7.3.05

Palmeiras de auto-estrada



Fotos: pva 0503 - Washingtonia robusta - Vila Nova de Gaia

Desde 1963, ano da inauguração da Ponte da Arrábida, e até quase final da década de 80, a única auto-estrada do país, embrião da futura Porto-Lisboa, compunha-se de dois troços desconexos: do Porto, ela partia da Via Marechal Carmona e, atravessado o rio, ia terminar poucos quilómetros depois nos Carvalhos; quem continuasse viagem tomava a EN1 e só reencontrava a auto-estrada já com Lisboa à vista.

Nesse tempo que hoje parece tão recuado, «auto-estrada», aqui a norte, era pois um substantivo próprio, designando uma bem determinada pista de aceleração que não enchia as medidas dos nossos heróis do volante. Agora que a fome se fez fartura quase apopléctica, há ainda quem não esteja satisfeito - e, por querer «deixar obra feita», prossiga com denodo até ao completo asfaltamento do país.

Há mais de quarenta anos que estas palmeiras (Washingtonia robusta) numa quinta próxima dos Carvalhos são vizinhas da auto-estrada; e isso é muito tempo, mesmo para quem, como elas, ultrapassou um século de vida. Incrivelmente esguias e flexíveis, agitam o seu penacho de palmas a uma altura improvável, e até os aceleras mais ensimesmados lhes terão por vezes concedido um micro-instante de atenção.

A Washingtonia robusta é originária do México (daí o seu nome vulgar palmeira-de-leque-mexicana) e só foi introduzida na Europa no último quartel do século XIX. Estes dois exemplares parecem-nos ainda mais altos do que as sete famosas palmeiras da mesma espécie no Palácio de Cristal, das quais falaremos proximamente.

[A oportunidade de visitar e fotografar estas notáveis palmeiras deveu-se ao Eng. Paulo Almeida, a quem muito agradecemos.]

1 comentário :

BlueShell disse...

Gosto de árvores....

Só um votinho em mim...no http://peciscas.blogspot.com/ para melhor nick...please...Jinho, BShell