27.12.05

Não comerei da alface a verde pétala

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

Vinicius de Moraes, Poesia completa e prosa (3ª ed. 1998)

Dedicado a todos os desenfastiados da quadra.

2 comentários :

Ponto Verde disse...

Belo poema para a época de exageros pantagruélicos que atravessamos.

guto disse...

...ainda bem que não somos uma costa sem farois e temos quem nos guie. Que as palavras sábias nunca se apaguem e do prato o molho não acabe!