19.2.05

As Árvores e a Machada - Fábula

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«Um machado de aço bem forjado, faltando-lhe o cabo, sem ele não podia cortar.
Disseram as Árvores ao Zambujeiro, que lhe desse o cabo. E como o machado esteve encavado, um homem com ele começou a fazer madeira, e destruir o arvoredo.
Disse então o Sobreiro ao Freixo:
- Nós temos a culpa, que demos cabo ao Machado para nosso mal; porque a não lho darmos, seguras pudéramos estar dele.
-Fábulas de Esopo Vertidas do grego por Manuel Mendes, da Vidigueira»
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in Teófilo Braga-Contos Tradicionais do Povo Português (1883). Lisboa: Pub. Dom Quixote, 1987 (3ª ed.), vol. II
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(Entrada inspirada pelo provérbio árabe publicado por um amador da Natureza)
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1 comentário :

Filipe disse...

Olá Manuela. Estou a gostar do intercâmbio. Em relação ao provérbio e à fábula, há sempre dois sentidos. E a relação do homem com a árvore há-de implicar sempre a existência de um machado. Só que o machado dá sentido à palavra sacrifício da árvore, porque implica a necessidade de um pelo outro, mas necessidade essa que impõe a utilização dos bens que a árvore fornece e a sua necessária substituição plantando outra. Quando vemos as retro escavadoras na Amazónia ou mais perto os nossos incêndios de Verão é que a relação entre a árvore e o homem perde todo o sentido com prejuízo em primeiro lugar para o homem que não o vê. Um abraço