7.11.04

Árvores do Jardim do Carregal #2



A segunda árvore desta série sobre o Jardim do Carregal pertence à família Araucariaceae, como as araucárias de que aqui falámos. Tem nome de senhora mas é ainda uma menina: é uma Agathis robusta com cerca de 6 metros de altura e não mais de 20 anos. A palavra grega agathis significa "novelo de fio", aludindo à forma dos cones femininos deste género; o termo latino robustus refere-se ao tamanho e idade que a árvore pode atingir: são conhecidos exemplares com 50 metros de altura, 3 de diâmetro do tronco e mais de 2 mil anos.

O nosso espécime vegeta no bordo do jardim mais ameaçado pelas obras da construção do túnel do Carregal, que já lhe destruíram várias ramadas. Esteve mesmo para ser abatida, mas a oportuna consulta por parte dos construtores do túnel ao Jardim Botânico do Porto, confirmando que se trata de "árvore rara", salvou-a de destino tão desonroso.

Como todos os membros da família Araucariaceae, trata-se de uma árvore perenifólia; as suas folhas são tendencialmente opostas, com pecíolo curto e achatado, cerca de 10 cm de comprimento, de cor verde-escuro, face superior brilhante como se envernizada, e distinguem-se bem pelo recurvado nas margens.



O tronco é maciço, cinzento, de madeira amarelada (da cor da sua resina), com casca lisa ou coberta de leves escamas, livre de ramagem na maior parte da sua altura. Além disso é monóica (orgãos reprodutores masculinos e femininos na mesma árvore), mas a produção de sementes só ocorre em idades superiores a 30 anos e o nosso exemplar não produziu ainda cones.

É originária de Queensland, na Austrália, e portanto conterrânea da Araucaria bidwillii; para lhe aliviar as saudades de casa, a nossa árvore foi plantada perto de uma destas araucárias. Não conhecemos outro exemplar de Agathis no Porto; Amaral Franco, nos Anais do Instituto Superior de Agronomia, menciona um de bom porte no Palácio de Cristal mas que já não existe.

Fotos: pva 0410

1 comentário :

António Viriato disse...

Magnífico texto explicativo, preciso no essencial, sóbrio no complementar; quase me faria mudar de ramo, se não fosse a inoportunidade.