Areias de Menorca
Os areais de praia, por que muitos já anseiam, raramente são casa confortável e sossegada para plantas. No litoral de fácil acesso — onde ir passar um dia soalheiro à praia significa levar o carro abarrotado de víveres, estacioná-lo quase em cima da espuma das ondas, ligar a música portátil bem alto e, em dois pulos, entrar no mar aos berros — o pisoteio é tão intenso que por ali quase só sobrevive o chorão. Por outro lado, nas praias mais pedregosas, quase sem areia mas com recantos inacessíveis bem conservados, o solo nem sempre é favorável à vegetação, mantendo apenas plantas que conseguem segurar-se e alimentar-se na rocha dura. Há, porém, algumas praias que, cheias de defeitos para os veraneantes (vento, areia grossa, mar alteroso, cheiro a algas em decomposição), conseguem manter um habitat acolhedor para herbáceas excepcionais. Trata-se de lugares onde só se chega depois de uma longa caminhada, terminando o trilho num agrupamento de rochas que só podem ser circundadas quando a maré está baixa. Para visitar essas praias, é necessário saber quando ocorre a preia-mar, não vá a desatenção deixar-nos por várias horas com água pelo queixo. A praia de Trebalúger, em Menorca, onde encontrámos uma população numerosa de Pseudorlaya pumila, sofria ainda de outra imperfeição muito benéfica para a vegetação: uma colónia de aves fez de parte do areal a sua sala de estar, ficando o chão coberto de guano. Com o odor intenso e desagradável, os veraneantes mantêm-se longe, e assim não há o risco de calcarem as plantas.

Há registo da presença da P. pumila na costa sul de Portugal continental, alargando-se a sua distribuição à região mediterrânica e a parte da Europa ocidental. Partilha areais junto ao mar ou dunas primárias com a outra espécie de Pseudorlaya que aqui em tempos vos mostrámos, a P. minuscula, que também ocorre em areias de beira-mar do norte e centro do país, e é nativa da Península Ibérica e Marrocos. As duas espécies, pumila e minuscula, são herbáceas anuais muito hirsutas, com lindas flores da cor-de-ameixa, que diferem sobretudo pelo tamanho dos talos e dos frutos (ambos maiores na P. pumila). Florescem entre Fevereiro e Maio, meses em que é mais provável descobri-las na praia por já não estarem soterradas na areia.