19.6.07

Os sinos tocam azuis


Bluebells (Hyacinthoides non-scripta) - Kew Gardens

Da variedade inimaginável de plantas e flores que, em qualquer altura do ano, se podem observar nos Kew Gardens, foi esta florzinha que ninguém semeou a escolhida para figurar na face do desdobrável distribuído aos visitantes no período de Abril a Junho de 2007. Há uns 10 ou 20 anos uma tal escolha seria impensável: os jardins botânicos serviam para exibir colecções de raridades colhidas em lugares remotos, e não para celebrar as ervitas que despontam ao acaso em bosques ou prados. A primeira função não se perdeu, mas a segunda tem ganho cada vez maior importância. Nos Kew Gardens já só alguns poucos relvados, junto aos jardins e espaços mais formais, são ainda aparados com regularidade; nas restantes zonas cresce livremente a vegetação rasteira. Com isso regressaram as flores silvestres e toda a fauna de borboletas e demais insectos que lhes está associada. E também no Jardim Botânico do Porto esta tendência para naturalizar tem ganho força: além das vistosas dedaleiras, são já muitas as plantinhas trazidas pelo vento que, sem licença nem placa de identificação, vicejam à sombra das árvores.

P.S. Veja aqui a mesma planta em versão branca.

3 comentários :

Ver disse...

Já em 1945, ano da publicação do seu Common wild flowers, John Hutchinson, na época director do departamento de museus dos Kew gardens, Falava das Bluebell dos K. Gardens com esta admiração:
"Kew Gardens is justly famed for its bluebells which are usually at their best about the first week in May.(...) The sea of colour beneath the beech and birch trees just breaking into leaf is worth travelling a long way to see."

P.R disse...

Belíssimo blog! Muitos parabéns!

asn disse...

Agora que a minha atenção anda concentradíssima nas coisas simples da Vida, a variedade de plantas e flores e cheiros que a Natureza nos transporta aos sentidos é tanta, que quase nos submerge...
António