18.2.05

Ficus religiosa


Foto: pva 0412 - Ficus religiosa - Jardim Botânico do Porto

Por razões misteriosas, os seres divinos preferem contactar-nos, no nosso restrito vale-de-lágrimas, junto a árvores. A macieira do paraíso foi instrumento essencial na origem do pecado, momento oportunamente presenciado por uma cobra enroscada nos ramos perfumados de maçã madura; também haveria por perto uma figueira, que forneceu o primeiro pronto-a-vestir da história; por cá, a azinheira da Cova da Iria terá cumprido o seu papel de cenário para as revelações aos pastorinhos, servindo ainda de altar em capela improvisada ao ar livre. A Ficus religiosa faz parte deste clube de testemunhas privilegiadas: a sua presença e sombra terão inspirado sabedoria, sanidade perfeita e uma profunda consciência do universo, e é por isso árvore sagrada nos rituais da religião budista.

O género Ficus, da família Moraceae, conta com mais de 1000 espécies, em geral de folha perene, que apreciam climas amenos em regiões tropicais ou subtropicais e são muito usadas como árvores ornamentais. As flores são diminutas e estão ocultas em cápsulas polposas que depois se transformam nos frutos: um doce figo lampo é afinal um estojinho de flores.

A espécie religiosa, originária da China e Índia, é inconfundível pelas folhas de base larga, com nervuras bem marcadas, pecíolos compridos - que dão à copa um ar gaiato -, margens inteiras mas onduladas, e um ápice que se estreita abruptamente e se prolonga numa ponta pronunciada. Há notícia de árvores desta espécie, plantadas há centenas de anos em adros de templos budistas na Ásia, que exibem ainda hoje porte magnífico e são referências entre peregrinos. O exemplar mirrado da foto vegeta em lugar de solo pobre e pouco soalheiro no Jardim Botânico do Porto.

1 comentário :

isabel paquete disse...

O Ginko também tem uma grande conotação religiosa,e parece que a sua existência actual se deve ao facto de ter sido plantado junto aos templos.Será essa a razão porque plantaram mais de 60 Ginkos junto ao estádio do Dragão?