12.2.08

Belas e senões


Berberis darwinii - Parque da Lavandeira (Gaia)

A designação Berberis foi proposta por Lineu para a B. vulgaris e posteriormente estendida às outras três espécies europeias, de folha caduca, B. cretensis, B. aetnensis e B. hispanica. O epíteto específico da Berberis darwinii, de floração temporã e especialmente adaptada à Patagónia montanhosa e húmida, homenageia Charles Darwin, que a colheu em 1835 na América do Sul. Como outras Berberis, tem estames sensíveis: basta tocar-lhes para que espiralem e recuem para dentro da flor, o que assegura o bom nome de bela tão tímida, e uma polinização mais caseira pelos insectos que a visitam.

Recebeu da Royal Horticultural Society um First Class Certificate em 1967 e, em 1984, um Award of Garden Merit. Motivos apresentados pelo júri: folhagem perene e densa desde o pé da planta, atributo apreciado em sebes; flores de um laranja luminoso e de longa duração; bagas azuladas comestíveis (embora a semente seja grande e a polpa ácida, consumindo-se melhor em compota); e a presença de berberina, alcalóide com reconhecido efeito antibacteriano.

Mas tem um defeito: é invasora séria em vários ecossistemas. O sucesso da sua expansão deve-se à frutificação abundante que ocorre no Verão antes da maioria das outras espécies - sendo nessa altura alimento exclusivo de muitos pássaros, que retribuem disseminando-a -, e à taxa elevada de germinação mesmo em condições adversas de luminosidade.

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