26.1.07

À sombra de árvores com história: reedição


(clique para aumentar)

Esgotado desde 2005, o nosso livro À sombra de árvores com história acaba de ser reeditado pela Gradiva em parceria com a Fundação Porto Social e com o apoio da Câmara Municipal do Porto. Além de se ter acrescentado ao livro um novo capítulo, quase todos os restantes capítulos foram enriquecidos com mais histórias, mais árvores e mais fotos.

Ficam todos os nossos leitores convidados para a sessão de lançamento na quinta-feira (1 de Fevereiro), às 21h15, no auditório da Quinta de Bonjóia. A apresentação será feita pela cientista Maria de Sousa, e estarão também presentes Álvaro Castello-Branco (Vice-Presidente da Câmara do Porto) e Guilherme Valente (editor da Gradiva). A concluir a sessão, faremos uma viagem fotográfica comentada por algumas árvores e jardins do Porto.

8 comentários :

Anónimo disse...

Não vou poder estar presente mas já encomendei este livro.
Como perder esta oportunidade depois de me ter afeiçoado tanto à qualidade do vosso trabalho?
Muitas felicidades e boa apresentação.
Um abraço amigo
António S Nunes

aldina disse...

Parabéns e já anotei o título para comprá-lo quanto antes na FNAC... o título é muito bonito e o conteúdo imagino-o maravilhoso... por muitas razões!

Boa sorte! Até sempre!

Anónimo disse...

Mesmo sem lá ir...não podia perdê-lo de novo! Está encomendado pela net para a editora. E já pensaram, um dia, sei lá...porem em livro todo o vosso blog? Por zonas, por ex.: Braga, as fotos e vossos posts. Sem grande preocupação de conteúdos sistematizados, ou didácticos: Natureza pela Arte. Tudo se aprende da forma fluída como escrevem, os três. Um côro em que reconheço imediatamente o escrito de um ou outro. Acreditem que há muito de NOVO no que mostram e dizem. Não haverá mais ninguém a pensar o mesmo? Abçs

Manuela d.l.Ramos disse...

Para conhecer a botânica da cidade
Jardins do Porto em livro
Joana Soares n'O Primeiro de Janeiro

«“Começar nas árvores, passar pelos jardins e acabar no Porto”. Paulo Ventura Araújo, professor de Matemática, é um dos autores do livro «À Sombra de Árvores com História», e é daquela forma que classifica a obra que conhece a sua segunda edição.
Os autores, Maria Pires de Carvalho, também professora de Matemática, Manuela Delgado Leão Ramos, licenciada em Línguas e Literatura e Paulo Araújo lançaram a primeira edição do livro em 2004, tendo daí surgido o blog «Dias Com Árvores». “Um hóbi que tem que ver com a nossa postura na cidade do Porto e com o ambiente em geral”, descreve o escritor ao falar do gosto que a equipa mantém pelo tema – árvores e jardins.
O livro é dividido por 15 capítulos, constituídos por texto e ilustração. “Cada capítulo tem um protagonista que é uma árvore, ou uma família de árvores, que relacionamos com um jardim do Porto e estabelecemos a ponte entre a árvore e a sua história na cidade”, contou.
Paulo Araújo revelou que a “motivação do livro surgiu de um trabalho de qualificação de jardins notáveis no Porto”. Estava, deste modo, dado o mote para o aparecimento do «À Sombra de Árvores com História», que segundo o autor, “é um modo novo de se olhar um jardim e olhar as árvores e descrevê-las na cidade”.
O livro “reflecte o interesse geral (dos escritores) sobre a natureza”, apesar “da formação universitária não ser a de botânica”.
Será apresentado quinta-feira à noite, na Quinta da Bonjóia, pela cientista Maria de Sousa, com a presença do vice-presidente da Câmara do Porto, Álvaro Castello-Branco, e Guilherme Valente, editor da Gradiva. A concluir a sessão está prevista a mostra de uma sequência fotográfica sobre algumas árvores e jardins do Porto. “Vamos projectar na sessão de lançamento da reedição fotografias do livro e de outras que não aparecem no livro”, revelou Paulo Araújo. »

Anónimo disse...

Muitos parabéns!
Tenho a primeira edição e já comprei a nova que vale pelo novo capítulo e pela adição de mais informação e fotos, todavia estas, comparadas com as da primeira edição deixam muito a desejar pois aparecem desbotadíssimas! Que pena!
Diana Silva

Manuela D.L.Ramos disse...

Por Francisco Mangas, no DN
«Árvores cheias de histórias que sobrevivem na cidade :
Jacarandá, tulipeiro, teixo, ginkgo, camélia, plátano, araucária, magnólia. Nomes de árvores que encontraram abrigo na cidade Porto: algumas delas foram cantadas pelos poetas, admiradas por quem gosta da serenidade vegetal, mas também ignoradas e maltratadas. Um livro dá nova luz sobre estes "seres silenciosos" que povoam e marcam os jardins portuenses.

É a segunda edição, aumentada, de ÀSombra de Árvores com História. Em 2004, quando surgiu pela primeira vez a obra, uma iniciativa da Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente do Porto, na cidade havia apenas quatro árvores classificadas de interesse público: duas camélias, num jardim particular, e dois tulipeiros.

Graças ao livro, que orientou o olhar de muitos portuenses para a redescoberta dos seus jardins, e a um pedido da Campo Aberto à Direcção Nacional de Florestas, existem agora 240 árvores classificadas, entre elas a araucária-da-Austrália e o conjunto de plátanos do Jardim da Cordoaria.

Algumas das árvores, hoje exemplares raros, chegaram ao Porto por engano. É, pelo menos, o caso da centenária Pistacia atlantica, a viver há mais de um século no Jardim das Virtudes. Foi plantada por José Marques Loureiro - o mais famoso jardineiro multiplicador do Porto - em 1880. As sementes, contava o jardineiro das Virtudes no Jornal de Horticultura Prática, foram-lhe enviadas com a identificação trocada. Só três anos depois, com a jovem árvore já desenvolvida, foi possível uma identificação correcta.

Esta é uma das muitas histórias de À Sombra de Árvores com História, obra da autoria de Paulo Ventura Araújo, Maria Pires de Carvalho e Manuela Delgado Leão Ramos, editada pela Gradiva. Os autores percorrem jardins privados e públicos, e demoram-se na contemplação das magnólias do Jardim de S. Lázaro, nos metrosíderos do Passeio Alegre, nos plátanos da Cordoaria, que exibem em silêncio as marcas da crueldade de podas remotas.

Um dos capítulos da obra é dedicado à camélia ("Floriu por engano a cidade no Inverno"), que no Porto oitocentista encontrou, de forma inesperada, um pátria adoptiva, e daí seguiu para os jardins do Minho e da vizinha Galiza. No Horto das Virtudes, criado por José Marques Loureiro, a "rainha do Inverno" tinha mais de 650 variedades de primeira ordem obtidas dos principais estabelecimentos da Europa".»

Manuela D.L Ramos disse...

Recensão do livro na edição impressa do Expressode -sábado 24.02.07, por Francisco Belard >> (com foto da Araucária bidwillii da Coordoaria)
"Jardins do Porto
As árvores e os jardins portuenses, um património belo e sempre ameaçado
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O «amor pelas árvores e pela arte dos jardins» de que fala José Carlos Costa Marques (da associação de defesa do ambiente Campo Aberto), partilhado pelos autores deste livro, não entusiasma muitos autarcas. Basta olhar para as povoações, sem falar das periferias das cidades. Mas, sendo os autarcas eleitos, talvez o desdém por árvores, jardins e parques traduza a indiferença dos habitantes, a incompetência dos que devem tratar de jardins e «espaços verdes» e a insensibilidade a valores ambientais e paisagísticos. Nem sempre a ganância explica os estragos; há concepções da cidade que levam urbanistas e arquitectos a colaborar com «requalificações» que acarretam mineralização e impermeabilização dos solos, a projectar «empreendimentos» ou estacionamentos incompatíveis com o arvoredo. Num país em que o «campo» desaparece, também nas cidades e vilas assistimos à destruição da flora, endémica ou exótica, que as tornara mais belas e saudáveis.

O livro é sobre o Porto, mas a extensa informação nele contida sobre aqueles fenómenos (a par da descrição de numerosas espécies) assemelha-se à que pode ser dada sobre outros locais. São mencionados «amantes das árvores e dos jardins» (Marques Loureiro, Alfredo Allen, Emílio David, José Duarte de Oliveira, João José Gomes, Monteiro da Costa e outros) que usaram da sua influência social e profissional ou das competências de paisagistas, horticultores e jardineiros para, em espaços públicos e privados, criarem harmonia, variedade e beleza que ainda subsistem. Dezenas de fotografias a cores documentam essa herança, através das vicissitudes relatadas no texto, que incide nos séculos XVIII a XX, embora referindo dados anteriores e mais recentes, e indicando vasta bibliografia de interesse nacional e regional.


Em casos extremos como o cerco do Porto, a falta de lenha levou ao corte de árvores; outros motivos seriam menos justificáveis. O cap. 10, «O jardim das magnólias», leva-nos ao Jardim de São Lázaro, «primeiro jardim público que se fez na cidade», inaugurado em 1834 e modificado nos séculos XIX-XX. As espécies actuais diferem das plantadas em 1869, mas subsistem as magnólias (1911?) que Eugénio de Andrade visitou em 1967. Depois, «a pulsão arboricida da Porto 2001 vitimou muitas árvores, entre elas algumas bonitas magnólias», dizem os autores, segundo os quais a «atitude, comungada pela Porto 2001 e alguns dos seus arquitectos, de considerar a árvore como peça descartável do mobiliário urbano (...)» prolonga uma mentalidade secular. No cap. 5, a propósito do Jardim da Cordoaria, escrevem que «a Porto 2001 virou o jardim às avessas (...)». Mas resistiram plátanos como os que Jorge de Sena admirou nos anos 40 e 50. Entre 2004 e 2005, por iniciativa da Campo Aberto junto da D.-G. das Florestas, as árvores classificadas de interesse público passaram de 4 para 240. Leia-se ainda o prefácio de Manuel António Pina.(...) »

Orlando Gonçalves disse...

É pena que a "pulsão arboricida" do "Porto 2001" se tenha prolongado para além daquele evento e tivesse provocado a razia ambiental na, já saudosa, Av. dos Aliados, com a barbaridade de terem substituido a antiga, e belissima calçada à portuguesa (imitada por todas as partes do mundo) por uma calçada de "cor de sujo" de granito chinês.
Tal acto de "lesa-cidade" deveria deixar eternamente envergonhados os seus responsáveis (incluindo os arquitectos badalados que conceberam tais "soluções".
Orlando Gonçalves, Aldoar