às 9h30 e se prolonga até às 18h30. Destaca-se a intervenção de Aurora Carapinha, que de manhã, às 10h30, falará sobre O jardim na cultura portuguesa.

É no sábado, às 15h00, que abre ao público a exposição-concurso de camélias. Em paralelo, há uma exposição de fotografias e um mercado de venda de camélias envasadas. A tradicional tertúlia começa às 17h30: inclui a projecção de um filme sobre os jardins de camélias de Celorico de Basto e intervenções de Ilídio de Araújo, Fernando Mangas Catarino e Clara Gil de Seabra, entre outros.

No domingo, dia em que a exposição permanece aberta ao público, há visita guiada aos jardins de camélias do concelho, seguida de um almoço (a 25 euros por pessoa) no Solar do Souto. Tanto o passeio como o almoço exigem inscrição prévia (tel. 255320250 ou 255323100).

O programa completo da festa pode ser consultado aqui.

20/02/2008

Exposição de camélias no Porto


Camélias da Quinta de Santo Inácio (Gaia)

Organizada pela secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias, o Porto terá nos próximos dias 1 e 2 de Março (sábado e domingo) a sua Exposição de Camélias. Não no Mercado Ferreira Borges, lugar onde tradicionalmente ela tinha lugar, nem no Palácio do Freixo, para onde se transferiu em 2007, mas sim num local algo surpreendente: no antigo edifício da Faculdade de Ciências (e actual reitoria da Universidade do Porto), à Praça dos Leões. Como já sucedeu nas duas últimas edições, trata-se de uma exposição e não de um concurso. Mas é sempre uma óptima oportunidade para conversar com quem cultiva (e, em certos casos, também vende) a mais admirável flor dos nossos jardins. A abertura ao público da exposição é às 14h00 de sábado.

03/01/2008

Camélias e gatos em Agramonte




Há duas actividades que nada têm de ofensivo mas são proibidas no cemitério municipal de Agramonte, no Porto. São elas tirar fotos e alimentar gatos. Se cometermos a ingenuidade de lá entrar com a máquina a tiracolo, somos de imediato alertados para a primeira proibição; quanto à segunda, ela está inscrita, de forma bem visível, numa tabuleta junto ao portão. Contudo, estas interdições trazem a marca do país de brandos costumes em que vivíamos antes da chegada da ASAE e da lei antitabagista: como comprovam as fotos, nenhuma delas é (felizmente) para tomar à letra. Quanto a mim, só desrespeitei, sem compunções, a proibição de fotografar; mas pude inferir, pelo ar próspero da população felina, que há também quem tenha a caridade de a alimentar. E é consolador, no Inverno, ver como os gatos realizam a sua peculiar fotossíntese de transformar o mais débil raio de sol em bem-estar absoluto.

Pode parecer de um gosto mórbido passear no cemitério quando existe, ali a dois passos, o jardim da rotunda da Boavista. Em comparação com uma ilha no meio do trânsito, o cemitério tem a óbvia vantagem do sossego, mas não se trata apenas disso: ele é mais rico do que a rotunda em variedade de plantas, cores e perspectivas; em tudo aquilo, afinal, que faz a qualidade de um jardim. Há nele uma exuberância vegetal que está ausente do jardim em má hora requalificado. De Agramonte, já aqui mostrámos as magnólias, um cedro-do-atlas e os liquidâmbares; há também teixos, sequóias, hibiscos, extremosas, arbustos diversos e uma alameda de palmeiras (Butia eriospatha). E há, em especial, um grande número de japoneiras mais-que-centenárias que estão agora em flor e recompensam amplamente a atenção do visitante.

18/09/2007

À atenção dos odoricultores (e não só)


Camellia sasanqua

Sem a presença solene do Ministro dos Jardins ou do Secretário de Estado das Flores, e sem que o assunto merecesse a mais breve menção nos orgãos de comunicação social do país, teve lugar, num dia incerto da semana passada, em vários jardins do norte e centro de Portugal, a abertura do Ano Floral de 2007/2008 para as Camélias e todos os seus Admiradores.

Quem já nos frequentou em anos florais transactos sabe que, para nós, há as camélias e o resto, havendo mesmo quem afirme (com a réstia de verdade que a caricatura sempre contém) que o resto é só pretexto para mantermos a loja aberta à espera delas. A primeira camélia a florir, infalivemente em meados de Setembro, é a sazanka - nome japonês da Camellia sasanqua, que se distingue das japoneiras pela folhagem mais miúda e pelo perfume rude e intenso das suas flores. Eis alguns lugares onde as pode ver e cheirar: no Porto, na Casa Burmester e no Parque de São Roque; mais a norte, em Amarante, no Parque Florestal; e mais a sul, em Viseu, no jardim do Paço dos Bispos.

20/03/2007

Camélias em Celorico de Basto

- 24 e 25 de Março



Para terminar em beleza a temporada de 2007, realiza-se este fim-de-semana em Celorico de Basto a IV Festa Internacional das Camélias, que inclui, além da habitual exposição/concurso, um mercado onde se podem comprar camélias envasadas. A abertura ao público do evento é às 15h30 de sábado, momento em que também são divulgados os prémios atribuídos. Segue-se um Verde de Honra às 16h10. Às 16h45 tem início um Fórum de Camélias, moderado pelo Professor Fernando Catarino, com os seguintes temas e intervenientes:

  • As potencialidades da camélia na composição dos jardins contemporâneos - Prof. Luís Torres de Castro (UTAD);
  • Monografia da Camellia sinensis (planta do chá) - Prof. José Alves Ribeiro (UTAD);
  • Processamento genético da hibridação nas camélias - Prof. Gilberto Igrejas (UTAD);
  • A topiária nos jardins de Basto - Arq. Ângela Silva (UTAD).
No domingo há a partir das 10h00 um passeio (gratuito) aos famosos jardins de camélias topiadas do concelho, e às 13h00 começa um almoço/buffet (25 euros por comensal). Ambas estas actividades exigem inscrição prévia, e provavelmente já é tarde de mais para o fazer. Se ainda quiser tentar a sua sorte, contacte a Qualidade de Basto, E.M. pelo telefone 255 320 250.

12/03/2007

Na avenida, ainda


Camellia reticulata

Esta Camellia reticulata floresce (e assim se manterá por alguns dias mais) no número 2547 da avenida da Boavista, no pátio de um edifício hoje ocupado por uma escola, perto do cruzamento com a Marechal Gomes da Costa. Ela tem sorte em ainda estar de pé: os jardins da avenida têm desaparecido a um ritmo acelerado; mesmo quando as velhas casas (há quem lhes chame palacetes) não são demolidas para loteamento, as obras de reconversão não têm o hábito de respeitar os jardins. Paradigma dessa atitude foram as obras de adaptação do antigo Colégio dos Maristas (no número 1354) à função bancária: manteve-se o edifício, mas o jardim foi quase integralmente destruído com o estacionamento subterrâneo e a construção nas traseiras de um novo anexo «para eventos culturais». Umas quantas árvores poupadas à face da rua e um relvado instantâneo parecem ter sido suficientes para disfarçar os estragos, tanto assim que a obra até foi premiada como exemplo de recuperação do património. Mas que outra coisa poderíamos esperar no nosso país, se o homem que destruiu a Quinta da Bacalhoa - um caso incomparavelmente mais grave do que o da Boavista - aparece como um respeitado patrono da cultura e das artes?

Exposição de camélias-Palácio do Freixo

Algumas imagens

10/03/2007

Exposição de Camélias


Ver programa


Camélias no Dias com Árvores
Árvores monumentais no Palácio do Freixo >

"Palácio do Freixo com perfume de camélias" > (Jornal de Notícias )


"A portuense camélia recupera prestígio de outros tempos" > (Diario de Noticias - ano passado)


03/03/2007

Santo Tirso


É a nossa sina: somos guiados pelas camélias como os reis magos pela estrela de Belém. Por isso, toca a andar hoje e amanhã para Santo Tirso, onde no Museu Municipal Abade Pedrosa decorre a VII Expocamélia, evento bienal organizado pela Câmara local.

Vasculhando o arquivo das fotos, verifico que a nossa última ida a Santo Tirso foi em 2005, por altura da anterior Expocamélia. Tão longa ausência é imperdoável: Santo Tirso é uma cidade bonita, com espaços públicos bem arrumados, enfeitada por jardins amplos onde dá gosto passear, aqui e ali abrindo-se em miradouros para uma paisagem verdejante atravessada pelos meandros do rio Ave. Além do mais, e seja-me permitido invocar razões pessoais, nasci em Santo Tirso - embora não tenha família no concelho, e só lá tenha vivido até aos doze meses de idade. E nós, os tirsenses de nascença (incluindo tresmalhados como eu), somos, como tem sido sobejamente noticiado, uma espécie em vias de extinção por decreto governamental.


28/02/2007

Camellia japonica "Portuense"



São as folhas, e não as flores, o que mais nos atrai nesta japoneira do jardim da Faculdade de Arquitectura do Porto. As flores são um bónus temporário, mas a folhagem verde e amarela garante que o valor ornamental da árvore não diminui ao longo do ano. Camélias com uma tal folhagem (dita variegada) são raras mesmo no Porto - onde não o deveriam ser, pois, de acordo com o livro O Mundo da Camélia, o nome desta variedade é precisamente "Portuense". Mas, além de asseverar a sua origem portuguesa, o livro, que não menciona outra C. japonica de folhagem bicolor, nada acrescenta sobre a data ou local da sua criação.

Por falar em camélias no Porto, aqui vai uma grande notícia: nos dias 10 e 11 de Março (sábado e domingo) decorrerá, no Palácio do Freixo, uma exposição de camélias organizada pela Câmara Municipal do Porto e pela Sociedade Internacional de Camélias. Uma óptima ocasião para visitarmos um local que tem estado encerrado ao público enquanto vamos espreitando as nossas flores favoritas. Atenção: seguindo a ordem usual nestes eventos, o recinto só está aberto aos visitantes a partir das 14h00 de sábado. Em paralelo à exposição, haverá actividades para crianças, uma amostra bibliográfica e filatélica, venda de camélias envasadas, e demonstrações práticas sobre cultivo de camélias por jardineiros da Câmara.

27/02/2007

II Ancient Camellias International Meeting


De 1 a 7 de Março na Ilha de S. Miguel - Açores

12/02/2007

Maiores não se fazem



Alberto Rocha, que conhecemos na noite de lançamento do livro, bem nos tinha dito, abrangendo com um gesto a ampla sala onde tinha decorrido a sessão: ela não cabe aqui dentro. E no passado sábado, quando visitámos o jardim da Sra. Joaquina Moreira, no lugar de Crasto, em Perosinho (Gaia), as expectativas ainda foram ultrapassadas: esta Camellia japonica é de facto um portento, levando de vencida, na amplitude da copa e na espessura do tronco, outras japoneiras descomunais como as da Quinta da Aveleda e do Prado do Repouso aqui apresentadas. Para nosso embaraço, e como esta campeã dá flores de uma variedade diferente, a descoberta obriga-nos a emendar a teoria então formulada, que fica agora assim: as pompónias são vice-campeãs.

Uma particularidade da árvore é que a sua base está soterrada, fazendo-a parecer mais baixa do que na realidade é. Estando ela situada em terreno inclinado, o solo tinha tendência a deslizar, deixando-lhe as raízes a descoberto; construiu-se por isso à sua frente um muro de 76 cm de altura, formando uma espécie de caldeira que depois se encheu de terra.



Numa altura em que recrudesce a curiosidade internacional pelas monumentais camélias portuguesas, uma árvore como esta não poderia continuar indefinidamente no anonimato. Clara Gil de Seabra, directora da secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias, visitou-a em 2003 e sobre ela publicou, no mesmo ano, um artigo no International Camellia Journal. Tendo em conta as medidas que encontrou (13,15 m de diâmetro da copa; 5,18 de perímetro na base do tronco; 3 m de PAP), Clara Gil «compara favoravelmente» esta camélia com outras consideradas muito antigas com base apenas no tamanho: as de Campo-Bello (em Gaia), a da Quinta da Aveleda, e uma outra já morta em Vila Boa de Quires (que tinha também 13 m de diâmetro de copa). Interpretamos este comparar favoravelmente como significando que esta é pelo menos do tamanho das outras, se não for maior. Apesar disso, Clara Gil atribui-lhe uma idade provável máxima de 200 anos, quando das camélias de Campo-Bello se chegou a escrever terem quase 500. O problema é que a entrada oficial das camélias no nosso país ocorreu apenas há dois séculos; e, na falta de documentos e de datações cientificamente rigorosas, não se pode tomar o tamanho destas árvores como prova indiscutível de antiguidade, pois é certo que as camélias no norte de Portugal crescem mais e mais depressa do que noutros países europeus e até do que na sua região de origem (China e Japão).



Seja qual for a sua verdadeira idade, foram já inúmeras as gerações que conviveram com esta árvore. A Sra. Joaquina Moreira, que sempre a conheceu deste tamanhão, conta que em 1930, por causa de um ciclone, o tronco pareceu inclinar-se e teve que ser escorado com um pilar de granito. Quando se quis remover o pilar, em 1993, não houve outra solução se não quebrá-lo, pois o seu topo tinha-se incrustado no tronco, onde ainda hoje se mantém. Há alguns anos, a vida da árvore voltou a correr perigo: sem se saber porquê, as folhas começaram a amarelecer e os ramos a secar. Lembrando-se do que lera num livro de jardinagem, a Sra. Joaquina atribuiu a moléstia à prática de regar a árvore com «água choca», como então se fazia às couves no quintal. Supensa a nefasta dieta, a árvore recuperou rapidamente a saúde. Mas a Sra. Joaquina não tem dúvidas, pela sua experiência, de que o que matou a árvore de Vila Boa de Quires foi terem construído uma vacaria mesmo ao lado.

22/01/2007

Camélia Higo


Camélia Higo no bosquete da Casa Tait - Janeiro de 2006

Entre as inúmeras metamorfoses da Camellia japonica contam-se as camélias Higo, originárias da província japonesa com o mesmo nome, de flores singelas com cinco a nove largas pétalas e uma grande coroa aberta formada por estames amarelos, ligeiramente recurvados. Segundo o livro O mundo da camélia, as camélias Higo, embora consideradas como pertencendo à espécie Camellia japonica, resultariam de uma hibridação natural entre esta espécie e a C. rusticana. Estão registadas dezenas de variedades da Higo, que é uma das camélias mais populares no Japão; 25 dessas variedades, incluindo algumas de pétalas imaculadamente brancas, aparecem por ordem alfabética nesta página japonesa [procure os nomes começados por Higo e, para ver as fotos, clique nos atalhos em japonês]; e também pode admirar aqui outras fotos de camélias Higo.

09/01/2007

Camélias nos jardins do Palácio



Desde a sua inauguração na década de 1860, os jardins do Palácio de Cristal têm sido o melhor mostruário da tradição portuense no cultivo da camélia. Além das veneráveis japoneiras que ladeiam o jardim de entrada, existem muitas outras, algumas plantadas em anos recentes, espalhadas por todo o recinto. Mesmo se nos limitarmos a seguir o gradeamento que confina com a rua D. Manuel II, encontramos camélias singelas, dobradas, rosas, brancas, vermelhas, raiadas - numa profusão de cores e formas em todas as combinações imagináveis. Uma das camélias desse alinhamento, a terceira no painel em cima, é das mais bonitas que conheço: parece-me ser uma "Carlotta Papudoff", variedade italiana criada em 1851. A flor na primeira foto, de uma japoneira de floração tardia existente junto ao portão principal, é de identificação mais problemática, embora tenha, de comum com a japonesa "Orandakô", as pétalas bissectadas longitudinalmente por sulcos brancos. Da segunda flor não arrisco qualquer identificação.

É sempre bom nestes dias de Inverno ir ao Palácio admirar camélias. O que já não é bom é ter o sossego do jardim perturbado pela estridência musicante da gigantesca tenda onde, durante um mês inteiro, a Câmara instalou ou deixou instalar um sucedâneo da feira popular de má memória. A tenda é desmontada no final desta semana, e oxalá tal poluição visual e sonora não regresse em anos futuros ao mais valioso jardim público do Porto.