5.9.04

Cidade-Verão / Cidade-Inverno

Terminou a época do ano em que os portugueses, cada vez mais citadinos e sedentários, tomam algum contacto com o ar livre: é no Verão e é na praia que este povo-toupeira emerge de onze meses de reclusão. Por isso já nem se põe o caso de distinguir as estações: há Agosto e há todos os restantes meses, indiferenciados a não ser pelas efemérides do calendário comercial.

Agora as folhas vão amarelecendo e é quase chegado o tempo das castanhas e das nozes; se as soubermos procurar, podemos colhê-las até no Porto sem precisarmos de ir às lojas: mesmo na cidade, todos os meses são diferentes para quem acompanha a vida das árvores.

Fica aqui um texto sobre um tempo e um lugar (anos 20 do século XX, Cotswolds, Inglaterra) em que a alternância Inverno/Verão definia o ciclo vital da comunidade. O autor é Laurie Lee (1914-1997), poeta e prosador inglês que, com este livro, Cider with Rosie (1959), granjeou vasta e merecida fama.

«The seasons of my childhood seemed (of course) so violent, so intense and true to their nature, that they have become for me ever since a reference of perfection whenever such names are mentioned. They possessed us so completely they seemed to change our nationality; and when I look back to the valley it cannot be one place I see, but village-winter or village-summer, both separate. It becomes increasingly easy in urban life to ignore their extreme humours, but in those days winter and summer dominated our every action, broke into our houses, conscripted our thoughts, ruled our games, and ordered our lives.

Winter was no more typical of our valley than summer, it was not even summer's opposite; it was merely that other place. And somehow one never remembered the journey towards it; one arrived, and winter was here. The day came suddenly when all the details were different and the village had to be rediscovered.»

2 comentários :

manueladlramos disse...

O tempo das nozes está mais perto do que julgava pois no fim de Setembro têm lugar inúmeras Feiras das Nozes (e até bem perto,por exemplo em Gondomar e Gaia)! Para o das castanhas é que ainda falta um pouco mais. Eu sei onde se podem apanhar castanhas aqui na cidade... mas nozes não!

Paulo Araújo disse...

No Jardim das Virtudes... Mas não digas a ninguém, que só há lás três nogueiras e podem não chegar para as encomendas.