10.1.17

Pequena umbela amarela



Thapsia minor Hoffmanns. & Link

Pequenas, grandes ou assim-assim, muitas são as umbelas amarelas que enfeitam os campos na Primavera e no Verão. A mais abundante no continente e nas ilhas é o funcho (Foeniculum vulgare), que apesar de ultrapassar a estatura de um adulto exibe uma umbela de acanhadas dimensões. Mas não é pelas flores que o funcho é apreciado, e são as plantas menos utilitárias que têm de se esforçar no capítulo da beleza. A campeã em altura e em efeito ornamental é a canafrecha (Ferula communis), disseminada pelo centro, sul e interior norte do país mas ausente do noroeste. Usando igualmente a ideia das inflorescências esféricas, a tápsia (Thapsia villosa), com uma altura máxima de 2 metros, fica em vistosidade um pouco aquém da canafrecha. O que temos hoje no escaparate, ainda na temática amarela, é uma tápsia em versão de bolso, com caule mais débil (30 a 90 cm de altura), umbelas mais ralas e achatadas, ideal talvez para um jardim modesto, ou mesmo para um vaso de trazer por casa se a fraca luminosidade a não fizer definhar.

A tápsia-maior (chamemos-lhe assim para fazer contraponto à menor) é uma planta todo-o-terreno, mas em Portugal aparece sobretudo em áreas de clima mediterrânico (bacia do Douro, Algarve) e em substratos calcários. A tápsia-menor, com fobia por solos básicos, frequenta o sub-bosque de pinhais, sobreirais e carvalhais de Quercus pyrenaica, e também, ocasionalmente, clareiras de urzais como aqueles que revestem as encostas da serra da Boneca (Penafiel), onde a fotografámos. Durante algum tempo, e foi essa a opção de Franco no 1.º volume, de 1971, da Nova Flora de Portugal, as duas tápsias foram integradas na mesma espécie, considerando-se a agora chamada Thapsia minor como um extremo de variação da Thapsia villosa. O assunto foi tirado a limpo com a publicação, em 2003, do volume X da Flora Iberica, dedicado à família das umbelíferas. Prova de que a ciência não é imune a retrocessos, não se tratou de baptizar uma espécie nova, mas sim de recuperar o nome que Hoffmannsegg & Link lhe haviam dado em 1834 no volume 2 da Flore Portugaise (ver aqui). A tápsia-menor, diga-se, tem a distinção de ser um endemismo ibérico, enquanto que a tápsia-maior também vive em França e no norte de África.

O que interessa a estas umbelíferas não é serem agradáveis aos nossos olhos. Isso é apenas efeito colateral do seu indiscutível sucesso a atrair insectos que, por via da polinização, lhes garantam a produção de sementes. E eles mostram-se tão empenhados nas suas funções que nem descansam ao fim-de-semana, como comprovam as fotos (tiradas num sábado) onde, além das formigas, vemos afanosamente mergulhados nas flores dois outros bichos a que, por incurável ignorância, chamamos escaravelhos.

1 comentário :

bea disse...

Não as encontro muito sugestivas ainda que as conheça tal qual, cheias de visitantes. E embora compreenda o afã que lhes é benéfico, o empreendedorismo animal só me afasta. São umas garotas muito pretendidas. até No reino vegetal não é o belo que guia a procura.