1.6.05

Não foi uma fábrica de produtos químicos...


Quinta do Alão, Leça do Balio: Metasequoia glyptostroboides (à esquerda); aspecto do canteiro central (em cima); Taxus baccata (em baixo)

... que, integrados num grupo de quase 40 pessoas, visitámos no passado sábado, 28 de Maio, em Leça do Balio. Mas a química não foi alheia às experiências que vivemos nesse dia. Para começar, reunimo-nos junto ao Mosteiro de Leça de Balio, bem perto do rio Leça, formado por um líquido de natureza variável - a merecer a atenção dos químicos - que não se deixa confundir com água. Dirigimo-nos em seguida à paradisíaca Quinta do Alão, onde, como se ensina na escola, as plantas realizam o processo químico mais importante à face da Terra: aquele que possibilita a existência do ar que respiramos.

No sentido corrente da designação, é indubitável que a Quinta não é uma fábrica de produtos químicos, mas já houve quem tivesse sonhado em convertê-la a essa função. Embora a ideia nos provoque arrepios, é verdade que alguém sonhou com ela, o que só comprova que o paraíso de uns é o inferno de outros. Foi para impedir que no futuro outros visionários da mesma índole destruam a Quinta que o seu actual proprietário a fez classificar, em 2002, como imóvel de interesse público. Com isso, a propriedade ficou também mais defendida do vandalismo rodoviário que rasga cegamente o país com uma malha apertada de auto-estradas e vias rápidas.

Além da beleza ímpar dos jardins, que já antes celebrámos, foi gratificante conhecer um proprietário que, respeitando escrupulosamente a história da Quinta e defendendo-a lucidamente dos ataques do nosso desastrado progresso, tanto tem feito para a valorizar.

Jardins como o da Quinta do Alão são organismos vivos e complexos, numa constante mutação de cores e cheiros; mas, numa soalheira tarde de sábado, pudemos captar algo de uma permanência que dura há séculos. Oxalá outros possam fazer o mesmo nos séculos vindouros: como estarão então este teixo, já hoje carregado de anos, e esta ainda jovem Metasequoia?

1 comentário :

Anónimo disse...

Tanta pena na impossibilidade de ter também ido na visita, assim como em palestras, mas como a esperança é a última a morrer, qq. dia vou também!
Parabéns pelo vosso lindíssimo blogue!
Fátima