20.11.05

O rei de Ítaca

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei de Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen, O nome das coisas (1977)


Foto: pva 0511 - frutos e folhas de Ginkgo biloba

1 comentário :

António Viriato disse...

Bem lembrado este poema-pensamento da saudosa Sofia, aqui mais uma vez evocando a nossa colectiva, inesgotável fonte de inspiração, a nossa velha Hélade.
Que falta nos faz a autora desta luminosa poesia, nos deprimentes tempos que vivemos.
Boa semana e boa inspiração, de resto, sempre esperada pelos leitores que aqui vêm já por hábito adquirido.