18.11.04

Os nomes das árvores - Dióspiro

Diospyros kaki L. (D. Sinensis Bl.) - Espécie originária da China e do Japão, foi introduzida na Europa em 1796, por William Roxburgh, botânico inglês responsável pelo jardim botânico de Calcutá. Todavia, ao contrário da sua congénere Diospyros lotus L, de frutos bastante mais pequenos, cuja cultura é documentada no 'velho continente' a partir dos finais do séc. XVI, a cultura do Diospyros kaki só começou a divulgar-se depois de meados do séc. XIX.

Kaki em francês, italiano e basco; caqui em catalão e no Brasil, onde também lhe chamam caquizeiro; kakipflaume em alemão; persimmon em inglês; e, se bem que não seja incorrecta a designação caqui (ou cáqui) (e caque e figo-caque em Macau, de acordo com o Houaiss), em Portugal chamamos a esta árvore, diospiro, dióspiro (ou diospireiro), designações derivadas directamente da denominação científica do género atribuída por Lineu. De acordo com Jacques Brosse*, Lineu usou o termo com que Teófrasto (c 371 -c. 287 AC) designava os frutos do já referido Diospyros lotus; sempre gostei de pensar que a palavra 'diospyros' significava "fogo dos deuses"! Mas não: se bem que 'dios', em grego seja com efeito 'de deus', já 'pyros' quer dizer 'o trigo, o grão', significando portanto o conjunto "alimento divino".


Quanto a kaki, designativo da espécie, é a abreviação de 'kakino', o nome japonês do fruto. E a mais não nos aventuramos, no que respeita as designações chinesas e japonesas do diospiro, pois existem nomes diferentes para todas as formas e partes do fruto e da árvore, consoante se encontram frescos, secos ou fermentados, salgados ou doces, em pó ou aos pedacinhos... Todas estas versões com propriedades a não desprezar, das quais decorei duas: a pele seca pode ser usada como adoçante e as sépalas secas e reduzidas a pó são boas contra os soluços!

Para terminar, fiquemos a saber que o género Diospyros (que conta com mais de 400 espécies) é o principal género da família das Ebenáceas, árvores e arbustos na sua maioria tropicais com madeira muito dura. A tão preciosa madeira de ébano provem justamente de árvores do género Diospyros: não só do D. ebanum, o verdadeiro ébano, de cor negra, como de outras espécies, com ébanos que podem variar do castanho escuro ao cinzento, com reflexos e veios de tonalidade mais quente. A designação em castelhano de "palo-santo" para o diospireiro tem decerto a ver com a sua madeira, também usada** em ebanesteria, a arte do ebanista, marceneiro "que ensambla ou entalha". ( cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

* Larousse des Arbres et des Arbustes, Larousse-Bordas (2000)
** Segundo Lorenzo-Cáceres in Arboles Ornamentales

3 comentários :

Anónimo disse...

mais uma referencias

http://no.weblog.com.pt/arquivo/167370.html

vitorsilva

manueladlramos disse...

Viva! "Long time no see!"
Que boas referências. Obrigadíssima (vou pô-las na próxima entrada sobre diospiros). Desculpe a curiosidade mas onde cultiva os seus caquis?

GPC disse...

Afinal não é preciso snifar romã (ver http://www.indianceleb.com/infopedia/medicine/hiccups-problem-solution-n-cure) para curar soluços!