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07/11/2007

Cedros ao pé do lago

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Cedros-do-Himalaia (Cedrus deodara) Mosteiro de Tibães >
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Trata-se sem dúvida de um dos locais mais interessantes da cerca do mosteiro e, sempre que visito o local, saboreio antecipadamente o impacto provocado pela visão dos dois enormes cedros ladeando o estreito caminho que acede ao lago. De acordo com Ernesto Goes, há cerca de um quarto de século, as dimensões destes dois guardiões do lago, que aqui se podem ver de corpo inteiro, eram de 3, 26 m. e 3, 16 m. de PAP e 37 m. de altura. Perto destes cedros monumentais encontra-se "o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País"

31/10/2007

Dia mundial da abóbora


Mosteiro de Tibães - Outubro de 2007

25/10/2007

Tibães



Na cerca do Mosteiro de Tibães, havia menos água do que esperávamos encontrar. Tem chovido pouco, e as plantas da estação, que brotam só com o solo humedecido, ainda não receberam sinal para despertarem do sono. No escadório sombreado por oliveiras que sobe para a Capelinha de São Bento, e que é pontuado por uma sucessão de tanques ligados por uma conduta de granito, também não se vê gota de água. O Outono aqui é menos visível do que na cidade: carvalhos, castanheiros e áceres só levemente se tingem de amarelo, e são avaros em largar as folhas; só os azevinhos, com os seus cachos de frutos vermelhos, é que se julgam já chegados ao Natal.



Num pátio interior do mosteiro, há uma fonte octogonal encimada por uma taça musgosa de onde cai, por oito bicas, a água que na superfície do tanque desenha outros tantos padrões de círculos concêntricos. A plataforma quadrangular onde se situa a fonte, ajardinada de forma rigorosamente geométrica, fica separada das paredes em volta por passagens a cota mais baixa. Maciços de salvas (Salvia splendens) pintam de vermelho o bordo do quadrado; no seu interior, o branco da lobulária (Lobularia canariensis) contrasta com o cinzento rude da pedra. É um arranjo simplista mas apelativo, que combina com o carácter austero do mosteiro.

P.S. Veja mais fotos e informações sobre o Mosteiro de Tibães no desNorte.

22/10/2007

Urze-minhota



Daboecia cantabrica

A Daboecia cantabrica, parente próxima da Erica, é uma pequena planta arbustiva europeia, própria de matas com solo ácido em climas temperados. É espontânea numa faixa que vai do oeste de França ao norte de Espanha e noroeste de Portugal, e surge também na Irlanda - mas não, curiosamente, na Grã-Bretanha. O Portugal Botânico de A a Z chama-lhe urze-irlandesa, o que, apesar de correcto, ignora que a planta por cá se encontra no estado natural. Dada a sua área de distribuição no nosso país, o nome que lhe atribuímos em título parece-nos mais justo.

O género Daboecia alberga duas únicas espécies: a outra é a endémica açoriana D. azorica, confinada às ilhas de São Miguel, São Jorge, Pico e Faial, onde é conhecida como queiró - um dos nomes que, no Continente, se dá à Calluna vulgaris. Em ambas as espécies de Daboecia, as pétalas unidas das flores formam inconfundíveis cilindros insuflados; além disso, essas flores (ou, para semos exactos, as suas corolas) são caducas, ao passo que na Erica elas permanecem no arbusto mesmo depois de secas.

O nome génerico Daboecia vem de São Dabeoc, monge irlandês que viveu entre os séculos V e VI. É por isso bem apropriado que tenhamos encontrado a Daboecia cantabrica na cerca do Mosteiro de Tibães, onde, abrigada por carvalhos e pinheiros e na companhia de outras urzes já desbotadas, se manterá em flor até à chegada do Inverno.

20/11/2006

Gilbardeira

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.Ruscus aculeatus foto: Tibães, Outubro 2006

Planta dióica cujos frutos são bagas vermelho vivo surgindo na mesma altura que as do azevinho. Ostenta umas características "falsas folhas", designadas por cladódios - talos foliáceos achatados com a forma de folhas. Pode ser classificada tanto na família das Aspargacea como das Ruscacea (>).
Azevinho-espinhoso, azevinho-pequeno ou menor, erva-de-vasculho ou dos-basculhos, gibaldeira, gibardeira, gilbardeira, murta-espinhosa, pica-rato...
Quantos nomes para uma planta? E que nos contam eles? Excepto o sonante "gilbardeira" de origem desconhecida e os seus afins, todas as designações desta planta são prontamente compreensíveis: a forma das falsas folhas tem semelhanças com as da murta; para efeitos ornamentais pode fazer as vezes do azevinho; como pica foi usada para afastar os ratos dos alimentos pendurados; dela também faziam bom uso os talhantes para limpar os cepos onde cortavam a carne, daí o nome inglês de butcher's broom. Por cá faziam-se vassouras, os vasculhos, usadas segundo parece, para limpar chaminés.
Só falta um nome derivado do facto dos seus rebentos serem comestíveis... e outros tantos para nos elucidarem sobre as suas propriedades medicinais. Neste particular os franceses têm pelo menos um: "plante des jambes légères"(>). Mas sobre o valor terapêutico desta planta, que não devia ser ignorado pelos boticários de Tibães, nada melhor do que lermos o relato que a Mrs Grieve faz no seu Herbal, em que, como é seu hábito, transcreve as saborosas recomendações dos antigos herbalistas.

No entanto, a mais valiosa descoberta, ao "vasculhar a web" procurando informação sobre esta planta, foram as páginas Flora Digital de Portugal no renovado site do Jardim Botânico da UTAD (que já não visitava há uns tempos)! Vai passar a ser de consulta obrigatória.

01/11/2006

A ler

"Tudo" sobre a abóbora- no Botany Photo of the Day

Abóbora em cima de muro - Mosteiro de Tibães, Outubro de 2006
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28/10/2006

Tibães no Dias com árvores

"o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País"

A rever amanhã na visita a Tibães!

. Pinus pinaster monumental em Tibães- Novembro 2003

« Na Quinta do Convento de Tibães, próximo de Braga, há o mais espectacular e belo pinheiro bravo do País, e talvez o mais volumoso, em que o tronco tem 3,95 m. de PAP e está limpo de ramos até 22 m. de altura. Esta árvore tem no total a altura de 32 m. e uma copa bastante ampla.»
Ernesto Goes, Árvores Monumentais de Portugal (Portucel,1984), p. 99

Nota: a mancha branca que sobressai na base do lado esquerdo do tronco corresponde a uma pessoa.Ver foto de dois cedros monumentais e tília ao pé do
lago .

Adenda (29-10-06): Medimos hoje -o melhor que pudemos, devido ao declive do terreno, e o valor que obtivemos foi 4, 10 m. de perímetro do tronco à altura do peito (PAP); ou seja, em duas dezenas de anos o pinheiro terá engrossado cerca de 15 cm..
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17/11/2005

Carvalhal no Outono- Tibães

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Quercus robur na cerca do Mosteiro deTibães - Novembro 2003

«No idioma usual e moderno "mata de carvalhos" diz-se carvalhal, e às vezes souto; mas no Minho usa-se em algumas terras devesa, como lá tenho ouvido, e já no foral de Pedroso (Gaia), de 1271, se lê: "nulllus homo amputett quercum in nulla defessa(m)" (Leges , p. 724); na mesma província do Minho ouvi carvalheira (Melgaço, V. N. da Cerveira) por "souto de carvalhos", e diz-se também, ou deve-se ter dito, carvalhal, que é corrente na toponímia minhota. Em Seia, a par de carvalhal, diz-se moita, como sinónimo. (...)»
José Leite de Vasconcelos, Etnografia portuguesa: tentame de sistematização. Lisboa : IN-CM, 1958-1988, vol. II, p.66

28/11/2004

Despedida do Outono - Tibães


Fotos: mdlr 0311 - Mosteiro de Tibães - Braga



Paisagem de final de Outono em Tibães : na cerca do Mosteiro ( «...de 40 hectares, a maior cerca monástica preservada em Portugal ...») pode admirar-se um conjunto notável de espécies arbóreas nomeadamente carvalhos, azevinhos, castanheiros e medronheiros (para além de cedros e pinheiros de alto porte, como já aqui mostrámos).
Só não se entende por que razão é igualmente assinalável o número de acácias-austrália num local em que se pretende preservar a flora autóctone.

Breve nota: antes de uma deslocação ao Mosteiro de Tibães (freguesia de Mire de Tibães, concelho de Braga) será de toda a conveniência assegurar-se que não se realizam, no terreiro em frente à igreja, nenhuma feira ou festa popular. A sanfona debitada nestas ocasiões pelos altifalantes arruinará por completo a visita.

Sobre este local e a sua história ver IPAR-wikipedia.

20/11/2004

Linden time


foto: mdlr 0311-Tibães..Folhas de tília no lago

01/11/2004

Nuvens sobre a floresta

Sombra com sombra a mais...
Minha tristeza é esta -
A das coisas reais.

A outra, a que pertence
Aos sonhos que perdi,
Nesta hora não me vence,
Se a há, não a há aqui.

Mas esta, a do arvoredo
Que o céu sem luz invade,
Faz-me receio e medo...
Quem foi minha saudade?

Fernando Pessoa, Poesias (1933)

Lago- Mosteiro de Tibães (clicar para aumentar)