3.6.16

Flora endémica do Porto Santo: Lotus loweanus





Lotus loweanus Webb & Berthel.

Todas as fontes consultadas -- e que foram, por ordem cronológica inversa, Flora Endémica da Madeira de Roberto Jardim & David Francisco (2000), Flora of Madeira de J. R. Press & M. J. Short (1994), e A Manual Flora of Madeira de Richard Thomas Lowe (1868) -- informam que este endemismo porto-santense é comum, um pouco por toda a ilha, em dunas, falésias costeiras e encostas pedregosas até uns 150 m de altitude. Os 130 anos que medeiam entre o mais antigo e o mais recente desses livros pareciam ser garantia de que o Lotus loweanus ultrapassara quase incólume o mais destrutivo dos séculos. No entanto, só o encontrámos na última manhã da nossa estadia, e para isso tivemos que percorrer, no sudoeste da ilha, os 2 Km de areal entre a Ponta da Calheta e o Cabeço da Ponta. Talvez a dificuldade se deva à nossa inépcia, mas há a possibilidade de o Lotus loweanus estar a ser vítima do surto de construções turísticas ao longo da praia e, sem que ninguém dê oficialmente por isso, em lugar de ser comum se vá tornando raro e ameaçado. E não é tranquilizador que nesta página se diga que ele apenas existe nos ilhéus do Porto Santo: se esperarmos uns anos e nada se fizer, talvez essa informação falsa se converta em verdadeira.

Há uma linhagem de Lotus macaronésios em que este do Porto Santo (popularmente chamado de cabeleira-de-coquinho) claramente se insere, e de que também faz parte o açoriano Lotus azoricus. Três outros representantes da mesma estirpe, que a seu tempo aqui mostraremos, vivem na ilha, seja na costa (caso de um deles) ou nos picos (os outros dois). São plantas perenes, acetinadas, rasteiras, formando vastos tapetes, com flores geralmente solitárias e de cor escura. O Lotus loweanus singulariza-se por ter uma base lenhosa bem desenvolvida, com as plantas mais idosas a assemelharem-se a arbustos liliputianos (comprove na 1.ª foto). As folhas, como é típico nos Lotus, são formadas por cinco folíolos que, neste caso, são estreitos e têm um vinco longitudinal bem evidente. As flores, não sendo embora das mais pequenas do género (têm de 1 a 1,5 cm de diâmetro), são pouco conspícuas por causa da sua cor escura e por estarem quase sufocadas pelo cálice. Apesar da modéstia da floração, que apenas decorre entre Março e Junho, esta cabeleira-do-coquinho, como testemunham as fotos acima, é muito decorativa graças à sua arquitectura geral e à folhagem glauca com reflexos prateados.


Ponta da Calheta, ilha do Porto Santo

2 comentários :

Francisco Clamote disse...

Mais uma maravilha. Pouco protegida, pelos vistos.

bea disse...

As flores, como quase tudo que existe, têm mais beleza se nelas concentramos a atenção. Formam um conjunto airoso que espero não se reduza ainda mais.BFS