30.12.04

As palmeiras

Também o deserto vem
do mar. Não sei em que navio,
mas foi desses lugares
que chegaram ao meu jardim
as palmeiras.
Com o sol das areias
em cada folha,
na coroa o sopro
ainda húmido das estrelas.

Eugénio de Andrade, Ofício de paciência (1994)

2 comentários :

Miguel Miranda disse...

Muito bom.

Com os melhores cumprimentos,

Miguel Miranda

bea disse...

Na juventude apaixonei-me pelas palmeiras do Campo Grande que olhava diária,de nariz no ar. A árvore mais bonita do universo. Foi aí que decidi ter uma palmeira. Tive-a. Como se têm as árvores. Sem tê-las. Tanto se alargou no à vontade, que o quintal afogado nas lâminas das folhas a multiplicar agudos de lança. E dei-lhe um funeral de retroescavadora:)

Esta miséria onde um poeta vê areias tropicais