5.5.11

Erva vitaminada



Cochlearia danica L.

As mesmas rochas que se enfeitam de armérias aparecem recobertas, nos interstícios onde se aloja uma nesga de solo, pelo tapete verde compacto de uma planta rasteira. É o aspecto singular das suas pequenas folhas (1 cm de diâmetro), semelhantes à da hera, que nos prende a atenção; as flores, diminutas e quase todas avaramente fechadas, denunciam que estamos perante uma crucífera. Será planta exótica? Pelo sim pelo não é melhor recolher amostras fotográficas para posterior análise caseira. E eis o resultado do estudo: trata-se da Cochlearia danica, uma planta anual ou bienal da costa atlântica europeia que é também nativa de Portugal. País onde, a acreditar na Nova Flora de Portugal, de João do Amaral Franco, ela se restringe aos arredores do Porto, a Peniche e às Berlengas. Segundo a Flora Ibérica, porém, a planta ocorre igualmente no Minho e no Algarve. As duas obras de referência, concordando em que a espécie só se dá no litoral, divergem ainda quanto à sua ecologia: rochedos marítimos para Franco, sítios húmidos e terrenos salobros para a Flora Ibérica.

O que as fotos não mostram é que as folhas basais, em contraste com as do caule, são cordiformes e têm um longo pecíolo, num conjunto que faz lembrar uma colher e, por via da palavra latina cochleare, justifica o nome científico. Quanto a nomes comuns, e para não destoar do que acontece até com plantas vulgaríssimas, não está registado nenhum em português. Em inglês temos o scurvygrass, aplicado a todas as espécies do género, que recorda como a planta é rica em vitamina C e por isso indicada para prevenir o escorbuto.

O género Cochlearia reúne umas trinta espécies anuais ou perenes, todas do hemisfério norte e, em geral, tolerantes da salinidade marítima. Na Península Ibérica assinalam-se oito espécies, mas só duas delas (C. danica e C. glastifolia) chegam a Portugal.

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