10.9.05

O castanheiro da rua do pinheiro


Fotos: pva 0508 - castanheiro monumental na rua do Pinheiro Manso, Porto

Quando desta vez visitei o castanheiro o local apresentava ar de festa, enfeitado com tiras de cores garridas. Mesas e cadeiras de plástico - restos de alguma esplanada - distribuíam-se sem ordem visível. A ausência de guarda-sóis tem três explicações possíveis, não sei qual delas a correcta: 1) o dono da tal esplanada trocou de mobília mas não substituiu os guarda-sóis; 2) as árvores do local fornecem sombra que baste; 3) a(s) festa(s) realiza(m)-se à noite.

Prefiro a terceira explicação: a da festa nocturna, à semelhança dos velhos arraiais de província. Pois o castanheiro, com a capela dedicada a Santo António a fazer-lhe companhia, quase não pertence à cidade nem a esta época; e, quando a noite desce sobre ele, sairão da sombra como de uma fábula seres e cenas improváveis.

Como não assisti a essas festas - pois nos contos de fadas, ao inverso do que postula a mecânica quântica, as coisas interessantes só acontecem quando não estamos presentes -, apenas posso dar do castanheiro o prosaico retrato diurno. Primeiro a localização: à rua do Pinheiro Manso, no delapidado jardim de uma mansão convertida em sede partidária. A entrada faz-se por um portão, ao lado da esquadra da PSP, que abre para um terreiro usado como estacionamento; ao fundo uma rede de ferro delimita um talhão com couves e árvores de fruto; à esquerda um tabique separa parcialmente o terreiro do jardim.

Além do castanheiro - grande, alto, forte, portentoso -, há árvores ornamentais que falam da antiga opulência: um ácer japonês, canforeiras, palmeiras de várias espécies, camélias (incluindo uma reticulata). O castanheiro aproveitou a ausência de vigilância humana para criar prole, e há até uma estranha touceira com três troncos, formada por um castanheiro e duas palmeiras (Phoenix canariensis).

São estas árvores nos antigos jardins, ocultas por muros ou fachadas tantas vezes decrépitos, que ajudam a cidade a respirar. Como poucos as vêem, também poucos dão pela sua falta quando as obras de reconstrução lhes ditam a morte. Mas são cento e tantos anos de vida que se perdem - anos que nunca em nossa vida serão recuperados.

Outro castanheiro monumental a sul

3 comentários :

Manuel Anastácio disse...

Havia um castanheiro na minha aldeia. Enorme, era o local onde as fadas se escondiam. Hoje, está lá um buraco enorme. Até as raízes escavaram para criar espaço para estacionamento de meia dúzia de carros. Talvez não seja um comentário importante, este. Apenas mais uma baixa registada.

Anónimo disse...

Fantástico post.

Essa sede partidária chama-se SOP. A sua existência e manutenção tem sido o garante da existência e manutenção das espécies que o autor descreve.

Já fui Presidente daquela "casa", como muita honra e gosto, e todos os que por "ela" passam a "ela" ficam ligados...

Viva a SOP!

Anónimo disse...

S...??? O....?P.....?
E que quer dizer SOP?