17.9.05

"O Medronho e a Medronheira"

A propósito da "Árvore dos morangos"
«Contado por Maria isabel e seu filho
Em Setembro, Outubro, conforme o amadurecimento dele, começa-se a apanhar o medronho.
A gente, na serra, chama "madronho" à fruta e à aguardente chama-se "madronhêra" ou só aguardente, que não temos outra... lá para baixo , para "o Algarve" sim, fazem de figo e a "bagacinha", que é da uva. Não quero pôr "petafes", mas não se gosta dessas aguardentes. Não têm mesmo comparação nenhuma...
Então, dizem que bebem um copo de medronho e a gente a gente ri-se desse dito, porque o medronho come-se não se bebe. Pois não será verdade?
A apanha é muito "constosa", esfarrapa a roupa toda porque o medronheiro é coisa bravia, não nasce assim num pomar disposto em canteiros. Nasce e cresce pelos barrancos, pelos cerros mais altos e rodeado de matos e silvas. É um trabalho levado do diacho e também é preciso acartá-lo para as adegas que saõ essas casinhas pequenas que se vêem espalhadas pela serra fora, afastadas dos "montes", nos sítios que ficam mais perto da maior fartura de medronheiros. (...) »
In Um Algarve Outro -contado de boca em boca (estórias, ditos, mezinhas, adivinhas e o mais...) , de Glória Marreiros (Livros Horizonte, 1991), p. 225
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1 comentário :

amigalete disse...

Petafes..Ha muito que não ouvia tal palavra. Sou da serra.Sim, nasci lá mas vivo em Lisboa. Ler essa palavra lembrei a minha avó que a usava também. Dizia ela: não ponho "pitafes" e não petafes. Quer dizer: não ponho defeitos.