28.12.04

Dos jornais: a Quinta de Marques Gomes (Gaia)

«Que está a ser feito das últimas zonas verdes com dimensão e significado na Área Metropolitana do Porto? A resposta é simples: em certos casos, estão esses derradeiros bastiões entregues ao esquecimento e, o que é pior, à voracidade das operações imobiliárias - sem que ao menos a opinião pública tenha uma ideia clara sobre o que se está perdendo. E isto passa-se no momento em que mais se fala de "requalificar", de defender o ambiente e de ordenar o território. Algum dia - certamente já tarde de mais - lamentaremos amargamente a perda de espaços que tornariam possível a qualidade de vida e a verdadeira humanização das cidades!

A Quinta de Marques Gomes é um desses espaços, porventura dos mais importantes. Estendendo-se entre S. Paio e o Cabedelo, e da marginal do Douro até aos pontos mais altos de Canidelo, aí se guardam matas e terras cultivadas, pastagens e prados selvagens, num conjunto notável, como que emoldurando o belo cenário estuarino, com a sua paisagem bela e surpreendente.
(ver foto aérea) Vila Nova de Gaia poderia contar com tal património natural para criar o "Parque da Cidade" tão necessário e diversas vezes proposto. Mas não. A Quinta, e tudo o que ela significa como "pulmão" de Gaia e da zona do Porto, está em grave risco de se perder.

Foi recentemente anunciado o que a aguarda: a sua transformação num "agregado com cerca de 1100 casas, totalizando mais de 148 mil metros quadrados de habitações - com uma cércea , em média, de quatro andares -, e 10 mil de escritórios, a que acrescem 70 mil metros quadrados de estacionamento subterrâneo".

Uma tão pesada ocupação significa, sem apelo nem agravo, a transformação da Quinta numa saudade, certamente com resultados lucrativos, mas que se duvida possam ser de interesse público.»


Bernardino Guimarães no JN de 28/XII/2004
(texto completo aqui)
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Adenda: Visita à Quinta de Marques Gomes (10/II/05)

1 comentário :

manueladlramos disse...

«Quinta Marques Gomes mais verde

O polémico processo de urbanização da Quinta Marques Gomes sofreu uma reviravolta. A capacidade construtiva foi reduzida a 50 mil metros quadrados, o que permitirá preservar cem mil metros de espaço verde. Em 2008, a população poderá usufruir de novos parques urbanos.

Lúcia Pereira

A urbanização prevista para a Quinta Marques Gomes, em Canidelo, Vila Nova de Gaia, já não vai ser construída. “Era quase a construção de uma cidade que caiu por decisão camarária e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte”, revelou ontem o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes. O autarca lembrou que o acordo entre a sociedade Gaia Polis, a ESAF – Espírito Santo Fundos Imobiliários e Câmara de Gaia previa 150 mil metros quadrados de área construtiva. Afinal, mas apenas serão ocupados 50 mil metros quadrados numa antiga fábrica em ruínas.
Luís Filipe Menezes, que falava na apresentação do relatório da empresa municipal Parque Biológico, adiantou ainda que se tudo correr de acordo com o previsto o Parque da Baía de S. Paio estará ao serviço da população no Verão de 2008. Os terrenos já foram cedidos à autarquia. Falta somente formalizar a escritura para que o projecto possa avançar. O parque urbano previsto para a Quinta Marques Gomes demorará mais algum tempo, uma vez que está dependente das vias marginais a construir no âmbito do Polis. Menezes anunciou ainda que no Verão de 2008 também estará pronto um novo espaço verde contíguo ao Centro Cívico da Afurada e que obrigará à demolição da sede da Gaia Polis e dos edifícios contíguos.
O futuro do palacete da Quinta Marques Gomes está agora por definir. Trata-se de uma construção única no país que carece de recuperação. “Vamos continuar a negociar. Não é fácil dizer a alguém que se retirou cem mil metros quadrados de construção e continuar a exigir coisas”, reconheceu o autarca de Gaia. A recuperação do casarão construído nos finais do século XIX e a sua entrega à autarquia era uma das contrapartidas do acordo inicial com a ESAF, que pretendia promover a construção de 1100 casas numa área com 148 mil metros quadrados.
Com 36 hectares, a Quinta de Marques Gomes vai da marginal do Douro até à cota alta da freguesia de Canidelo. O empreendimento da ESAF foi desde sempre contestado por associações ecologistas que alertaram para “a perda de um pulmão verde” da área metropolitana. “Ninguém nos pode acusar de destruir espaços verdes”, frisou Luís Filipe Menezes. O autarca salientou ainda que “o plano de pormenor para a Baía de S. Paio/Canidelo deve ser o único do país com capacidade construtiva 20 por cento inferior à que é permitida pelo Plano Director Municipal em vigor”.

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Parque
Salto positivo
O presidente da EM Parque Biológico, Nuno Oliveira, salientou que em 2006 se registou um “salto de qualidade” no que respeita ao número de visitantes. Quase 300 mil pessoas visitaram os parques Biológico, da Lavandeira e das Dunas da Aguda. As contas também foram positivas. A empresa gerou 50 por cento das verbas necessárias ao seu funcionamento, sendo que apenas seis por cento são relativas às receitas das entradas cobradas no Parque Biológico. A empresa municipal está a ser solicitada para projecção e consultadoria por municípios que querem construir parques semelhantes, obtendo desta forma, entre outras, verbas para o seu auto-financiamento.»



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