26.4.08

Tremoceiro-azul


Lupinus angustifolius - vale do Tua

É com um tremoceiro, o nosso segundo, que encerramos em pleno azul uma semana fotograficamente preenchida com a ameaçada flora do vale do Tua. Talvez não valha a pena explicar em detalhe como o tremoceiro-azul é diferente do seu congénere amarelo: nem quem desdenhe as nossas explicações correrá o risco de os confundir. Mas pode dar gosto a alguns fazer as coisas do modo mais difícil - e é para esses que, de seguida, ensinamos como distinguir as duas plantas sem olhar à cor das flores.

As folhas de ambas são compostas digitadas, mas, como indica o epíteto angustifolius, os folíolos do tremoceiro-azul são notoriamente mais estreitos. Além disso, este último dispõe as flores na haste alternadamente, enquanto que as flores do tremoceiro amarelo se agrupam em andares sucessivos, com as flores de cada piso formando varandas circulares em torno da haste.

No que respeita à vida em sociedade, a atitude destes dois tremoceiros não podia ser mais constrastante. O tremoceiro-amarelo é por natureza gregário e reivindicativo: todos os anos, pela Primavera, haja ou não motivo para protesto, organiza grandes manifestações onde insiste em agitar as bandeiras amarelas de sempre. O tremoceiro-azul, pelo contrário, é de carácter reservado e individualista, odeia multidões, e pouco ou nada faz para ser notado. A sua distribuição em território português é escassa e irregular: perto do Tua, vimos alguns indivíduos marginando a estrada; atentos à raridade, tivemos que nos apear para o registo fotográfico. Antes disso, só o tínhamos visto, mirrado pelos maus ares da vizinhança, junto a uma das ribeiras (ou esgotos) que desaguam na poluidíssima Lagoa de Paramos, a sul de Espinho.

1 comentário :

António disse...

Tive oportunidade de ver vários exemplares, este fim-de-semana, nas margens do Douro, entre a Régua e o Pinhão.