20.3.05

Domingo de Ramos - tradições

.
Enquanto que o Natal é uma festa fixa, a da Páscoa é móvel, tendo a sua data sido determinada pelo Concílio de Nicéia (325), para o domingo que se segue à lua cheia do equinócio da Primavera. Uma semana antes celebra-se o Domingo de Ramos, que este ano coincide pois com o início da Primavera (hoje, precisamente às 12,30 ;-)
.
Por todo o país multiplicam-se as cerimónias litúrgicas que marcam o início da Semana Santa e comemoram a entrada de Jesus em Jerusalém onde foi acolhido pela população que entoava cânticos e acenava com ramos de palmeiras e oliveiras, segundo relatos da Bíblia e de outros textos. Ponto alto das celebrações é a benção dos ramos seguida (ou não) das chamadas procissões dos ramos, que por vezes têm designações específicas em algumas regiões (como por exemplo em Tavira onde se chama "Procissão do Triunfo").

Tradicionalmente, os "ramos" podem ser simples, de palmas ou de oliveira, ou formados também por outras espécies como loureiro, alecrim e rosmaninho. Também ocorrem enfeitados com flores, frutos, laços; em algumas localidades, distinguem-se o ramo simples, o" ramo de andor" e o "palmito", sendo estes últimos elaboradas peças de artesanato (como acontece por exemplo em Ribeira Lima, em Caminha e em Porto Santo, só para referir três sítios com informação na WWW).

Nas procissões desfilam os ramos que previamente foram benzidos na igreja e que depois, são levados para casa para protegerem e darem sorte (ver como é em Tortosendo, Beira-Baixa, por exemplo); outros ramos são destinados aos padrinhos que em troca oferecem o folar ou dão "as amêndoas" (termo que no plural pode significar, neste contexto, "qualquer oferta que se faz pela Páscoa".)

Saindo das tradições portuguesas, e porque já aqui se falou do seu célebre "Palmeral" , património da humanidade desde 2000, refira-se, para terminar, a "Procesión de las Palmas", ponto alto da celebração do Domingo de Ramos em Elche, município de Valencia (Espanha).

Adenda (21-03-05): Em certos lugares, nomeadamente na cidade, as pessoas não levam os seus ramos: nas próprias igrejas podem "colher" o seu ramalhete dos grandes ramos de oliveira (e de alecrim, etc..) postos à sua disposição.
(Depois em casa, o ramito ainda pode ser distribuído pelos membros da família, interessados. A mim calhou-me esta amostrinha. "Olha que está benzido!". Claro! É para dar sorte ;-)
.

5 comentários :

vitorsilva disse...

só para acrescentar que, pelo menos em trás-os-montes, esse ramo benzido era depois levado para os campos já semeados de pão (centeio) de forma a protegê-los.

C.S.A. disse...

Peço licença para lhe roubar este «post» e, em troca, se lhe interessar, pode buscar «Corpus Christi» em Legendas & Etcaetera.

JJ disse...

Fiquei um pouco surpreendido ontem domingo quando a D. Rosa Bessa de 89 anos me disse que em Milheirós o costume era levar os ramos (principalmente de oliveira) que depois de benzidos se guardavam em casa. Afinal aqui mesmo em Ramalde ainda hoje o costume é idêntico...

Anónimo disse...

Peço-lhe licença para "roubar" o seu texto e convido-a a consultar, a partir de 4º feira, jornalfontenova.com, no texto sobre a procissão de Ramos em Castelo de Vide

Manuela D.L.Ramos disse...

FEIRA E PROCISSÃO DOS RAMOS - CASTELO DE VIDE E AS SUAS TRADIÇÕES
«Castelo de Vide é terra sui generis e aqui as tradições são para se manter e cultivar.
Algumas até ganham raízes e é o caso este ano da procissão dos Ramos que pela primeira vez se realizou da Igreja de S. João para a Matriz, no domingo de Ramos.
(...)
A bênção dos Ramos teve lugar em S. João, onde o sacerdote benzeu os Ramos que todos erguiam bem alto.
A oliveira, mas também o alecrim e mesmo flores várias compunham os ramos que cada um depois leva para suas casas, já bento, e guarda, partilhando também pequenos ramos com os familiares. E desde sempre que os afilhados dão um pedacinho deles aos padrinhos, para que estes se não esqueçam das "amêndoas".
(...)
Neste mesmo dia realiza-se em Castelo de Vide a Feira dos Ramos, numa tradição partilhada na nossa região com Mação, onde a feira é bicentenária, com Veiros, onde a Feira é apenas cinquentenária, e com Évora, onde a mesma se realiza na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos.
(...)
A Semana Santa começa neste Domingo de Ramos, dia de luz e de sombras, em que o Hossana se mistura com as premonições da Paixão. Acompanhamos Jesus na sua entrada em Jerusalém, recebido pela multidão entusiasmada abanando ramos de palmeiras e aclamando-O como Messias-Rei, libertador de Israel da opressão romana.
(...)
Na simbologia da celebração são utilizados ramos, ramos de palmeira, mas entre nós ramos de oliveira, de alecrim e outras flores. Algumas igrejas reforçam o tema da Paixão com a cor litúrgica de vermelho escuro, representando o sangue de Cristo.
Afinal tudo isto se vive em Castelo de Vide.
(...)
Domingo de Ramos, rito desde a Idade Média
Esta procissão surgiu depois que um grupo de cristãos da Etéria fez uma peregrinação a Jerusalém e, ao retornar, procedeu na sua região da mesma forma que havia feito nos lugares santos. O costume passou a ser utilizado por outras igrejas e, ao final da Idade Média, ficou incorporado aos ritos da Semana Santa. (...)»