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12/12/2011

Salvemos a canforeira

A envolvente da Faculdade de Arquitectura do Porto, entre a rua do Gólgota e a via Panorâmica, é um caos de automóveis estacionados onde calha e como podem. A única preocupação visível das autoridades académicas não foi a de reprimir ou ordenar o estacionamento, mas sim torná-lo mais cómodo para alguns privilegiados. Foi assim que uma árvore mais-que-centenária, uma canforeira (Cinnamomum camphora), se viu convertida em adereço de parque de estacionamento, um trambolho que recusa arredar-se para dar espaço a mais carros. Isto não é bom para a saúde de uma árvore que, em Dezembro de 2004, só não foi classificada de interesse público pela Autoridade Florestal Nacional porque se desconhece quem seja o seu proprietário.

João Pedro da Costa, um amigo das árvores, lançou uma campanha para salvar a canforeira da rua do Gólgota. O que ele pede é fácil de conceder: não que o estacionamento seja proibido, mas que se crie um perímetro de protecção em volta da árvore. Eis uma oportunidade para a escola que forma os nossos arquitectos mostrar que gosta de árvores. Mais informações nesta página do Facebook.

04/09/2009

Jardim Botânico da Universidade de Oxford


Pinus nigra Arnold subsp. nigra

É sem dúvida um disparate visitar Oxford, ou qualquer outro chamariz turístico, num suado dia de Agosto. Mas quem for simples assalariado, e não especulador de sucesso ou herdeiro de fortunas, resigna-se a fazer férias no mês que o hemisfério norte para isso reservou. E pacatez e isolamento são artigos de luxo, que certamente não estão à venda em Oxford, muito menos em Agosto. Nesse mês não há estudantes, e o resto da comunidade académica, advertida pela experiência, demandou paragens mais sossegadas. Os colleges, no interregno estival, esquecem o estudo e a erudição e rendem-se à lucrativa invasão turística: não se pode visitar claustro, capela, refeitório ou biblioteca por menos de duas libras.

Maior disparate do que visitar Oxford em Agosto é não visitar Oxford por só poder fazê-lo em Agosto. Porque o que a cidade tem para mostrar é genuíno: uma das universidade mais antigas do mundo, onde os históricos edifícios não foram abandonados, nem convertidos em museus, nem reservados a funções protocolares, e são, ainda hoje, o centro da vida estudantil. (Em Portugal, onde o novo-riquismo é a regra, as universidades parecem todas acabadinhas de criar. A mais antiga, a de Coimbra, ocupa edifícios do tempo do Estado Novo, guardando uma ou duas relíquias para iludir turistas.)

Depois de peregrinar pelos colleges, é grande a tentação de procurar lugar menos assediado. O Jardim Botânico da Universidade de Oxford tem entrada pela High Street, em frente do Magdalen College, logo antes da ponte sobre o rio Cherwell. Fundado em 1633, é o mais antigo jardim botânico da Grã-Bretanha e, com os seus 1,8 hectares, o mais compacto. Pequeno, sem dúvida, para o número de visitantes que a ele afluem, apesar da entrada paga.

Pequenez que afinal é enganadora, tal a variedade de plantas distribuídas por canteiros, estufas e lagos; as duas horas da minha visita para pouco deram. Impressionam o arrumo e o apuro geométrico do jardim: de um lado as escolas sistemáticas num rectângulo dividido em oito talhões; do outro, transposto um muro com portal, uma secção triangular mais informal, onde os caminhos são curvilíneos e há muito colorido de flores mesmo no auge do Verão.

Não mais do que duas dezenas de árvores caberão em recinto tão escasso. As que foram eleitas para aqui morarem não se podem queixar de falta de protagonismo, pois não têm quem lhes faça sombra. Quem mais impressiona, pela envergadura, é um pinheiro-negro (Pinus nigra) plantado em 1800: erguendo-se quase no centro do jardim, a sua copa formada por grossas braçadas verticais é foco de todos os olhares. Dizem que era esta a árvore favorita de J. R. R. Tolkien (1892-1973), professor em Oxford e autor da trilogia O Senhor dos Anéis. Mesmo nunca o tendo lido, não posso deixar de lhe gabar o bom gosto. Como poderia eu resistir à inevitabilidade de fotografar tão insigne pinheiro?

(O Pinus nigra é originário do norte de África e do centro e sul da Europa, incluindo Espanha mas não Portugal; é tolerante à poluição e ao frio, e pode ultrapassar os 40 metros de altura; as suas agulhas, dispostas aos pares, são rígidas e medem cerca de 19 cm. Os botânicos reconhecem cinco ou seis subespécies do Pinus nigra; a subespécie nigra é espontânea na Áustria, Itália e Grécia.)

P.S. Sobre a referência à Universidade de Coimbra, um pouco precipitada, leia-se o comentário que um leitor aqui deixou.

29/11/2007

Cedros monumentais- Palácio de Cristal



Cedros-do-Líbano (Cedrus libani ) ao pé da Biblioteca Municipal de Almeida Garrett (fotografados em Novembro de 2003 e Janeiro de 2004).
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«No Jardim do Palácio de Cristal da Cidade do Porto há dois exemplares com 4, 75 m. e 2, 02 m. de P.A.P.» (P.A.P. =perímetro à altura do peito -a cerca de 1,30 m. do solo) » Ernesto Goes na sua lista de cedros de grande porte in Árvores Monumentais de Portugal (1984)

07/11/2007

Cedros ao pé do lago

clicar para aumentar

Cedros-do-Himalaia (Cedrus deodara) Mosteiro de Tibães >
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Trata-se sem dúvida de um dos locais mais interessantes da cerca do mosteiro e, sempre que visito o local, saboreio antecipadamente o impacto provocado pela visão dos dois enormes cedros ladeando o estreito caminho que acede ao lago. De acordo com Ernesto Goes, há cerca de um quarto de século, as dimensões destes dois guardiões do lago, que aqui se podem ver de corpo inteiro, eram de 3, 26 m. e 3, 16 m. de PAP e 37 m. de altura. Perto destes cedros monumentais encontra-se "o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País"

26/09/2007

A ler

«Como é que se descreve uma árvore?
Como é que se explica uma paixão?...
Como é que se explica uma beleza que comove?! »
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Imperdível a leitura da descoberta da Azinheira Grande pelo Pedro (do Sombra Verde) & amigos:
1- Apaixonei-me por uma árvore!
2- O caminho da redenção
3- 37.7367 N ..7.8215 W
4- Obrigado...

19/09/2007

Cupressus lusitanica- Casa de Mateus




fotografias: Setembro 2003
aqui tínhamos mostrado um aspecto deste túnel constituído por Cupressus lusitanica, na Casa de Mateus em Vila Real. Estranhamente, no livro de Ernesto Goes sobre árvores monumentais de Portugal, este exemplar não é referido, apesar de serem nomeadas outras árvores de grande porte desta quinta, como por exemplo este Cedrus deodara.
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Os outros exemplares de Cupressus lusitanica que o autor refere são: o do Buçaco, alguns do Parque da Pena e Quinta de Monserrate, em Sintra; na Quinta da ex-Escola Agrícola de Coimbra; dois exemplares notáveis na Quinta do Eixo, em Aveiro; um na Aldeia dos Dez (concelho de Oliveira do Hospital); e alguns outros, notáveis também pela sua disposição em caramachão: em Lisboa, o do Jardim do Príncipe Real, e o do Pátio dos Restaurante Castanheira Moura, ao Lumiar; no concelho de Torres Vedras, em Runa no Parque do Asilo dos Inválidos Militares; e ainda outro na Quinta anexa à Igreja de Sanfins de Ferreira, no concelho de Paços de Ferreira. Será que ainda existem todos? De qualquer modo aqui ficam registados e na agenda para próximas "saídas de campo".

15/08/2007

Cupressus lusitanica- Buçaco



Fotos-Agosto 2007 ....................................
Em cima: "Avenida dos Cedros"; em baixo: "Cedro de S. José", o mais famoso Cupressus Lusitanica da Mata do Buçaco, espécie vulgarmente chamada Cedro-do-Buçaco, com o tronco parcialmente soterrado.
Ver álbum de fotos: Cupressus no Buçaco

Esta é "árvore nº 16" de um já não existente percurso botânico , integrado num conjunto de circuitos pedestres cuja concepção, etiquetagem e montagem de estruturas informativas (agora quase completamente destruídas) "foram uma colaboração gratuita dos alunos da Escola Profissional Beira Aguieira, de Mortágua, sob a coordenação de Francisco Coimbra."



O "Cedro de S. José" é considerado o mais antigo Cupressus Lusitanica do Buçaco. Segundo a versão mais difundida, a sua introdução na Mata, ter-se-á efectuado entre a fundação do Convento (ca 1630) e 1644, ano em que o então reitor inaugurou a capela de S. José. No entanto, o professor Jorge Paiva, baseando-se em textos da época referentes a datas anteriores que já mencionam a existência de árvores de grande porte e até mais especificamente , o "funesto cypres" (na poesia de Bernarda de Lacerda, 1634), é de opinião que a introdução dessa primeira exótica na mata do Buçaco é anterior à chegada dos frades Carmelitas Descalços, não sendo de descartar a hipótese de se ter efectuado através de sementes do Carmelo de Granada* trazidas por San Juan de la Cruz «para Portugal, na viagem que efectuou, em 1585, de Granada, por Sevilha, até Lisboa.» Jorge Paiva , in A Relevante biodiversidade da mata, Monumentos, n.º 20, DGEMN, 2004, p. 27

Ernesto Goes, no seu livro sobre árvores monumentais (1986), refere que este exemplar tinha cerca de 5, 7 m. de PAP e 22 metros de altura e que «ao seu lado foi derrubado pelo último ciclone de 1981, um outro exemplar excepcional exemplar em que o tronco tinha na base 5 m. de perímetro.»

Apontadores:

Cedro de San Juan no *Carmen de los Mártires (outra foto)
Ficha do Cedro-do-Buçaco no Naturlink
A Mata Nacional do Buçaco “Catedral verde do Cupressus lusitanica em Portugal ” (pdf), por José Neiva Vieira
Cupressus lusitanica in The Gymnosperm Database

11/08/2007

Negrilho revisitado

No centenário do poeta

Poesia "A um Negrilho "- Busto de "Miguel Torga baseado no retrato do Mestre Eduardo Tavares -1955 e interpretado pelo discípulo L. Ribatua-1995".

Fotos Abril 2006 - Um dos lugares de Miguel Torga: Largo de Eirô em S. Martinho de Anta- povoação do concelho de Sabrosa onde nasceu em 12 de Agosto de 1907. Ver fotografia deste negrilho ou ulmeiro (Ulmus minor) ainda vivo.
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Na laje está inscrito o célebre poema:
A um Negrilho
S. Martinho de Anta, 26 de Abril de 1954

Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.

Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!

Miguel Torga in Diário VII (1956)
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A não perder: documentário "Miguel Torga, o meu Portugal", domingo (dia 12) na RTP2, pelas 21:15. Mais informação aqui

25/07/2007

Eucaliptos gigantes


clicar para aumentar
Os eucaliptos gigantes de Portugal, Ernesto Goes, Lisboa, Portucel, 1979, pp. 103.

Ontem, num alfarrabista da cidade, encontrei este livro que apenas possuía em versão fotocopiada. O autor, engenheiro silvicultor de profissão, é considerado um pioneiro na campanha de preservação de árvores monumentais do nosso país, e os seus livros têm sido preciosos para a descoberta destes "monumentos vivos".
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Na fotografia do lado direito vê-se o Eucalyptus obliqua gigante (ver placa identificativa só para gigantes também) do Jardim Botânico de Coimbra fotografado no Verão de 2006. Esta árvore, segundo Goes, media 40 m. de altura em 1979 e em 1985, 43.

11/06/2007

A ler- "Planar sobre a copa das árvores"



N' O Primeiro de Janeiro : «Passeio à descoberta de exemplares monumentais
Um passeio destinado a visitar as árvores monumentais do Porto levou ontem 50 pessoas à Cordoaria. O objectivo passa pelo enquadramento da ancestralidade das árvores na evolução da cidade e na consciencialização da necessidade de preservar esse património arbóreo.

"Quantos anos tem?". "De onde é originária?". "Qual a altura máxima que alcança?". As perguntas escorriam, umas após as outras, à medida que os olhares percorriam aquele colossal ser vegetal que habita na Alameda dos Plátanos, na Cordoaria.

Foi ali que cerca de meia centena de pessoas se reuniram, para participar no passeio «Rota das Árvores Monumentais», organizada numa parceria entre a Câmara Municipal do Porto, a Fundação Porto Social e a editora Gradiva. "Não esperava esta adesão surpreendente" , confessa, notoriamente satisfeita, Maria Pires de Carvalho, docente da Faculdade de Ciências do Porto, co-autora do livro À Sombra de Árvores com História e a guia da visita, que se esforça por saciar a curiosidade que a atinge de todas as direcções.

"Esta sequóia é originária dos Estados Unidos" (...) O tronco, espesso e enrugado, ergue-se dezenas de metros, ligeiramente debruçado sobre o pequeno lago da Cordoaria.
A poucos metros ao lado, a atenção de todos é subitamente revertida para uma estátua. O monumento encontra-se ali desde 1904. A individualidade que homenageia morreu seis anos antes. (...) José Marques Loureiro (1830-1898) criou o "Horto das Virtudes", jardim também conhecido como "Passeio das Virtudes", actualmente fechado ao público. .............................................................................
A ler também no Jornal de Notícias: «Árvores contam histórias das gentes e da cidade - Rota das árvores monumentais juntou entusiastas desde a Cordoaria aos jardins do Palácio, no Porto- (...) "As árvores também são património a preservar e fazem falta à cidade". Além disso, "têm uma história antiga associada" ao Porto, notou, explicando que o passeio visou sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as árvores. Na Casa Tait, a resposta foi simbólica: 13 pessoas deram as mãos à volta de um tulipeiro para o medir. »

05/06/2007

Convite - rota das árvores monumentais




Onde no convite se lê V. Exc.ª deve ler-se cada um dos leitores deste blogue: temos encontro marcado no próximo sábado, às 15h00, à sombra dos plátanos da Cordoaria. No caminho até ao Palácio revisitaremos algumas das árvores que se converteram em capítulos do nosso livro; a propósito delas, além das histórias já conhecidas dos nossos leitores, teremos outras mais recentes para contar. Na sessão da Feira do Livro, com início às 17h00, haverá, à semelhança do que se fez em 1 de Fevereiro na Quinta de Bonjóia, uma projecção de fotografias.

04/05/2007

Senhoras árvores

04/04/2007

Castanheiro centenário- Pussos

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«Este pequeníssimo bosque de castanheiros, carvalhos, sobreiros, pinheiros e pilriteiros, no Carvalhal de Pussos, concelho de Alvaiázere (Leiria), nasceu de um abandono.
Todo o palmo de terra, nesta terra, tem dono, e a propriedade é condição exigente de rentabilidade, num povo que foi (é?!), sem demagógicos discursos, pobre e iletrado.
São três os destinos possíveis para um palmo desta terra: uma habitação, junto às rodovias que atravessam a localidade, ou uma horta, nos solos regados do vale ou no sopé das colinas suaves, ou um eucaliptal, monocultura maioritária que cobre os montes. Do abandono de uma horta, há cerca de 50 anos, e porque o processo de herança, após o falecimento da velha agricultora, havia ficado difuso, foi a Natureza quem, legitimamente, recuperou o que lhe pertencia. Com a mestria de uma artista criadora, ela desenhou um habitat selvagem, tornou-o de difícil acesso, e camuflou-o das atenções humanas.
Em 2006, aos 25 anos, um rapaz que morava a 300 metros da floresta, na colina contrária, arriscou seguir os trilhos dos animais, abrindo caminho pelos silvados densos. Na clareira do bosque ergue-se o coração protegido da floresta: um castanheiro centenário, da espécie comum Castanea sativa (Mill.), com um perímetro circunferencial máximo de 13 metros. De copa e altura comuns (entre 12-14 metros estimados de altura), a invulgar característica desta árvore é a sua forma: tem 9,50 metros de “anca” (junto ao solo), 7 metros de “cintura”, e cerca de 13 generosos metros de “peito” – em boa forma física, portanto. Acima do “peito” erguem-se, como serpentes na cabeça da Medusa, uma dúzia de troncos secundários que formam a copa.

Um simpático casal de esquilos comuns foi adoptado pelo velho ancião castanheiro e vivem todos felizes.

[O castanheiro centenário é desconhecido pela maioria dos habitantes da aldeia, e aguarda resposta para classificação de Património de Interesse Público, pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais ] »


Texto de Alexandre Inácio e fotos de Catarina Mendes

28/03/2007

Árvores monumentais

No "freaky" Neatorama:
10 Most Magnificent Trees in the World (via Quinta do Sargaçal)
Na verdade são 10+2...:

  • Baobab
  • Bristlecone Pine: Methuselah and Prometheus, the Oldest Trees in the World >
  • Banyan Tree: Sri Maha Bodhi Tree >
  • Montezuma Cypress: The Tule Tree >
  • Quaking Aspen: Pando (The Trembling Giant)
  • Chapel-Oak of Allouville-Bellefosse >
  • Coast Redwood: Hyperion and Drive >
  • Thru Trees- Giant Sequoias: General Sherman >
  • Circus Trees
  • Lone Cypress in Monterey >
  • Tree That Owns Itself
  • The Lonely Tree of Ténéré >

22/03/2007

A ler

UM DIAS DE MUITAS COISAS ... A PRIMAVERA É ASSIM
no jardinando sem parar

«(...)Como hoje, para além do dia da árvore, também é dia da infância, da poesia e do teatro, vou arriscar e, não sei bem se no papel de actor, de poeta, de criança ou de admirador de árvores monumentais, recitar a minha proposta (ou sonho, ou poema, ou ficção):

Lançar um programa de levantamento das árvores monumentais do País, solicitando o apoio das autarquias, de escolas, de empresas, de associações ambientalistas e outras com interesse e capacidade de colaborar nesta tarefa, com o objectivo de... em 2013 ter finalizado todo o processo de inventariação, selecção e classificação e editados materiais de divulgação, principalmente para utilização nas escolas e em promoção turística.


Porquê esta data? Por 3 motivos:

1º - 6 anos é um período de tempo razoável para uma missão que exigiria algum esforço de coordenação e mobilização, principalmente atendendo à óbvia necessidade de ser feita com custos reduzidos

2º - seria interessante que, passados 100 anos do decreto nº 682, de 1914, que mandava proceder ao inventário, classificação e divulgação das árvores notáveis, se tivesse conseguido concretizar os objectivos que aí foram definidos, apesar de em grande parte relativos já a outras árvores

3º - corresponderia ao final do mandato legislativo seguinte o que, tratando-se de um objectivo nacional, daria frutos à equipa actual, por ajudar a lançar o trabalho, e à seguinte, fosse ou não a mesma, por terminá-lo

Estou convencido que, de uma maneira ou de outra, vamos mesmo chegar a 2014 com as árvores “monumentais” bem identificadas, com publicações, sinalética e outra informação facilmente acessível, que ajudará a que a maior parte/uma parte maior da população tenha conhecimento do valor desse património, prazer em observá-lo e interesse na sua salvaguarda. (Ainda há optimistas não cépticos)

(...)» texto completo

APOIAMOS esta proposta!

(Por favor comentem no jardinando sem parar já que o texto foi tirado de lá ;-)

27/02/2007

Freixo de Vermoim


Fotos de Juan Pombriego enviadas por Inês Ramos Neto (um autêntico trabalho de equipa! obrigadinha Tiné ;-)
Hoje publicam-se as imagens do velhinho freixo de Vermoim, na Maia, árvore que terá sido plantada há mais de meio milénio pelos monges do mosteiro local, e que foi há cerca de um mês alvo da atenção dos media. Entre outras coisas, ficou então a saber-se que estaria a ser elaborado um pedido para a sua classificação como árvore de interesse público. Mais vale tarde do que nunca! Mas não deveriam as árvores monumentais (ou suas descendentes) que figuram nas armas das localidades ou que estão de algum modo ligadas às tradições locais, ficar "automaticamente" abrangidas por este diploma legal?

Ver outras árvores monumentais

19/02/2007

Magnólia monumental - Casa da Ínsua

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A julgar pelas do Porto, a magnólia monumental dos jardins da Casa da Ínsua deverá estar no auge da sua floração (e o mesmo será de esperar das camélias).
Agora, quem quiser, poderá ler on line (Fundo Antigo - FCUP> ) a descrição de José Marques Loureiro, publicada em 1890, no Jornal de Horticultura Prática, destes jardins e matas verdadeiramente notáveis pela beleza, porte e antiguidade dos seus espécimes. Esta magnólia - que curiosamente não é por ele referida - ostenta *uma placa com a data de 1842!

Ou pelo menos ostentava quando tirei estas fotografias no ano passado em Março, por ocasião da memorável visita às camélias da Beira Alta, organizada pela secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias > .

Anterior no Dias com árvores: Grandeza e graça
Post dedicado

12/02/2007

Maiores não se fazem



Alberto Rocha, que conhecemos na noite de lançamento do livro, bem nos tinha dito, abrangendo com um gesto a ampla sala onde tinha decorrido a sessão: ela não cabe aqui dentro. E no passado sábado, quando visitámos o jardim da Sra. Joaquina Moreira, no lugar de Crasto, em Perosinho (Gaia), as expectativas ainda foram ultrapassadas: esta Camellia japonica é de facto um portento, levando de vencida, na amplitude da copa e na espessura do tronco, outras japoneiras descomunais como as da Quinta da Aveleda e do Prado do Repouso aqui apresentadas. Para nosso embaraço, e como esta campeã dá flores de uma variedade diferente, a descoberta obriga-nos a emendar a teoria então formulada, que fica agora assim: as pompónias são vice-campeãs.

Uma particularidade da árvore é que a sua base está soterrada, fazendo-a parecer mais baixa do que na realidade é. Estando ela situada em terreno inclinado, o solo tinha tendência a deslizar, deixando-lhe as raízes a descoberto; construiu-se por isso à sua frente um muro de 76 cm de altura, formando uma espécie de caldeira que depois se encheu de terra.



Numa altura em que recrudesce a curiosidade internacional pelas monumentais camélias portuguesas, uma árvore como esta não poderia continuar indefinidamente no anonimato. Clara Gil de Seabra, directora da secção portuguesa da Sociedade Internacional das Camélias, visitou-a em 2003 e sobre ela publicou, no mesmo ano, um artigo no International Camellia Journal. Tendo em conta as medidas que encontrou (13,15 m de diâmetro da copa; 5,18 de perímetro na base do tronco; 3 m de PAP), Clara Gil «compara favoravelmente» esta camélia com outras consideradas muito antigas com base apenas no tamanho: as de Campo-Bello (em Gaia), a da Quinta da Aveleda, e uma outra já morta em Vila Boa de Quires (que tinha também 13 m de diâmetro de copa). Interpretamos este comparar favoravelmente como significando que esta é pelo menos do tamanho das outras, se não for maior. Apesar disso, Clara Gil atribui-lhe uma idade provável máxima de 200 anos, quando das camélias de Campo-Bello se chegou a escrever terem quase 500. O problema é que a entrada oficial das camélias no nosso país ocorreu apenas há dois séculos; e, na falta de documentos e de datações cientificamente rigorosas, não se pode tomar o tamanho destas árvores como prova indiscutível de antiguidade, pois é certo que as camélias no norte de Portugal crescem mais e mais depressa do que noutros países europeus e até do que na sua região de origem (China e Japão).



Seja qual for a sua verdadeira idade, foram já inúmeras as gerações que conviveram com esta árvore. A Sra. Joaquina Moreira, que sempre a conheceu deste tamanhão, conta que em 1930, por causa de um ciclone, o tronco pareceu inclinar-se e teve que ser escorado com um pilar de granito. Quando se quis remover o pilar, em 1993, não houve outra solução se não quebrá-lo, pois o seu topo tinha-se incrustado no tronco, onde ainda hoje se mantém. Há alguns anos, a vida da árvore voltou a correr perigo: sem se saber porquê, as folhas começaram a amarelecer e os ramos a secar. Lembrando-se do que lera num livro de jardinagem, a Sra. Joaquina atribuiu a moléstia à prática de regar a árvore com «água choca», como então se fazia às couves no quintal. Supensa a nefasta dieta, a árvore recuperou rapidamente a saúde. Mas a Sra. Joaquina não tem dúvidas, pela sua experiência, de que o que matou a árvore de Vila Boa de Quires foi terem construído uma vacaria mesmo ao lado.

29/01/2007

Freixo multicentenário em Vermoim (Maia)

Reportagem de Hugo Silva com foto de Adelino Meireles no JN
Vermoim venera árvore que tem mais de 600 anos
«Aloíso Nogueira, presidente da Junta, recorda estudos da Faculdade de Ciências do Porto que lhe dão mais de 600 anos. Mas há documentos que, segundo o Diagnóstico Social da Maia, permitem atribuir mais de oito séculos de vida ao freixo. "A árvore terá sido plantada pelos monges do mosteiro de Vermoim, fundado no século X e ligado ao mosteiro de Leça do Balio [monumento milenar ainda em perfeitas condições, naquela freguesia do concelho de Matosinhos]. É a única lembrança que os monges nos deixaram, já que do mosteiro não há vestígios", explica Aloísio Nogueira.
A Junta, com a colaboração da Câmara, está a desenvolver o processo para classificar a árvore como património. No brasão da freguesia, que também tem uma forte tradição ligada aos tamanqueiros, o freixo já é a figura central. »

«Armas - Escudo de verde, um freixo de dois troncos de ouro, entre dois báculos com velocino de prata, postos em pala, o da dextra volvido; em ponta, três coticas ondeadas de prata e azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "VERMOIM - MAIA ". » (Imagem e descrição do brasão in fisicohomepage )