Cedros monumentais- Palácio de Cristal

Cedros-do-Líbano (Cedrus libani ) ao pé da Biblioteca Municipal de Almeida Garrett (fotografados em Novembro de 2003 e Janeiro de 2004).

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29.11.07
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Cedros-do-Himalaia (Cedrus deodara) Mosteiro de Tibães >
..
Trata-se sem dúvida de um dos locais mais interessantes da cerca do mosteiro e, sempre que visito o local, saboreio antecipadamente o impacto provocado pela visão dos dois enormes cedros ladeando o estreito caminho que acede ao lago. De acordo com Ernesto Goes, há cerca de um quarto de século, as dimensões destes dois guardiões do lago, que aqui se podem ver de corpo inteiro, eram de 3, 26 m. e 3, 16 m. de PAP e 37 m. de altura. Perto destes cedros monumentais encontra-se "o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País"
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7.11.07
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19.9.07
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Fotos-Agosto 2007 ....................................
Em cima: "Avenida dos Cedros"; em baixo: "Cedro de S. José", o mais famoso Cupressus Lusitanica da Mata do Buçaco, espécie vulgarmente chamada Cedro-do-Buçaco, com o tronco parcialmente soterrado.
Ver álbum de fotos: Cupressus no Buçaco
Esta é "árvore nº 16" de um já não existente percurso botânico , integrado num conjunto de circuitos pedestres cuja concepção, etiquetagem e montagem de estruturas informativas (agora quase completamente destruídas) "foram uma colaboração gratuita dos alunos da Escola Profissional Beira Aguieira, de Mortágua, sob a coordenação de Francisco Coimbra."
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O "Cedro de S. José" é considerado o mais antigo Cupressus Lusitanica do Buçaco. Segundo a versão mais difundida, a sua introdução na Mata, ter-se-á efectuado entre a fundação do Convento (ca 1630) e 1644, ano em que o então reitor inaugurou a capela de S. José. No entanto, o professor Jorge Paiva, baseando-se em textos da época referentes a datas anteriores que já mencionam a existência de árvores de grande porte e até mais especificamente , o "funesto cypres" (na poesia de Bernarda de Lacerda, 1634), é de opinião que a introdução dessa primeira exótica na mata do Buçaco é anterior à chegada dos frades Carmelitas Descalços, não sendo de descartar a hipótese de se ter efectuado através de sementes do Carmelo de Granada* trazidas por San Juan de la Cruz «para Portugal, na viagem que efectuou, em 1585, de Granada, por Sevilha, até Lisboa.» Jorge Paiva , in A Relevante biodiversidade da mata, Monumentos, n.º 20, DGEMN, 2004, p. 27
Ernesto Goes, no seu livro sobre árvores monumentais (1986), refere que este exemplar tinha cerca de 5, 7 m. de PAP e 22 metros de altura e que «ao seu lado foi derrubado pelo último ciclone de 1981, um outro exemplar excepcional exemplar em que o tronco tinha na base 5 m. de perímetro.»
Apontadores:
Cedro de San Juan no *Carmen de los Mártires (outra foto)
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15.8.07
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Os eucaliptos gigantes de Portugal, Ernesto Goes, Lisboa, Portucel, 1979, pp. 103.
Ontem, num alfarrabista da cidade, encontrei este livro que apenas possuía em versão fotocopiada. O autor, engenheiro silvicultor de profissão, é considerado um pioneiro na campanha de preservação de árvores monumentais do nosso país, e os seus livros têm sido preciosos para a descoberta destes "monumentos vivos".
.
Na fotografia do lado direito vê-se o Eucalyptus obliqua gigante (ver placa identificativa só para gigantes também) do Jardim Botânico de Coimbra fotografado no Verão de 2006. Esta árvore, segundo Goes, media 40 m. de altura em 1979 e em 1985, 43.
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25.7.07
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Cedro-do-Himalaia -Cedrus deodara
«No Parque do Solar de Mateus, em Vila Real, um exemplar plantado em 1870, que é constituído por uma rebentação de toiça, com 6 rebentos, cada um com 0,80 a 1 m de diâmetro na base. » Em 1984, Ernesto Goes in Árvores Monumentais de Portugal
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27.11.06
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do Jardim Botânico de Coimbra mencionadas por Ernesto Goes (1984)
Vista panorâmica: ao centro, por detrás das palmeiras, a copa da Ficus macrophylla (árvore da borracha)
e ao lado direito, o cimo do Cedrus deodara (cedro-do-Himalaia).
Araucaria bidwillii (sem referência de medidas),
Ficus macrophylla, "o maior exemplar existente no País com 11, 5 m de PAP e 32 m de diâmetro de copa;
Cedrus deodara, "com 3, 40 m de PAP e 30 m de altura";
Eucalyptus cornuta, "o maior exemplar existente no País (...) tendo 4, 20 m de PAP e 37 m de altura";
Eucalyptus obliqua "com 5,53 m de perímetro do tronco e 43 m de altura";
Eucalyptus viminalis com "4,8 m de perímetro";
Grevillea robusta, "o mais velho e grosso exemplar que se conhece (...) com 4,2 m de PAP (...) 29 m de altura";
Washingtonia filifera;
Avenida das Tílias.
TPC para a visita de hoje ...
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1.11.06
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A rever amanhã na visita a Tibães!

. Pinus pinaster monumental em Tibães- Novembro 2003
« Na Quinta do Convento de Tibães, próximo de Braga, há o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País, e talvez o mais volumoso, em que o tronco tem 3,95 m. de PAP e está limpo de ramos até 22 m. de altura. Esta árvore tem no total a altura de 32 m. e uma copa bastante ampla.»
Ernesto Goes, Árvores Monumentais de Portugal (Portucel,1984), p. 99
Nota: a mancha branca que sobressai na base do lado esquerdo do tronco corresponde a uma pessoa.Ver foto de dois cedros monumentais e tília ao pé do
lago .
Adenda (29-10-06): Medimos hoje -o melhor que pudemos, devido ao declive do terreno, e o valor que obtivemos foi 4, 10 m. de perímetro do tronco à altura do peito (PAP); ou seja, em duas dezenas de anos o pinheiro terá engrossado cerca de 15 cm..
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28.10.06
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Fotos: manueladlramos- Agosto de 2003 .......clicar nas imagens para aumentar
«Azinheira da herdade do Vale da Rebola- pertencente à Casa de Bragança, fica na freguesia e concelho de Portel, a 3 km desta vila, próximo da estrada de Oriela-Portel. Esta árvore situa-se junto a uma linha de água próximo do "Monte", tendo as seguintes dimensões: 4,3 m. de P.A.P., 24 m. de diâmetro de copa e 25 metros de altura.» in Árvores Monumentais de Portugal de Ernesto Goes (1984)
Apesar das indicações e do seu porte, não foi "pêra doce" dar com esta árvore, pois ao contrário do que pensámos, ela não se avista da referida estrada. Mas valeu bem a pena o tempo passado à procura. Lamento no entanto não ter encontrado ninguém para meter conversa e ficar a saber mais alguma coisa sobre a azinheira e seus donos. Será que ainda pertence à Casa de Bragança como escreve Ernesto Goes? Terá entretanto sido classificada como árvore de interesse público? Bem o merecia, e já agora, ser integrada num circuito de azinheiras monumentais.
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2.9.06
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Oliveiras (Olea europaea L. var. europaea) classificadas de interesse público em 2001
Ver mais fotos das oliveiras ao pé do aqueduto (por Vitor Oliveira- via Serpa (wikipedia)
Sobre estas oliveiras de Serpa, Ernesto Goes no seu Árvores Monumentais de Portugal (1984)escreveu o seguinte: «... em frente ao jardim público de Serpa e junto à estátua do Abade Correia da Serra , célebre botânico que viveu nos fins do século XVIII e princípios do século XIX, e natural desta vila, foram transplantadas 3 oliveiras multisseculares (possivelmente milenárias) de grande porte.
Estas oliveiras foram transplantadas em 1958 pelo distinto eng.º Silvicultor Pulido Garcia, também natural desta vila, que vingaram devido a uma técnica apurada. A maior delas tem 6.9 m. de PAP e as outras cerca de 5.5 .
Também junto à muralha do Castelo foram transplantadas várias oliveiras multiseculares.»
Passados quase cinquenta anos após a transplantação, estas oliveiras continuam a vingar tendo sido classificadas como árvores de interesse público em 2001, como se fica a saber na página sobre Património Natural do site da Câmara Muncipal de Serpa.
....
PS: Há muito que queria publicar fotografias destas oliveiras de Serpa e decidi-me finalmente, ao ler ontem no JN uma pequena reportagem sobre três oliveiras emblemáticas do concelho de Mirandela (chamada a Cidade das Oliveiras devido aos cerca de 750 exemplares dos seus jardins, ruas e avenidas > ) . Muito interessante a ideia de «uma rota unindo todos estes "monumentos vivos"»: com efeito para o património arbóreo poder ser "chamariz de turistas" tem que estar devidamente identificado e sinalizado o que infelizmente é raro acontecer. Veja-se por exemplo o caso do Porto em que nenhuma das árvores classificadas da cidade está assinalada como tal.
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7.8.06
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No seu Árvores Monumentais de Portugal (1984), Ernesto Goes lista os seguintes cedros monumentais fazendo preceder cada espécie de uns curtos parágrafos.
«Cedros (Cedrus).
Pertencem à família das Pináceas. No género Cedrus há a considerar no País 3 espécies que atingem dimensões assinaláveis, que são: Cedrus deodara, Cedrus atlantica e Cedrus libani.
Qualquer destas espécies têm sido bastante plantadas em parques e jardins e mesmo em arborizações de perímetros florestais do Estado. As madeiras destas espécies são muito apreciadas para a construção e marcenaria.
Cedrus deodara : É oriundo da Ásia, das montanhas do Himalaia e Afeganistão, sendo de considerar os seguintes exemplares de porte excepcional:
Cedrus atlantica: É oriundo das montanhas do Atlas, no Norte de África, sendo de destacar os seguintes exemplares:
Cedrus libani: É oriundo do Médio Oriente. Não queremos deixar de referir que cruz que Cristo transportou e onde foi crucificado era de madeira de Cedro do Líbano.
Ernesto Goes não pretende ser exaustivo e há no nosso País (nomeadamente no Porto) outros cedros de porte assinalável não referidos pelo autor.
Na lista de Árvores isoladas, maciços e alamedas Classificadas de Interesse Público pela Direcção-Geral das Florestas (2003), por exemplo, apenas um exemplar dos mencionados por Goes se encontra classificado (o Cedrus atlantica do Hotel Grão Vasco (Viseu), vindo ainda nesse documento oficial pelo menos 5 árvores classificadas que não são referidas no livro: 3 Cedrus atlantica (em Coimbra, em Lisboa, e em Chaves- nota: sempre pensei que este último fosse um Cedrus deodara) e dois Cedrus deodara ( em Lisboa e na Régua).
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19.1.06
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Cedro-do-Atlas (Cedrus atlantica) classificado de interesse público em 1965, no jardim do Hotel Grão Vasco em Viseu.
Ernesto Goes no seu livro sobre Árvores Monumentais de Portugal diz que este cedro-do-Atlas centenário "deve ser o maior do País". Será?
Salvou-se graças ao arquitecto António Viana Barreto como se transcreve na Gazeta Rural (Viseu-1.08.2004) : «"O cedro atlântico que se mantém junto ao Hotel Grão Vasco estava previsto ser sacrificado pela abertura de nova avenida de acesso ao Rossio". Ora o que este fazedor de paisagem acabou por propor foi o desvio da dita avenida e a manutenção do cedro hoje considerado imóvel de interesse público.»
Na publicação do Instituto Florestal sobre árvores classificadas as informações sobre esta árvore monumental são as seguintes: altura total- 34,oo m; circunferência a 1,30 m- 4,80 m; diâmetro médio da copa- 29,00 m; idade provável- centenária.
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28.11.05
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Plátano monumental de Alijó, conhecido como a "árvore grande". Plantado em 1856 e classificado de interesse público em 1953. Segundo Ernesto Goes , ca1984, tinha «6 m. de P.A.P., 30 m. de altura, e 26 m. de diâmetro de copa.»
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17.10.05
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A propósito do incêndio na Mata Nacional de Vale de Canas (ver imagem das chamas no Alcatruz)
e da notícia segundo a qual esta célebre árvore se terá salvo.
«Em publicação anterior afirmámos que "em Portugal há eucaliptos que são as árvores mais altas da Europa" e talvez as mais volumosas. Esses eucaliptos mais altos situam-se na Mata Nacional de Vale de Canas, próximo de Coimbra, e têm cerca de 70 m de altura. Esta nossa afirmação, "que em Portugal há eucaliptos que são as árvores mais altas da Europa", dita no Congresso de eucaliptos realizado pela FAO em Lisboa em 1960, caíu como uma bomba em tão selecta reunião, e só foi aceite como verdadeira quando os congressistas, na excursão de estudo que realizaram posteriormente, tiveram a oportunidade de admirar essas maravilhosas árvores. Sobre este assunto, mais tarde (em 1965) o prof. Jaime Pardé, Director da Estação de Silvicultura e Produção do Centro Nacional de Investigação Florestal de Nancy (França) e autor de vários livros lidos mundialmente por todos os técnicos florestais, escreveu-nos uma carta que em parte reproduzimos:
"Eu recebi recentemente Os eucaliptos de Portugal que apreciei com muito interesse. Preparando do meu lado um pequeno livro sobre a floresta, eu consagro um pequeno parágrafo às árvores mais altas do Mundo e da Europa. Eu julgava, antes da leitura do vosso livro, que o campeão era uma Picea romana, mas li na página 115 (Eucaliptus diversicolor) que existia um exemplar com 65 metros de altura na mata de Vale de Canas. Nestas circunstâncias, então será a árvore mais alta da Europa."
Em resposta confirmei que esse eucalipto tinha sido medido com todo o rigor e que tinha 64,70 metros de altura. Em 1974, em Vale de Canas foi medido esse eucalipto, assim como alguns E. globulus, cujas alturas a seguir se apresentam: E. diversicolor...60,50 m; E. globulus...66,50 m; E. globulus...66,00 m. Presentemente estes eucaliptos foram de novo medidos, tendo uma altura um pouco superior.»
Ernesto Goes, Árvores Monumentais de Portugal (1984) , p. 16
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ManuelaDLRamos
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26.8.05
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Na sua última crónica, Germano Silva traça-nos a história do espaço onde actualmente existe o Jardim a que nos habituámos a chamar da Cordoaria e evoca o seu famoso ulmeiro, também ele "pertencente à história":
«(...) Com o seu jardim descaracterizado, maltratado, vilipendiado, a Cordoaria, vamos continuar a dizer assim, é, ainda, e sobretudo, uma página da história portuense. Porque a memória não se apaga.
O verdadeiro padrão dessa praça foi um "ulmus" famoso, uma curiosidade bairrista sem a expressão e o pitoresco de um monumento de verdade, mas ainda assim popular e venerando.
Essa árvore velhinha, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de trezentos anos depois; que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio; que deu sombra e pousio a várias gerações; sofreu uma calúnia grave acusaram-na de ter cedido um dos seus mais possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. Tudo mentira. Na chamada "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado. (continuar a ler)»
Claro que a leitura da crónica despoletou a lembrança de outros textos que falam sobre a histórica árvore e não perco a oportunidade os divulgar.
O facto de esse ulmeiro vetusto, desaparecido em 1986, ter ficado conhecido pela "árvore da forca" deve-se provavelmente à circunstância de realmente se ter procedido nas suas imediações à execução de sentenças em que os condenados eram enforcados, e eventualmente também à própria forma das pernadas que iam sobrevivendo e do tronco.
Ainda em 1984, ou seja dois anos antes de este ulmeiro quadricentenário perecer, Ernesto Goes repete essa ideia e escreve : «Ulmeiro do Jardim da Cordoaria , no Porto, com 6,80 m.. de P.A.P., sendo o mais grosso que conhecemos. Esta árvore é muito conhecida no Porto pela "árvore da forca", onde eram enforcados os condenados à pena capital, antes de esta ter sido abolida em 1840. Ainda hoje é bem visível o cadafalso, ou seja o patamar resultante do corte do tronco a 5 m. de altura de onde eram empurrados os condenados à morte. (...)»
Foi uma das primeiras 14 árvores classificadas de interesse público, logo em 1939, e uma das três que na cidade do Porto ficaram então ao abrigo desse estatuto, como já aqui se escreveu.
Em 1885, num texto em que resume a história desta árvore velhinha e todas as vicissitude por que passou, José Duarte de Oliveira Júnior, curiosamente, não fala de enforcamentos mas sim de decapitações e sugere que nesse Outono se colhessem algumas sementes «para por via d'elas, se perpetuar tão famoso vegetal, e que no dia 14 de Outubro de 1886 se disponham quatro destas árvores ao lado das quatro entradas principais do actual jardim, increvendo-se, próximo de cada uma essa data sanguinolenta: 14 de Outubro de 1757.» e acrescenta:
«Agora, não; porém, mais tarde, a história ocupar-se-á dessas vergonteas que são prolongamento da vida de um ser que bem do alto observou o que as gerações actuais comentam por diversas formas.
Enquanto esse colosso vegetal viver, enquanto ele tiver um único sinal de vida, cuide-se dele como de um enfermo que bate às portas da morte, como do parente extremoso que está próximo de exalar o derradeiro suspiro, e mesmo depois de morto conserve-se ali o seu tronco, considerando-o uma relíquia da cidade; mas hoje coloque-se-lhe ao lado um lápide com esta singela inscrição:

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27.7.05
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Portalegre 2002-08
«O mais célebre plátano do país é o de Portalegre, que se situa num jardim desta cidade, cuja sombra é muito apetecível principalmente no Verão. Esta árvore que foi plantada em 1838 junto a uma linha de água, tem hoje o tronco em grande parte soterrado, em virtude dos aterros sucessivos para nivelamento do actual arruamento (Av. da Liberdade). Está considerado de interesse público por decreto publicado em "Diário do Governo".
Do tronco que presentemente é muito curto, com 5, 26 m de P.A.P., saem inúmeras pernadas que formam uma copa larga e densa, com 27 m. de diâmetro.
É de notar que este plátano, segundo Sousa Pimentel, em 1894 tinha 3 metros de P.A.P. e a copa 24 m. de diâmetro.» Ernesto Goes- in Árvores Monumentais de Portugal ,1984
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Adenda- 21 Março de 2007 - depois de ler o interessante texto publicado sobre o dia da árvore (no jardinando sem parar) em que se refere esta árvore classificada, resolvi acrescentar as seguintes informações:
Junto deste plátano encontram-se duas placas comemorativas: a que vemos na fotografia assinala a comemoração dos 160 anos da árvore e data de Dezembro de 1998; numa outra pequena lage (ver foto) datada de Junho de 2000, assinalando o Dia Mundial do Ambiente, pode ler-se que a árvore foi classificada de interesse público em 1939 e que as suas dimensões eram então as seguintes: diâmetro da copa- 46 metros; perímetro do tronco: 5,66 m. ; altura: 30 metros.
Ver aqui e aqui duas interessantes fotografias antigas deste plátano, nos anos 40 do século XX e dos anos 80 do século XIX.
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7.7.05
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14.1.05
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Fotos: manueladlr amos 0401 Castanheiros monumentais (Castanea sativa) - Lamego
Estas árvores, onde já morou incontáveis vezes o espírito do Outono, são agora a expressão mais triste do Inverno. Há muito na minha lista de "peregrinações", em Janeiro último fui finalmente visitá-las.
Uma cabeleira inesperada de heras esconde a decrepitude do primeiro castanheiro a ser classificado de interesse público (em 1940) no nosso país; e não são muitos os castanheiros classificados: apenas mais quatro, segundo o documento Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público*, onde se pode ler sobre este castanheiro, estar ele "totalmente decrépito" e ter "cerca de 700 anos".
Na árvore que conserva algumas pernadas, na extremidade de um dos ramos, viam-se ainda sinais do tempo cíclico: folhas carcomidas e ouriços!
Estas verdadeiras relíquias mereciam muito mais que estreitos canteiros e placa comemorativa!
Sobre estas árvores escreve Ernesto Goes o seguinte:
«Castanheiros do Parque de Nossa Senhora dos remédios, em Lamego.
Trata-se de dois castanheiros multiseculares, decrépitos, tendo o maior 9 m. de P.A.P, que segundo Taborda de Morais (1936) deve ter cerca de 900 anos, sendo um dos mais velhos do País. Esta árvore está considerada de interesse público, por Decreto publicado em 'Diário do Governo'. Foi assinalado por Sousa Pimentel no seu livro Árvores giganteas de Portugal, publicado em 1894, tendo já nessa altura 9 m. de P.A.P. Este castanheiro pertence à irmandade de Nossa Senhora dos Remédios.»
in Árvores Monumentais de Portugal (1984)
*Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público, 2003-Instituto Florestal; obra que pode ser pedida na Biblioteca da Direcção Geral dos Recursos Florestais.)
Outras árvores classificadas
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ManuelaDLRamos
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10.11.04
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fotos: mdlramos 0312 -Araucaria angustifolia
Sobre esta Araucária-do-Brasil, localizada em Lordelo, Guimarães, concelho vizinho de Vizela, diz Ernesto Goes o seguinte: «Trata-se do Pino do Pará (sic) ou seja duma espécie do Sul do Brasil e Argentina. Por este facto, muitos emigrantes regressados daqueles países, por saudosismo, têm plantado um ou vários exemplares nas suas quintas, principalmente nas províncias do Minho e Alto Douro.
O maior e mais belo exemplar que conhecemos, fica numa Quinta junto à estrada de Stª Tirso-Guimarães ao Km 33-3 (a 11,5 km de Guimarães). Esta árvore tem as seguintes dimensões: perímetro do tronco a 1,30 m do solo (P.A.P.) -2,95 m.; altura do tronco, limpo de ramos- 20,00 m.; altura total-30,00 m.»
in Árvores Monumentais de Portugal (1984)
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Araucária-do-Brasil
Com indicações tão precisas, claro que fui direitinha lá dar.
Na fotografia do lado direito a máquina disparou mais depressa do que eu pensava mas ainda me apanhou de costas... e não há nada como uma figura humana para se ter uma ideia mais precisa das dimensões das árvores. No entanto apesar da sua altura, e devido a estar depois da apertada curva de Lordelo, este "pinheiro-do-Brasil", que segundo me informaram está na "Quinta das Rendas" (?), passa despercebido a quem vier de Guimarães.
No site dedicado à freguesia a que pertence este lugar, e excepção feita ao loureiro, abordado do ponto de vista toponímico, não se faz referência a mais nenhuma espécie, no entanto, para além desta magnífica Araucaria angustifolia, há na zona outras árvores dignas de nota, nomeadamente plátanos de porte momumental (na mesma propriedade), carvalhos (ao pé da velha Igreja Matriz) e ainda um conjunto invulgar de Cupressáceas.
Araucárias-do-Brasil em Vizela e Viseu
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3.10.04
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Fotografia do livro Árvores Monumentais de Portugal.
«É uma árvore muito velha com mais de 300 anos, e que serve de extrema entre três herdades, e por essa razão se denomina o Pinheiro do Marco.»
Com uma copa de 33 metros de diâmetro (em 1986) , este pinheiro, que segundo Ernesto Goes deveria «ser o maior do Baixo-Alentejo», foi o objecto de uma autêntica caça ao tesouro no verão do ano passado. Mas tinham sido tantas as paragens pelo caminho, de pinheiros em oliveiras, e de azinheiras em sobreiros, que a chegada à zona de Grândola se fez já perto do entardecer, o que não ajudou nada à descoberta.
Estradinhas secundárias, pinhais a perder de vista; pinheiros mais altos uns que os outros, mas do portentoso pinheiro do Marco, nada! As indicaçõe eram no entanto precisas: estava situado «... na extrema nascente da Herdade da Freixera, próximo da estrada de Alcácer do Sal a Grândola, a 6 Km desta vila.»
Ah! Mas isso era dantes! Agora, o maior entrave é a larga auto-estrada (mal nós imaginávamos...) que passa a um nível mais baixo e corta a meio a vasta extensão de pinhal, impossibilitanto que se procurasse no "outro lado". Finalmente, com a aproximação do lusco-fusco, e depois de termos contornado e cruzado várias vezes as herdades, adiámos a investigação para uma próxima vez.
Voltámos à estrada nacional, depois à auto-estrada, e, quando passávamos justamente na zona por onde tínhamos andado, qual não foi o nosso espanto... avistámos um enorme pinheiro, num canteiro triangular na berma da auto-estrada, no local onde há uma saída para Beja, na via contrária àquela que percorríamos. Nem queríamos acreditar! «-Olha o pinheiro! Olha o pinheiro!... é aquele, é aquele!...» Com semelhante altura (mais alto do que todos que até então avistáramos) só podia ser ele. E entretanto ficava para trás, cada vez mais para trás, pois, devido ao trânsito, foi impossível parar!
Não tenho nenhuma imagem, nem pude comprovar que se trata realmente do pinheiro do Marco referido por Ernesto Goes. (Há uma localidade chamada Pinheiro do Marco, que fica perto de Alcochete, mas não tem nada a ver com este pinheiro). Fica ao quilómetro 105 , sentido Norte-Sul ou 135, + ou -, no sentido contrário, e este ano vou lá confirmar a sua identidade, fotografá-lo e prestar as minhas homenagens. Pois, mesmo que não se trate «do maior pinheiro manso do Baixo-Alentejo», é uma senhora árvore ingloriamente condenada àquele cenário inóspito; e que, apesar de incrivelmente sobrevivente às obras da auto-estrada, causa dó.
Triste actualização-16 de Agosto de 2004
Confirma-se que o pinheiro avistado em 2003 era na verdade o grande pinheiro do Marco, mas infelizmente a árvore já não existe. Segundo informações recolhidas no local, há cerca de três meses caiu-lhe uma das pernadas e ficou em tão mau estado que teve que ser abatida.
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15.8.04
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