7.2.05

Vista para o Jardim da Cordoaria

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foto: mdlramos 0402
Obviamente mais virados para os jardins que alguns dos nossos amigos, aqui fica esta vista (complementar) do alto da velha Torre dos Clérigos, em que está bem patente a destruição do jardim histórico.

2 comentários :

Anónimo disse...

ora digam lá se a cordoaria não é bonita assim vista de cima...
pena não conseguirem conjugar a estética com o respeito pelas árvores e pelas pessoas que usam/usavam o jardim

vitorsilva

Manuela D.L.Ramos disse...

De jardim a eirado
Crónica de Ilda Castro* n' O Primeiro de Janeiro de 21/07/06
«Faz pena, faz dó, ver aquilo que era o Jardim da Cordoaria transformado numa espécie de eirado onde as placas de pedra, mal colocadas, já estão, na sua maior parte, levantadas a substituírem as ruas do antigo jardim.

As árvores que, de tão densas, pouco via do interior quem de fora olhasse, levaram um tal sumiço que só restaram algumas do lado do Palácio da Justiça, talvez para não esquecermos que aquilo foi um dia um jardim.
A substituir arbustos plantaram? como hei-de chamar-lhes? Ervas altas?

E as ruas, todas em saibro, são o inferno para os sapatos quando chove. Que o diga a ex-ministra do PS quando, na companhia de outros membros do Governo de então, veio ao Porto inaugurar aquela vergonha, num dia de chuva e, ao tentar saltar um dos canteiros, lá deixou um sapato na lama. Mas também quem a mandou saltar canteiros (?) que nem flores têm em vez de ensaibrar os sapatos naquelas ruas.

E os bonecos a fingir gente que sobe e desce escadas (?), de madeira, talvez para se julgar que aquele lugar é, como era, frequentado por pessoas que ali iam passear?

Faz dó ver um jardim que era tão bonito, tão estragado, tão abandonado. Ao quererem acabar com a frequência dos drogados, acabaram com o jardim.

As voltas que o mundo dá! Aquilo (jardim, não) a que hoje chamam Cordoaria já foi chamado Campo do Olival, Campo dos Mártires da Pátria e Jardim João Chagas. Premunição ou acaso? Que aquilo está uma chaga? é verdade, que martirizaram o pobre jardim, também é verdade e azeitonas ou oliveiras já lá não existem. Ele há coisas?!

O pobre nasceu mal fadado! No entanto, ele teve os seus momentos de glória, no passado, é claro! Por lá passou o cortejo que acompanhou D. Filipa de Lencastre, quando veio ao Porto para casar com El-Rei D. João I.
Sobre a Porta do Olival existiu uma lápide com o juramento de D. João IV comprometendo os cidadãos a defender a Conceição de Nossa Senhora e a declará-la padroeira do reino. Desde então a coroa portuguesa nunca mais foi usada por nenhum dos nossos reis.
O Café do Olival conserva ainda, no seu interior, um resto da muralha Fernandina, mas infelizmente nem tudo são rosas no passado deste jardim, pois foi mesmo ao lado que se levantaram forcas onde morreram muitos ladrões e assassinos. Essas forcas nada têm a ver com a lenda, que não passa de lenda, de que uma das árvores do Jardim da Cordoaria era a árvore da forca
Na realidade elas existiram entre o edifício da cadeia e a antiga muralha de tal modo que os presos podiam assistir às execuções.

Mesmo ao lado deste jardim de pedra, saibro e ervas, estende-se outro eirado (obra da 2001) a Praça Parada Leitão
que é o monumento mais perfeito que eu já vi ao granito e ao cimento. Das árvores que ali havia sobreviveram as do lado poente, não sei por que milagre. Para justificarem tal desolação dizem que aquilo é um local de animação e então, quando entendem que a data é festiva, vá do porem música aos berros de tal modo que, quem mora em Carlos Alberto, só tarde pode dormir. Como isto não acontece todas as noites, temos de lhes estar muito gratos.

Estes eram dois locais aprazíveis da cidade que as obras "para beneficiar o Porto" a 2001 estragou. Que lástima! Eu chamo a isto queimar dinheiro conscientemente o que não admira? Não somos nós um país rico?! Não estamos nós com as finanças em alta?!»