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02/04/2015

O lince e a sequóia

Imagine-se que, depois de toda a comoção e efervescência mediática com o retorno do lince-ibérico a Portugal, é chegado o momento de soltar na natureza os primeiros linces criados em cativeiro. Com muitos jornalistas, fotógrafos, operadores de câmara, políticos e biólogos a postos para a ocasião, eis que os bichos que saem das jaulas de transporte, algo sobressaltados por tanta gente à sua volta, são simples gatos domésticos e não os desejados linces. Contudo, não se ouve qualquer reparo. Talvez apenas ao ministro pareça que alguma coisa nas orelhas dos felinos agora postos em liberdade (e que rapidamente desaparecem de vista) não bate certo com as fotos que consultou à socapa na Internet antes de vir para a cerimónia. O ministro, porém, acha prudente calar-se: não lhe cabe pôr em dúvida a competência dos técnicos especializados que ajudaram a criar os alegados linces, e que agora se quedam emocionados vendo-os ir à sua vida. Quanto aos jornalistas, estão ali para propagar a boa nova e não para fazer perguntas impertinentes. E assim acontece: televisões, redes sociais, imprensa escrita — toda a comunicação social, mostrando imagens dos gatinhos, garante que os linces estão de volta a Portugal. Como de costume, há um ou outro São Tomé empedernido que duvida até do que vê, mas felizmente ninguém leva a sério esses poucos incréus que tentam refutar a notícia chamando a atenção para o pormenor das orelhas.

Se um tal episódio de ignorância e credulidade colectivas é manifestamente improvável quando se trata de animais (embora seja comum a confusão entre lobos e cães assilvestrados), já o mesmo não sucede com as árvores. De facto, a história que a Câmara do Porto engendrou à volta do abate e substituição da sequóia-gigante do Jardim do Carregal teve um desfecho não menos burlesco do que a história imaginária do lince-que-afinal-era-gato. Nem sequer faltaram jornalistas para amplificar o dislate. Jornalistas que, quando para ele alertados, responderam com o silêncio que as pessoas de bem reservam aos interlocutores inconvenientes.

A Câmara Municipal do Porto (CMP) não trata as árvores com especial carinho, sendo bem mais lesta a abatê-las (por razões que nem sempre se entendem) do que a substituí-las. As tílias que há três ou quatro anos foram cortadas à frente dos jardins do Palácio de Cristal nunca foram substituídas. Pelo contrário, encheram-se as caldeiras com paralelipípedos. Noutros locais da cidade onde se fez o mesmo (e foram muitos) usou-se cimento ou alcatrão, mas o resultado foi idêntico: desapareceram não só a árvore mas o próprio lugar da árvore. E o modo como a CMP lida com as suas árvores em nada se alterou com a mudança do poder político.

Mas houve uma coisa que mudou. Se ao vereador faltam força política, competência ou vontade para melhorar os serviços sob a sua tutela, já lhe sobra argúcia para entender que, muito mais do que fazer as coisas bem, importa noticiá-las bem. Entre nós, o desvelo encenado pela árvore ou pela natureza, mesmo sendo oco (coisa que nenhum jornalista se dá ao trabalho de averiguar), garante sempre boa imprensa. Em vez de se plantarem as árvores que fazem falta nas ruas que a CMP se encarregou de despir, o vereador determina que será plantada uma só árvore, mas essa árvore e os eventos criados a propósito dela hão-de ser notícia do maior destaque.

E as coisas pareciam correr a preceito. A morte da sequóia-gigante (Sequioadendron giganteum) do Jardim do Carregal e a sua longamente anunciada substituição renderam, só no jornal Público, nada menos que quatro notícias ao longo de 15 meses (1, 2, 3, 4). Era o vereador a lamentar a perda de uma árvore classificada (coisa que ela nunca foi), era a promessa de que seria substituída por outra da mesma espécie, era o painel com a foto da falecida em contra-luz, era a colaboração dos alunos de Belas Artes.

O leitor por certo já adivinhou o desfecho da história. No meio de tanta festa e animação cultural à volta da árvore, ninguém se lembrou de olhar para ela com olhos de ver. No lugar da anunciada Sequoiadendron giganteum (sequóia-gigante), o que mora no Jardim do Carregal desde 19 de Março é mais um exemplar de Sequoia sempervirens (sequóia-sempre-verde). A segunda destas espécies, ao contrário da primeira, é frequente nos jardins do Porto e de outras cidades portuguesas. No próprio Jardim do Carregal há mais uns vinte exemplares de sequóia-sempre-verde, alguns deles a meia dúzia de metros do exemplar agora plantado.

As duas sequóias têm folhagens muito diferentes, e não é preciso ser-se um fino conhecedor de árvores para as distinguir. Isso mesmo é ilustrado pelas fotos que se seguem, tiradas esta semana nos jardins do Carregal e da Cordoaria (é no último que vegeta uma das duas únicas sequóias-gigantes do Porto; a outra está no Parque de Serralves).


Sequoia sempervirens (D. Don) Endl. — plantada em 19 de Março de 2015 no Jardim do Carregal


Sequoiadendron giganteum (Lindl.) J. Buchholz — fotografada no Jardim da Cordoaria

11/06/2007

A ler- "Planar sobre a copa das árvores"



N' O Primeiro de Janeiro : «Passeio à descoberta de exemplares monumentais
Um passeio destinado a visitar as árvores monumentais do Porto levou ontem 50 pessoas à Cordoaria. O objectivo passa pelo enquadramento da ancestralidade das árvores na evolução da cidade e na consciencialização da necessidade de preservar esse património arbóreo.

"Quantos anos tem?". "De onde é originária?". "Qual a altura máxima que alcança?". As perguntas escorriam, umas após as outras, à medida que os olhares percorriam aquele colossal ser vegetal que habita na Alameda dos Plátanos, na Cordoaria.

Foi ali que cerca de meia centena de pessoas se reuniram, para participar no passeio «Rota das Árvores Monumentais», organizada numa parceria entre a Câmara Municipal do Porto, a Fundação Porto Social e a editora Gradiva. "Não esperava esta adesão surpreendente" , confessa, notoriamente satisfeita, Maria Pires de Carvalho, docente da Faculdade de Ciências do Porto, co-autora do livro À Sombra de Árvores com História e a guia da visita, que se esforça por saciar a curiosidade que a atinge de todas as direcções.

"Esta sequóia é originária dos Estados Unidos" (...) O tronco, espesso e enrugado, ergue-se dezenas de metros, ligeiramente debruçado sobre o pequeno lago da Cordoaria.
A poucos metros ao lado, a atenção de todos é subitamente revertida para uma estátua. O monumento encontra-se ali desde 1904. A individualidade que homenageia morreu seis anos antes. (...) José Marques Loureiro (1830-1898) criou o "Horto das Virtudes", jardim também conhecido como "Passeio das Virtudes", actualmente fechado ao público. .............................................................................
A ler também no Jornal de Notícias: «Árvores contam histórias das gentes e da cidade - Rota das árvores monumentais juntou entusiastas desde a Cordoaria aos jardins do Palácio, no Porto- (...) "As árvores também são património a preservar e fazem falta à cidade". Além disso, "têm uma história antiga associada" ao Porto, notou, explicando que o passeio visou sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as árvores. Na Casa Tait, a resposta foi simbólica: 13 pessoas deram as mãos à volta de um tulipeiro para o medir. »

22/07/2006

O homem sonha, a obra nasce


Jardim da Cordoaria - Junho de 2006

Na pág. 38 do número de Julho de Porto Sempre, orgão impresso da Câmara Municipal do Porto, ficamos a saber que o Presidente da Junta de Freguesia da Vitória, António Oliveira, gostaria «de ver o Jardim João Chagas (Jardim da Cordoaria), projectado no âmbito da Porto 2001, alterado e transformado, por exemplo, num recinto desportivo com relva sintética ou num parque infantil». Sabendo como não são cordiais as relações entre Junta e Câmara, é preciso tomarmos esta informação com cautela: António Oliveira pode não querer todo o jardim convertido em recinto desportivo, mas apenas - e conforme anteriores declarações suas à imprensa - que ele seja ocupado parcialmente com esse fim. É como se, em vez de querer reconstruir a Torre dos Clérigos (situada também na freguesia da Vitória), adaptando-a a salão de festas com ganhos evidentes para a população local, ele apenas quisesse modernizá-la com elevador, marquises e ar condicionado.

Reconheça-se que a Cordoaria pós-2001 não é um lugar aprazível: vegetação sem cor e sem variedade, blocos tumulares de granito a fingirem de bancos, caminhos que não se entendem, solo artificializado assente sobre placas oscilantes, iluminação ineficaz, ausência de sanitários públicos. Mesmo com manutenção regular, o jardim seria sempre um caso difícil; o abandono a que tem estado sujeito exacerbou a degradação. Ultimamente, e perante a óbvia complacência da polícia, é mesmo usado como parque de estacionamento. Para que o jardim volte a ser atraente, é imperiosa uma intervenção de fundo que lhe restitua o carácter acolhedor, apagando as marcas do terramoto de 2001.

Apesar da descaracterização que sofreu, o Jardim da Cordoaria, construído na segunda metade da década de 1860, tem um valor patrimonial inestimável como um dos dois primeiros jardins públicos da cidade (só o de São Lázaro é mais antigo); a ele estão ligados os nomes ilustres de Alfredo Allen e do paisagista alemão Emílio David. Adulterá-lo ainda mais ou destruí-lo, como quer o presidente da junta, é acelerar o apagamento da história urbana do Porto.

Fazem falta às gentes da Vitória um recinto desportivo e um parque infantil? Pois bem, na extensíssima eira à frente da Cadeia da Relação cabe tudo isso e ainda sobra espaço para montar o palco em dias de arraial. Aliás, quando aí não funcionam a terceiro-mundista feira dos passarinhos ou o mercado de bugigangas (entretanto regressado às Fontaínhas), é precisamente esse o uso que desde 2001 tem sido dado ao largo pelas crianças da freguesia. Quantos joelhos e cotovelos esfolados não se teriam evitado se em vez de granito o revestimento fosse de relva?

14/12/2005

Um livro e um lugar

Além das árvores, também nos sustentam as palavras de quem as vive. Os lugares fazem-se não só daquilo que os sentidos captam, mas também das memórias que neles se entretecem e se cristalizam em palavras. Memórias partilhadas ou pessoais, palavras públicas ou privadas, prosa ou verso, livro ou recorte de jornal: tudo isso reveste as árvores com uma persistência que nenhum Outono pode quebrar.

A Assírio & Alvim acaba de publicar Porto de Abrigo, colecção de poemas de Jorge Sousa Braga que vem enriquecer os jardins, as árvores e os muros da cidade com novas palavras que ficarão a pertencer-lhes para sempre. Como estas:

JARDIM DA CORDOARIA

Não sei se ainda há plátanos no Jardim
da Cordoaria nem se as couves traçadas

juncam ainda as margens do lago.
O que sei é que um plátano cresceu

dentro de mim e a comichão
que sinto são as raízes e as folhas

que se querem libertar.




Fotos: pva - plátanos da Cordoaria em Abril e Dezembro de 2005

(Não sei que é feito das couves, mas os plátanos ainda lá estão, rijos e para durar. Contudo, a perspectiva da mais famosa alameda do Porto foi estupidamente adulterada por quem teve a ideia de nela fixar, bem a meio, duas tabelas de basquete. É de bradar aos céus: não havia, no jardim ou nas proximidades, outro lugar para pôr semelhantes trambolhos?)

27/07/2005

O ulmeiro da Cordoaria #1

Na sua última crónica, Germano Silva traça-nos a história do espaço onde actualmente existe o Jardim a que nos habituámos a chamar da Cordoaria e evoca o seu famoso ulmeiro, também ele "pertencente à história":
«(...) Com o seu jardim descaracterizado, maltratado, vilipendiado, a Cordoaria, vamos continuar a dizer assim, é, ainda, e sobretudo, uma página da história portuense. Porque a memória não se apaga.
O verdadeiro padrão dessa praça foi um "ulmus" famoso, uma curiosidade bairrista sem a expressão e o pitoresco de um monumento de verdade, mas ainda assim popular e venerando. Essa árvore velhinha, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de trezentos anos depois; que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio; que deu sombra e pousio a várias gerações; sofreu uma calúnia grave acusaram-na de ter cedido um dos seus mais possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. Tudo mentira. Na chamada "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado.
(continuar a ler

Claro que a leitura da crónica despoletou a lembrança de outros textos que falam sobre a histórica árvore e não perco a oportunidade os divulgar.
O facto de esse ulmeiro vetusto, desaparecido em 1986, ter ficado conhecido pela "árvore da forca" deve-se provavelmente à circunstância de realmente se ter procedido nas suas imediações à execução de sentenças em que os condenados eram enforcados, e eventualmente também à própria forma das pernadas que iam sobrevivendo e do tronco.
Ainda em 1984, ou seja dois anos antes de este ulmeiro quadricentenário perecer, Ernesto Goes repete essa ideia e escreve : «Ulmeiro do Jardim da Cordoaria , no Porto, com 6,80 m.. de P.A.P., sendo o mais grosso que conhecemos. Esta árvore é muito conhecida no Porto pela "árvore da forca", onde eram enforcados os condenados à pena capital, antes de esta ter sido abolida em 1840. Ainda hoje é bem visível o cadafalso, ou seja o patamar resultante do corte do tronco a 5 m. de altura de onde eram empurrados os condenados à morte. (...)»

Foi uma das primeiras 14 árvores classificadas de interesse público, logo em 1939, e uma das três que na cidade do Porto ficaram então ao abrigo desse estatuto, como já aqui se escreveu.

Em 1885, num texto em que resume a história desta árvore velhinha e todas as vicissitude por que passou, José Duarte de Oliveira Júnior, curiosamente, não fala de enforcamentos mas sim de decapitações e sugere que nesse Outono se colhessem algumas sementes «para por via d'elas, se perpetuar tão famoso vegetal, e que no dia 14 de Outubro de 1886 se disponham quatro destas árvores ao lado das quatro entradas principais do actual jardim, increvendo-se, próximo de cada uma essa data sanguinolenta: 14 de Outubro de 1757.» e acrescenta:
«Agora, não; porém, mais tarde, a história ocupar-se-á dessas vergonteas que são prolongamento da vida de um ser que bem do alto observou o que as gerações actuais comentam por diversas formas.
Enquanto esse colosso vegetal viver, enquanto ele tiver um único sinal de vida, cuide-se dele como de um enfermo que bate às portas da morte, como do parente extremoso que está próximo de exalar o derradeiro suspiro, e mesmo depois de morto conserve-se ali o seu tronco, considerando-o uma relíquia da cidade; mas hoje coloque-se-lhe ao lado um lápide com esta singela inscrição:

"Árvore da Liberdade
Nasceu em 1611
viu decapitar muitos inocente
e vive ainda em fins do séc. XIX
rodeada dos carinhos de um povo culto."
Os povos têm hoje amor pela tradição, e é necessário repeitá-la.»
Duarte de Oliveira Júnior in "A Árvore da Cordoaria"- "Chronica horticola-agricola", Jornal de Horticultura Prática, Vol. XVI, 1885 (p. 58)

23/06/2005

Desenhada para pássaros



Erythrina crista-galli no Jardim da Cordoaria

As árvores e arbustos do género Erythrina, da família Leguminoseae, são de identificação fácil na presença das folhas pois estas são tipicamente trifoliadas, com pecíolo central mais longo e uma manguinha em cada folíolo. Os ramos são numerosos, hirtos, nodosos e, enquanto jovens, cobertos de espinhos.

As flores nas cerca de 120 espécies, endémicas de áreas tropicais e subtropicais, exibem uma interacção fascinante com os diferentes pássaros que actuam na polinização: em algumas zonas asiáticas secas, os estames são longos e duros servindo como poleiros de onde o pássaro se alimenta e dessenta com o néctar, que é aquoso; noutras as pétalas são tubulares, como palhinhas de beber, adaptadas a colibris de bico longo; noutras ainda as flores, voltadas para dentro, parecem colheres de chá de onde o néctar goteja para delícia de pardais inquietos.

A designação científica deste género, do grego erytrhós, alude à cor geralmente vermelha das flores. Os epítetos das espécies têm história mais divertida, que causou confusão considerável na literatura botânica. A espécie de folha variegada (verde com veios amarelos) foi a primeira a ser conhecida e a ser nomeada: passou a chamar-se Erythrina variegata. As formas não-variegadas que foram descobertas posteriormente, de início consideradas de outra espécie, receberam o nome Erythrina indica. Quando ficou claro que na verdade se tratavam de variedades de uma mesma espécie, houve que ajustar as designações científicas. Seguindo a regra que dá precedência ao nome mais antigo, E. variegata sobreviveu como a designação da espécie, passando a haver E. variegata var. indica e E. variegata var. variegata...

Os exemplares das fotos vegetam no Jardim da Cordoaria (E. crista-galli, antes E. pulcherrima) e no Jardim Botânico do Porto. Há outros igualmente vistosos no Palácio de Cristal e num jardim particular do bairro do Campo Alegre. Mas no Porto a mais deslumbrante E. crista-galli (espécie da América do Sul, que prefere climas mais frios), com uma cascata de flores e folhas que faz parar o trânsito, está numa esquina da rua 5 de Outubro, no jardim de um palacete onde já funcionou o consulado de um país sul-americano.


Erythrina variegata no Jardim Botânico do Porto
Fotos: pva 05

07/02/2005

Vista para o Jardim da Cordoaria

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foto: mdlramos 0402
Obviamente mais virados para os jardins que alguns dos nossos amigos, aqui fica esta vista (complementar) do alto da velha Torre dos Clérigos, em que está bem patente a destruição do jardim histórico.

01/02/2005

In memoriam

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Fotos: mdlramos 04 ....FLORA, escultura de Teixeira Lopes (filho) - Jardim da Cordoaria
Inaugurado em1904, este singelo monumento presta homenagem a José Marques Loureiro (1830-1898), o mais ilustre horticultor portuense -proprietário do Horto das Virtudes e do Jornal de Horticultura Prática.
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Do lado esquerdo destaca-se o tronco da sequóia gigante (Sequoiadendron giganteum) da Cordoaria, de que aqui já falámos, e ao fundo a Araucaria bidwilli recentemente classificada como árvore de interesse público (ambas plantadas em 1867).

17/12/2004

Lusco-fusco de Inverno

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foto mdlr 0312 / Jardim da Cordoaria - plátanos; araucária-da-Austrália; sequóia gigante
Depois das cores de Outono, um quase lusco-fusco de Inverno.
Hoje o céu, por cá, até está azul, mas tal não se verificava há precisamente um ano, quando foi tirada esta fotografia. Nela se vêem algumas das árvores mais notáveis do Porto destacando-se por entre a ramagem dos inconfundíveis plátanos: a Araucaria bidwilli de que já aqui se falou, e a sequóia-gigante (Sequoiadendron giganteum) também já mencionada a propósito de uma sua congénere do Jardim do Carregal.

29/10/2004

Alienações

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Fotos: mdlr-0402 / Jardim da Cordoaria
« (...) É doloroso e patético ver na Cordoaria os aposentados exercendo o seu direito ao lazer e ao convívio, jogando cartas em posições incríveis, de lado, a três quartos, a cavalo, de pé ou acocorados nos abomináveis bancos de pedra que o pós-modernismo impôs urbi et orbi para suplício dos desgraçados que ainda usam a cidade. Uma vergonha. (...)» Helder Pacheco in "Requalificação Urbana" (JN, 28-10-04)

Esta crónica do distinto historiador da nossa cidade fez-nos procurar nos nossos "arquivos" algumas imagens que têm estado à espera de oportunidade de publicação.
Como disse JCM, que nos chamou a atenção para este texto, «Finalmente começa a haver (além de nós...) quem ouse criticar os monstros sagrados da nossa arquitectura genial e do nosso paisagismo de trazer por casa.»


Fotos: mdlramos- 0310/ Av. Montevideu
Talvez mais ainda do que os do Jardim da Cordoaria, os bancos individuais e desconfortáveis dos passeios ajardinados da Av. Montevideu são mostra da total alienação de quem os concebeu relativamente às necessidades e aos gostos das pessoas de carne e osso que frequentam este espaço. Nem mesmo os namorados (neste caso um casal de meia-idade) os devem achar confortáveis por muito tempo.

12/10/2004

A nossa "bidwillii" favorita

.Fotos: 0312..

Esta é a nossa araucária favorita. Encontra-se no Jardim da Cordoaria, no Porto e é uma Araucaria bidwillii. Originária da Queenslândia, na Austrália, a sua designação científica homenageia John Bidwill, o primeiro director do jardim Botânico de Sidney. Vulgarmente entre nós é chamada araucária-da-Austrália, araucária-da-Queenslândia e também pinheiro-bunya.

Uma das características destas árvores é o formato parabólico da copa, vísivel na fotografia da direita, aqui também e ainda aqui, numa fotografia panorâmica do arvoredo da Quinta de Vilar d'Allen, onde se destaca uma outra Araucaria bidwillii.