2.4.07

Romúlea



A Romulea bulbocodium é uma das plantas bolbosas que sobreviveram à progressiva redução dos carvalhais portugueses. Espontânea em outeiros de solos arenosos ou pedregosos, mas húmidos, do Mediterrâneo, esta iridácea é baixinha (não vai além dos 30cm de altura) e tem flores tubulares de pétalas violeta e centro amarelo de onde sobressai um estilete longo com três garfinhos na ponta que fazem lembrar as flores do género Crocus. As folhas parecem as do cebolinho (Allium schoenoprasum), cilíndricas e fininhas. Diz-se que a designação do género alude a Rómulo, um dos fundadores de Roma e irmão de Remo.

O exemplar da foto é do Carvalhal de Valinhas, em Santo Tirso, um notável conjunto de carvalhos alvarinhos (Quercus robur) centenários, vizinhos de sobreiros (Quercus suber) igualmente imponentes e vetustos, e das Quedas de água de Fervença, onde o rio Leça galopa ruidoso e puro. Segundo a publicação Árvores isoladas, maciços e alamedas de interesse público, um dos carvalhos deste povoamento está classificado desde 1940, mas a Câmara de Santo Tirso informa no seu site que a classificação abrange todo o conjunto.

1 comentário :

Alexandre Inácio disse...

Que engraçado! Ainda ontem, num passeio por um bosque de pinheiros, me havia interrogado sobre o nome desta florzinha simpática.


Ontem, soube, também, que há mandrágoras em Portugal. Serão as famosas mandrágoras (cuja lenda diz que se forem arrancadas libertam um grito tão perigoso que pode matar um humano) que aparecem num dos episódios das lições de botânica "mágica" do Harry Potter?

Pesquisei fotos e informações sobre as mandrágoras, mas não foram esclarecedoras. Vivo no campo, desde sempre, e nunca havia ouvido falar delas nem nunca as vi, por aqui. Moro na região centro de portugal. Será que existem na região norte?

Achei curiosa a lenda, que é complexa, e que mistura várias tradições de paganismo e tradições medievais. Segundo estas, a única forma de arrancar uma mandrágora, sem que esta nos mate com o seu grito, é puxá-la para fora da terra por uma corda presa a um cão negro, em noite de lua cheia. A wikipedia também informa que é uma das plantas medicinais mais poderosas e do mais antigo conhecimento humano (é referida nos textos bíblicos do Génesis). Gostaria muito de a encontrar e aferir a fama que lhe precede (sem arrancá-la, claro! não por surpestição, mas por respeito e interesse de botânico amador!)