10.2.05

Visita à Quinta de Marques Gomes



Fotos: pva 0501 - Quinta de Marques Gomes - Gaia

A Quinta de Marques Gomes, também chamada Quinta do Montado, em Gaia, foi aqui assunto há umas semanas, quando trouxemos um texto de opinião no JN do nosso amigo Bernardino Guimarães. O caso pode assim resumir-se: a Câmara de Gaia abdica da oportunidade de construir um valiosíssimo parque urbano com cerca de 30 hectares, integrando zonas húmidas ribeirinhas, campos agrícolas fertéis e uma vasta mata, em troca de mais uma urbanização megalómana. É a história do costume, com a agravante de Gaia, um dos concelhos mais extensos e populosos do país, ser também um dos mais pobres em espaços verdes: no seu miolo urbano há dois únicos e pequenos jardins públicos, o do Morro e o Soares dos Reis. O Parque Biológico de Gaia e a Estação Litoral da Aguda, duas notáveis realizações no domínio ambiental, não podem servir de eterno álibi a esta despreocupação camarária com a qualidade do espaço público concelhio.

Uma longa alameda, sombreada por alinhamentos de tílias afogadas em vegetação daninha, conduz do portão de entrada da quinta, na zona alta do Canidelo, à grande mansão abandonada, a que altivas palmeiras-das-Canárias ainda fazem guarda de honra. O palacete foi usado, entre 1975 e 1991, por uma cooperativa de ensino e como sede de uma associação popular, e terá sido nesse período que os canteiros ajardinados em seu redor foram substituídos por placas de cimento. Em volta do pátio, grandes árvores ornamentais recordam a antiga opulência: tílias de porte formidável, uma melaleuca, araucárias, um metrosídero monumental enfeitado com cachos de raízes aéreas. E pela encosta abaixo, descendo suavemente em direcção ao Douro, mas tão densa que dele não permite o menor vislumbre, estende-se a mata... de acácias, numa demonstração conclusiva da ameaça que esta árvore, capaz de obliterar em poucos anos toda a concorrência, representa para a floresta portuguesa. A dada altura o caminho desemboca em campos agrícolas cultivados, e a vista alarga-se até ao rio. Adivinham-se já os folhetos promocionais anunciando as vistas privilegiadas... para quem as puder pagar, quando este panorama único, embalado num silêncio raro, for tapado pela cortina de prédios que requalificará a zona baixa da quinta.

6 comentários :

Anónimo disse...

Site fantástico. Os meus parabéns!

Jo@o

LFV disse...

Só uma pergunta: a quinta está aberta ao público? Pode visitar-se em qualquer dia e a qualquer hora? Se for possível darem-me a informação, agradeço.

Paulo Araújo disse...

Nós entrámos sem pedir licença a ninguém, pois o portão não está fechado. Quando saíamos, entrou um grupo de ciclistas em BTT. O acesso é portanto para já livre.

jotakapa disse...

Já me tinha questionado algumas vezes o que seria aquele espaço. É realmente pena que esteja condenado!

Angela disse...

Cada vez que venho cá e leio uma coisa destas, pergunto-me: MAS NÃO SE PODE FAZER NADA? Que tal uma petition on line, que tal uma enorme corrente de emails para a porcaria e nojo destas autarquias???

Pedro disse...

Caro Paulo Araújo,
coloquei 3 destas fotos no Portuense. Espero que não haja problema. Se quiser posso retirá-las.
Cumprimentos