25.10.14

Um Ammi para as ocasiões




Ammi majus L.

Apesar da tristeza monocromática que aflige os jardins públicos em Portugal, obra de uns tantos arquitectos que declararam guerra ao colorido das flores, há ainda quem se guie pela ideia antiquada de que um jardim, para ser visualmente estimulante, deve combinar todas as cores do arco-íris e mais algumas. É aqui que entra o branco, soma de todas as cores, que os ingénuos desprovidos de ciência julgam estar ausente do arco-íris só porque não se vê, quando na verdade está lá mas decomposto nas suas parcelas. A incapacidade dos nossos olhos em refazer a soma leva-nos a exigir o branco que se vê, como contraponto ao garridismo insinuante das cores do círculo cromático. E para acrescentar ao jardim um branco limpo e luminoso, com um efeito que evoca laboriosos trabalhos de renda, nada melhor do que uma umbelífera como o Ammi majus, que em Portugal é planta sem eira nem beira, infestante de cultivos e ruderal de bermas de estrada, mas noutros países é muito valorizada para ornamentar canteiros floridos.

Planta anual de floração primaveril, capaz de atingir um metro de altura, o Ammi majus, alegadamente chamado âmio-maior por um povo incapaz de a reconhecer, tem fortes semelhanças com outras umbelíferas de flores brancas, em particular com a cenoura-brava (Daucus carota). Distingue-se desta pela folhagem (compare a 5.ª foto aí em cima com as desta página), por não ser áspera ao tacto (a cenoura-brava é muito rugosa), e pelas inflorescências menos compactas. Amplamente distribuído pela bacia mediterrânica, o Ammi majus ocorre em quase todas as províncias portuguesas, sendo talvez mais frequente na faixa litoral. As plantas nas fotos moravam em Cantanhede, na orla de vinhedos e de outros campos cultivados.

Por mérito da flora açoriana, o género Ammi, que contém um total de seis espécies, é um bom amigo dos botânicos portugueses. Enquanto que os outros países europeus ou mediterrânicos se contentam com duas ou no máximo três espécies de Ammi, em Portugal ocorrem nada menos que quatro, duas delas endémicas dos Açores: A. seubertianum e A. trifoliatum.

2 comentários :

bea disse...

Tão bonito o ammi! É deslumbrante no seu rodeado todo banco, em miniaturas trabalhadas que lembram morosas - e amorosas - tarefas relojoeiro.
BFS

ZG disse...

Uma planta amiga bem simpática!!