Feto-do-botão


Woodwardia radicans
Por razões que escapam ao leigo, esta planta não é incluída na categoria dos fetos-arbóreos, embora eleve a sua coroa de frondes (nome técnico das folhas dos fetos, em geral duplamente pinadas e muito compridas) mais de dois metros acima do solo. Ao que parece, ser chamado de feto-arbóreo é título de nobreza reservado às famílias Dicksoniaceae e Cyatheaceae, preponderantemente originárias da Ásia e da Oceânia; é à primeira delas que pertence a Dicksonia antarctica. O feto-do-botão, europeu como é, pertence à família errada; embora, na verdade, seja mais curto, menos amplo e de tronco menos volumoso do que os seus irmãos orientais. Convém, a propósito, esclarecer que os «troncos» destes fetos não são lenhosos nem engrossam com a idade: são simplesmente formados por uma amálgama fibrosa de raízes; por isso, muitos deles sobrevivem com facilidade se forem decapitados e a parte superior posta a enraizar.
Para que haja reprodução por via sexual, a maioria dos fetos exige a presença da água; quando ela falta, há que optar por outras vias. O feto-do-botão reproduz-se vegetativamente de um modo muito original, fazendo brotar novas plantas na extremidade das frondes.
O feto-do-botão é espontâneo em ravinas arborizadas húmidas no sul da Europa, e também nos Açores, Madeira e Canárias. No norte do país, por exemplo, é ainda possível encontrá-lo na mata da Albergaria. Dizemos ainda porque a espécie está ameaçada de extinção em Portugal Continental, dela restando cerca de 2500 indivíduos distribuídos por seis populações, quatro das quais no Parque Nacional da Peneda-Gerês (informações colhidas aqui [PDF]). Os exemplares acima são do Jardim Botânico do Porto.
5 comentários:
...por falar em botão... (felizes, como sempre, as árvores que acenam!)
Sabem do "Bolhão" e do que se preparam para fazer? Era preciso "avisar toda a gente", uma vez mais! Uma "árvore da memória", um óasis, da nossa baixa tão maltratada...Abçs
olá boa noite finalmente encontrei arespostapara uma das minhas dúvidas "existênciais". Porque não encontrava refereência destes fetos na dicksonya . finalmente percebi que pertence a outra espécie, e isto leva-me à minha questão, qual então o nome científico para o fetode botão? . Obrigado desde já e contacte-me através do mail magakikus@hotmail.com. Já a gora possuo 5 destes fetods no meu jardim que espero venham a dar novas plantas para poder começar a plantar no estado selvagem
Boa noite.
O nome científico está na legenda da foto (como aliás sucede na maioria das entradas deste blogue): Woodwardia radicans. É muito meritória a sua ideia de reproduzir os fetos no seu jardim para os "soltar" na natureza.
Olá!
É só para dizer que os fetos que se encontram nas fotos não são da espécie Woodwardia radicans. Esta espécie apesar de poder ter frondes com cerca de dois metros, apenas refere-se ao comprimento destas e não ao comprimento do "tronco" ou rizoma, que é bastante modesto e geralmente rastejante...
Cumprimentos,
Jorge
Não ponho a mão no fogo pela identificação, mas em minha defesa posso alegar o seguinte:
- a placa identificativa junto à planta, no Jardim Botânico, indicava esse nome;
- tenho duas referências à mão que afirmam que o feto-do-botão pode atingir alturas máximas de 1,8 m a 2,5 m (são elas The botanical garden [vol. 2] de Roger Phillips & Martin Ryx, e Flora of the Azores - a field guide [2ª ed.] de Hanno Schäfer).
Face a isto, não me parece que a altura destes exemplares seja razão suficiente para afirmar que a identificação está errada. Talvez a explicação seja que a maioria dos exemplares que se encontram na Natureza não teve oportunidade de viver tantos anos como estes do Botânico.
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